Olimpíada mantém abertura e tem respaldo de países ricos – 14/06/2021 – Edgard Alves

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Cada vez mais próxima, a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, prevista para 23 de julho, poderá se converter numa jornada memorável de confraternização ao reunir representações de cerca de duas centenas de países em plena pandemia de Covid-19.

Na mesma proporção, no entanto, o evento passará a ser uma bomba armada, com risco de explosão e contaminação pelo novo coronavírus. Por que expor a saúde da população mundial a tal ponto?

Avaliações de entidades médicas do Japão recomendam o adiamento ou o cancelamento dos Jogos, mas os organizadores se curvam aos interesses comerciais e econômicos do COI (Comitê Olímpico Internacional). Está decidido que os Jogos vão acontecer a qualquer custo.

Tentar reagir agora parece um pouco tarde, quase impossível. A organização do evento busca compensação para os riscos à saúde dos integrantes das delegações participantes com a adoção de medidas drásticas de segurança.

A proposta é impedir ao máximo o contato das pessoas e realizar vários testes contra a Covid-19 durante o período de estadia das equipes visitantes no país. Há planejamento para controlar a circulação dos envolvidos nos Jogos. Se os planos vão funcionar, é outra história.

O encontro de pessoas do mundo todo é um desafio tremendo, levando-se em conta o estágio de contaminação pelo coronavírus constatado em inúmeros países. Momento semelhante ao do ano passado, quando os Jogos acabaram adiados para julho deste ano.

Uma dúvida que fica sem resposta: quando as dezenas de milhares de participantes (atletas, dirigentes e outros) se espalharem pelo mundo no retorno de Tóquio, após os Jogos, como é que haverá controle sobre eles para checagem de possíveis contaminações?

Por mais atenção que os organizadores tenham com a segurança do evento diante da pandemia, qualquer previsão é puro achismo. Portanto, a Olimpíada, analisada sob o ponto de vista da possibilidade de espalhar contaminação, passa a ser um “jogo de risco”, tipo cara ou coroa.

A população japonesa continua cética em relação aos Jogos, superada a natural onda de empolgação logo após a conquista do direito de promover o evento, momento em que, na teoria, despontam possibilidades de mostrar ao mundo estágios de evolução social e econômica e belezas naturais do país.

A pandemia sufocou o entusiasmo da população local com a promoção dos Jogos. Não bastassem as pesquisas de opinião com resultados negativos sobre o evento, com a maioria dos consultados optando por novo adiamento ou cancelamento, há grupos de japoneses que costumam contestar a realização da competição.

Na segunda-feira (14), por exemplo, um protesto aconteceu em Tóquio, um dia antes da chegada ao Japão do vice-presidente do COI, John Coates, para supervisionar os preparativos da Olimpíada. Cerca de 30 manifestantes enfrentaram a chuva protestando, do lado de fora do prédio que abriga o escritório do Comitê Olímpico Japonês.

Gritavam slogans como “Não precisamos da Olimpíada” e “Não venha, Coates”. Também havia cartazes: “Não use planos de saúde, vacinas ou dinheiro de impostos para a Olimpíada”.

Recentemente, Coates declarou que os Jogos podem ser entregues mesmo que Tóquio esteja em estado de emergência.

Aliás, Coates substitui o presidente do COI, Thomas Bach, nessa viagem. Ela deveria ter acontecido em maio, ficou para junho por causa da pandemia, mas Bach acabou adiando seu desembarque no Japão para julho. Não vale a pena correr risco no momento.

Desde o final de abril, Tóquio está sob um estado de emergência mais estrito, com término previsto para o próximo dia 20. Além da capital, nove prefeituras, incluindo Hokkaido, Osaka e Fukuoka, estão atualmente sob emergência.

O potencial aumento de casos de Covid pode colocar Tóquio em estado de emergência reduzido durante a Olimpíada, com alteração do horário de funcionamento de comércio, bares e outras atividades. Especialistas em saúde estão em alerta caso haja necessidade da adoção de novas medidas.

A boa notícia para os organizadores da Olimpíada veio no fim de semana, quando líderes do rico G7 —grupo de países industrializados Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos–, após a cúpula no Reino Unido, expressaram apoio aos Jogos de “forma segura como um símbolo global na superação da Covid-19”.

O aval do poder econômico mundial é crucial, com ou sem pandemia.


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Fonte: Máquina do Esporte