Palmeiras arrecada R$ 1,2 bi, mas gasto elevado preocupa – 01/04/2025 – Esporte


O Palmeiras apresentou nesta terça-feira (1) suas demonstrações financeiras de 2024, confirmando sua arrecadação recorde, pela primeira vez, na casa do bilhão. O total bruto foi de R$ 1,27 bilhão. Em 2023, o montante foi de R$ 908 milhões.

A marca foi obtida mesmo numa temporada em que o clube fracassou em seus principais objetivos, com as eliminações precoces na Copa do Brasil e na Libertadores, ambas nas oitavas de final. Apesar de iniciar sua jornada com o tricampeonato paulista, também perdeu a disputa da Supercopa para o rival São Paulo e não teve fôlego na reta final do Campeonato Brasileiro, ficando com o vice.

Para Amir Somoggi, sócio da Sports Value, consultoria de marketing esportivo, o balanço divulgado pelo clube da Barra Funda mostra uma situação bem confortável mesmo com o aumento da dívida, que foi de R$ 571 milhões em dezembro de 2023 para R$ 852 milhões no fim de 2024, um crescimento de 49,2%.

O departamento financeiro do time alviverde divide sua dívida em dois blocos, “histórica” e “operacional”. Na parte histórica, segundo o balanço, estão inclusos débitos antigos, de gestões passadas, não pagas e depois parceladas, além de dívidas de processos judiciais de exercícios anteriores.

Nesse extrato, a dívida subiu 135,8%, passando de R$ 53 milhões em dezembro de 2023 para R$ 125 milhões em dezembro de 2024. O clube informou que o aumento foi registrado devido ao parcelamento de R$ 71 milhões de ISS (Imposto Sobre Serviço) sobre a bilheteria de jogos realizados de 2010 a 2018.

A dívida operacional, por sua vez, teve um aumento de 40,3%, de R$ 518 milhões para R$ 727 milhões. Ao justificar o crescimento, são destacados dois gastos, com a contratações de jogadores, definidos como “compromissos contraídos para o sustento da operação normal do clube”, e débitos pagos em janeiro de 2025, como salários de atletas e funcionários, luvas, encargos e impostos.

Esse, contudo, deveria ser o ponto de atenção para o Palmeiras na opinião de Somoggi. Ele destaca que o clube tem um gasto muito elevado com as despesas relacionadas ao departamento de futebol masculino, feminino e de base. Somadas, em 2024, eles consumiram pouco mais de R$ 867 milhões.

“É um clube que gasta muito. O departamento de futebol do Palmeiras nunca gastou tanto. De um lado tem um clube organizado, que investiu nas categorias de base, que vê suas receitas crescer, mas é um clube que gasta mais do que deveria”, diz Somoggi.

“É histórico para o clube passar de R$ 1 bilhão, mas o gasto de quase R$ 900 milhões só com o futebol é um custo fora da realidade já que o time não apresenta esse futebol em campo”, afirmou. “Mesmo assim, ele aumenta a dívida de um lado, mas tem muito para receber de venda de jogadores, que poderia liquidar [a dívida que aumentou]. É um clube que está numa situação confortável.”

As negociações de atletas representaram a maior fonte de receita do clube em 2024, com 35% do total da receita operacional (R$ 440,3 milhões). Os direitos de transmissão (R$ 189 milhões) e os patrocínios (R$ 150 milhões) aparecem logo em seguida, representando, respectivamente, 15% e 12% da receita bruta total.

No caso dos direitos, porém, houve uma queda em relação a 2023, quando o montante arrecadado foi de R$ 203 milhões. Essa redução em valores absolutos, de 7% em relação ao ano anterior, deve-se justamente às quedas nas oitavas de final da Copa Libertadores, eliminado pelo Botafogo, e da Copa do Brasil, diante do Flamengo, justifica o demonstrativo.

A formação comandada por Abel Ferreira ainda teve a chance de compensar os fracassos nos torneios de mata-mata buscando o troféu do Campeonato Brasileiro, mas, desta vez, não alcançou uma virada contra o Botafogo apesar de ter mais tempo para se dedicar exclusivamente ao certame —acabou como vice.

Em 2023, o Palmeiras chegou às quartas de final do mata-mata brasileiro e à semifinal do torneio continental, além de ter sido campeão nacional. Os resultados de 2024 também reduziram as premiações. A queda foi de 20%, saindo de R$ 86 milhões para R$ 69 milhões.

Em contrapartida, a receita de patrocínios e publicidade registrou um aumento de 18%, de R$ 127 milhões para R$ 150 milhões. O clube destaca o patrocínio máster do futebol feminino e a venda dos direitos pelas placas de publicidade do Campeonato Brasileiro.

O documento com as demonstrações financeiras do Palmeiras aponta, ainda, que o clube fechou o exercício de 2024 com um superávit de R$ 198,2 milhões, impulsionado sobretudo pela venda de jogadores.



Folha de S.Paulo