Olimpíadas são a prova de que 4 milhões de mortos não valem nada

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Parem as máquinas! Há uma pandemia em curso. Elementar, meu caro Watson, mas não, não mesmo! 

Eu que andei feliz da vida em ver o surfe olímpico, eu que sonhei ir ao Japão cobrir as Olimpíadas. Apesar de esperar tanto por isso, torci para que os japoneses dessem um olé nos interesses econômicos, e pela primeira vez na história mostrassem ao mundo como é ser humano, humanitário. Não foi dessa vez. 

por Janaína Pedroso

Contudo, a pandemia segue, se Deus quiser, rumo ao fim. Entretanto, lembraremos por todos os dias de vida que resta a cada um, dos amigos, conhecidos, familiares que morreram. Das declarações sórdidas de gangsters-estrumes, líderes políticos que trataram esse vírus com desdém. Lembraremos dos finais de semana de sol que passamos trancafiados, dos problemas de saúde que se agravaram por medo de pisar num hospital ou consultório e com a incerteza diária de não saber se haveria emprego ou comida. 

Quanto ao surfe, esse esporte lindo e feliz, que por sorte divina é praticado no mar, na praia, em ambientes naturais e amplos. Que privilégio! Azar dos que dependem de ginásios, salas ou salões. Nós, sortudos surfistas, temos a paz de espírito de poder pegar a prancha e sozinhos, surfar em segurança. Hoje sabemos que o vírus não está na água!

Já uma Olimpíada, sem torcida, sem treino, com cheiro de medo, de incerteza, não sei, não sei, quanto azar há nisso, um caminhão de má sorte, talvez. Parece que já está se alastrando por aí com notícias ruins. 

Mas como tudo tem um lado bom, a trágica Olimpíada da Covid, tem gerado boas reflexões.  Li coisas interessantes que fizeram despertar em mim a resposta para algo que há tempos me incomodava. Por que eu ainda não tinha produzido conteúdo relevante sobre a estreia do surfe nos jogos olímpicos? 

Sabe por que meus querides leitores? Porque estava até ontem com esperança de que os jogos fossem cancelados. Podia até imaginar o discurso mais brilhante de todos os tempos, daqueles que ficam para o eterno sempre gravado na história: 
“Em nome do respeito à vida, ao planeta e a qualquer possibilidade de um futuro feliz, não há de haver Olimpíadas. E esse vazio servirá de conforto aos que hoje sofrem em luto diante de tantas perdas. Fim.”

Estádio sem torcida. Foto Unplash.



Fonte: Máquina do Esporte