Novidade em Tóquio, surfe tem causo curioso na Olimpíada – 12/07/2021 – Edgard Alves

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Gabriel Medina, Italo Ferreira, Tatiana Weston-Webb e Silvana Lima são os representantes do Brasil nas inéditas disputas olímpicas de surfe no Japão. São craques da modalidade e frequentadores de pódio.

Com títulos mundiais em seus currículos, Medina e Ferreira despontam como fortes concorrentes ao ouro. Ambos têm se destacado nos principais eventos internacionais. Os rivais são de 13 países, sendo os mais destacados os norte-americanos, franceses e australianos.

Weston-Webb e Silvana também têm no currículo campanhas brilhantes nos circuitos femininos internacionais e reúnem qualidades para garantir pódio. Adversárias de 11 outros países concorrem, e as principais são dos Estados Unidos, da Austrália e da França.

O time brasileiro está pronto para a estreia, com ressalva para uma única preocupação. O surfista Gabriel Medina ficou aborrecido por não poder levar sua mulher, Yasmin Brunet, para ajudá-lo durante a jornada. Ele insiste nessa postura e se mostra inconformado com o COB (Comitê Olímpico do Brasil), apontando que os demais integrantes da equipe contam com apoio de pessoas próximas. O impasse pode representar risco para a performance do atleta.

Faltando menos de duas semanas para a Olimpíada, Tóquio, a capital do Japão, entrou em um novo estado de emergência na segunda-feira (12) para conter a pandemia do novo coronavírus. Os espectadores serão proibidos em quase todos os locais de competição.

Os Jogos, adiados em um ano por causa da pandemia, ocorrerão de 23 próximo a 8 de agosto, e o estado de emergência –o quarto da capital– vai se estender até 22 de agosto, pouco antes do início da Paraolimpíada.

Quarenta surfistas (20 homens e 20 mulheres) participarão das disputas, inicialmente divididos de acordo com o ranking de classificação da International Surfing Association (ISA).

Os prognósticos indicam que as competições deverão ter um bom nível técnico. É sabido, no entanto, que as ondas não são grandes na praia de Tsurigasaki, na província de Chiba, local do evento, distante 60 km de Tóquio. As disputas têm início dia 25 e, no caso de condições desfavoráveis do mar, pode se alongar até 1º de agosto.

Por isso, além dos adversários, todos os concorrentes terão desafios extras nesta estreia olímpica do esporte: superar a ausência de torcedores e curiosos na praia, por conta das precauções contra a pandemia, e acertar a escolha de equipamento (prancha) ideal para melhor rendimento nas fracas ondas japonesas.

Embora o surfe apareça nos Jogos pela primeira vez no Japão, a modalidade ficou conhecida na Olimpíada há mais de um século. Como assim? Registros reveladores apontam que a história surgiu por causa de uma curiosa manifestação ocorrida em Estocolmo, na Suécia, em 1912.

Naquela Olimpíada, o havaiano Duke Kahanamoku ganhou duas medalhas na natação, uma de ouro nos 100 m livre. Ele aproveitou o momento de fama para anunciar que tinha treinado e se preparado para a prova praticando surfe. A declaração virou uma eficiente propaganda.

O sucesso, explosivo, transformou a modalidade em atração e tornou o Havaí mais conhecido. Kahanamoku, considerado o “pai do surfe moderno”, ganhou ainda mais três medalhas olímpicas na natação: em Antuérpia-1920 e em Paris-1924. Ingressou também no Hall da Fama Mundial da Natação.

Os comerciantes da região litorânea, sede do surfe olímpico no Japão, onde fica a cidade de Ichinomiya, com 12 mil moradores, esperam faturar com a venda de produtos gerais e lembranças aos visitantes. Esse entusiasmo sofreu um baque quando a Olimpíada teve de ser adiada no ano passado.

Agora, na iminência dos Jogos, nem mesmo as restrições por causa do coronavírus sufocam o otimismo do comércio para o período das competições.

Em declaração à mídia japonesa, o prefeito local, Masaya Mabuchi, vai além. Classifica o surfe como um importante polo cultural e econômico. O político disse também esperar que a Olimpíada melhore a imagem da modalidade e que as pessoas comecem a se referir a ela como um esporte em vez de hobby.

A cidade cancelou um evento de oito dias inicialmente planejado para coincidir com a Olimpíada, durante o qual as lojas locais esperavam ver um aumento nas vendas e no movimento de pedestres.

Entretanto, os Jogos Olímpicos acontecerem sem intercorrências trágicas é um milagre diante da pandemia. A torcida é pela vida. As vendas podem ficar para depois, em outra oportunidade.


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Fonte: Máquina do Esporte