Meia Maratona de Buenos Aires tem invasão brasileira e bate recorde de inscritos – 27/08/2023 – Na Corrida


A Meia Maratona de Buenos Aires ganhou contornos superlativos em 2023. A edição deste ano, realizada no domingo (27), tornou-se a maior já disputada em território argentino. Segundo a organização da prova, 23 mil atletas estavam inscritos para correr os 21 km em um percurso forrado de pontos turísticos entre os bairros de Palermo, Retiro, Centro e San Telmo. São cinco mil pessoas a mais do que o registrado no ano passado.

Para efeito de comparação, a Maratona do Rio, maior corrida disputada no Brasil, anunciou que teve 40 mil atletas em junho. A diferença é que, enquanto em Buenos Aires há apenas uma distância, no Rio o total inclui todos os inscritos para as distâncias de 5 km, 10 km, 21 km e 42 km.

O salto da Meia Maratona de Buenos Aires é, em parte, impulsionado pela presença de estrangeiros. Aproximadamente 14% do total de inscritos não são argentinos. E, no ranking de gringos, o Brasil ganha de lavada. São 1500 atletas brasileiros, 530 uruguaios e 500 chilenos. As demais nacionalidades não passam de poucas dezenas cada.

No ano passado, vieram para a Argentina pouco mais de 800 brasileiros. Ou seja, o número praticamente dobrou de um ano para o outro.

A invasão brasileira é perceptível durante a prova. O português é língua corrente nas conversas entre os corredores. Bandanas e bandeiras verde-e-amarelas adornam as cabeças. Isso sem mencionar as onipresentes e previsíveis camisetas das assessorias e clubes de corrida do Brasil.

Pacote completo

Motivos não faltam para fazer o brasileiro visitar a capital argentina. O primeiro é a facilidade para encontrar vôos com destino a Buenos Aires. Além de ser bem atendida pelas companhias aéreas tradicionais, desde 2019 a rota entre Brasil e Argentina ganhou o reforço da Flybondi, uma aérea ultra low cost que oferece bilhetes entre São Paulo e Buenos Aires a partir de R$ 424, já com taxas e impostos incluídos.

Outro argumento que agrada os bolsos nacionais é a taxa de câmbio. Por conta da inflação e da desvalorização constante do peso argentino, reais e dólares valem mais em terras portenhas, onde os preços de produtos e serviços chegam a custar menos da metade do equivalente no Brasil. A reportagem pesquisou preço de tênis de corrida em algumas lojas de shoppings e ruas comerciais e a diferença de preços é abissal. Um Asics Nimbus 25, que no Brasil custa R$ 1190, em Buenos Aires é vendido pela metade do preço.

Outro agrado para as finanças dos brasileiros parte do governo do país vizinho. O programa “Tesoros Argentinos” dá vouchers de até US$ 200 por adulto para serem usados em restaurantes e experiências no país. O cadastro é grátis e todo estrangeiro com mais de 18 anos e que vai passar ao menos três dias na Argentina está apto a solicitar os vouchers.

A cidade também fez sua lição de casa. Investiu em um percurso de prova cheio de pontos turísticos: Obelisco, Casa Rosada, Malba, Floralis Genérica, apenas para ficar nos mais conhecidos. Também reduziu as curvas, ocupou as avenidas mais largas e desenhou um dos trajetos mais rápidos do mundo. Por fim, trouxe uma legião de atletas de elite na busca por recorde — só da África vieram cerca de 20 corredores.

Por fim, a cidade segue um deleite para quem busca o chamado “maraturismo” — que nada mais é do que o ato de conciliar uma viagem de corrida com passeios culturais e atividades turísticas. A sensação de segurança em Buenos Aires é muito maior do que nas principais metrópoles brasileiras, a arquitetura é um primor, o transporte público funciona e as calçadas são largas e bem cuidadas.

Resultados

O queniano Roncer Konga Kipkorir confirmou o favoritismo e venceu com o tempo de 59min08s. Ele foi seguido por seus compatriotas Felix Kipkoech (59min28s), Cosmas Mwangi Boi (59min29s) e Bedan Karoki (59min37s). Kipkorir é o detentor do recorde do percurso, com 59min05s estabelecidos em 2019. Ao todo, cinco atletas completaram os 21 km abaixo de uma hora.

Entre as mulheres, os resultados foram mais expressivos. As nove melhores corredoras terminaram a prova em menos de 1 hora e 10 minutos. As cinco primeiras terminaram abaixo do antigo recorde do percurso.

A etíope Ababel Yeshaneh Brihane venceu com o tempo de 1h06min10, com uma vantagem de apenas dois segundos sobre sua compatriota Guteni Shone Imana. O pódio foi completado pela campeã mundial de maratona de 2019, a queniana Ruth Chepngetich.

Já correu em Buenos Aires? Está nos planos? Deixe um comentário abaixo ou escreva para [email protected]. Se preferir, envie uma mensagem no Instagram @rodrigofloresnacorrida.

* O jornalista viajou para Buenos Aires a convite da Visit Buenos Aires, SLS Puerto Madero e Flybondi.


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Folha de S.Paulo