Luta para melhorar futebol feminino é continuação da luta contra discriminação na sociedade – 20/07/2021 – Tostão

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O Flamengo, depois de assustar a todos, acuado, na vitória por 1 a 0 sobre o Defensa y Justicia, pela Libertadores, encantou a todos com a goleada por 5 a 0 sobre o Bahia, no Brasileiro. Nesta quarta (21), enfrenta novamente o time argentino, em Brasília, com público. O Defensa y Justicia é um time atrevido, que costuma pressionar no campo adversário. O Flamengo, com a volta dos titulares, é outro time.

Diego, contra o Bahia, retornou muito bem, brilhante. Se Diego tivesse jogado a maior parte da carreira como faz atualmente, de meio-campista, de uma intermediária à outra, teria tido muito mais sucesso. Antes, jogava mais adiantado, de costas para o gol. Além de se posicionar bem na marcação, Diego tem um ótimo e rápido passe para frente. Raramente perde a bola.

Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG são os mais fortes candidatos ao título do Brasileiro. O Palmeiras muda, com frequência e com sucesso, a escalação e a maneira de jogar, graças ao bom elenco e à competência do técnico Abel Ferreira. O time está tão bem que até Deyverson dribla e dá passes para gol.

A Olimpíada já começou. Nesta quarta, às 5h, a seleção brasileira feminina estreia contra a China. Vou acordar cedo para ver. Segundo a técnica Pia Sundhage, o time melhorou a solidez e a organização, sem perder a descontração brasileira. A luta das mulheres para consolidar e melhorar o futebol feminino é a continuação da luta contra a discriminação e os preconceitos da sociedade.

Na quinta (22) estreia a seleção masculina, contra a Alemanha. O time brasileiro está muito forte. Todos os jogadores se destacam em boas equipes. Se a Copa do Mundo fosse hoje, Daniel Alves, do São Paulo, o papatítulos, e Richarlison, do Everton, seriam titulares da seleção principal.

Nos anos 1960, Pelé e vários outros jovens craques, que tinham menos de 20 anos, não atuaram em Olimpíadas, pois já eram profissionais. Na época, só podiam jogar amadores. As seleções das antigas União Soviética e Iugoslávia levavam grande vantagem, pois, por serem amadoras, pelo menos oficialmente, atuavam com o time principal.

Em 1996, quando comecei a trabalhar como comentarista na TV Bandeirantes, acompanhei os treinos e os jogos do Brasil na Olimpíada de Atlanta. Todas as partidas do futebol foram em Miami. A Nigéria foi campeã, após eliminar o Brasil nas semifinais, e a Argentina, na final. O time brasileiro era praticamente a seleção principal.

A Nigéria, com praticamente a mesma equipe que tinha encantado na Copa de 1994, mostrou mais uma vez um belo futebol, com vários craques que brilharam na Europa, como Okocha e Kanu. Na época, imaginei que os africanos, pela habilidade e inventividade, tornariam-se, em pouco tempo, protagonistas do futebol mundial. Isso não ocorreu. Uma das causas, dizem, teria sido a contratação de vários treinadores europeus de segundo nível.

Os africanos diminuíram a habilidade e a fantasia, não evoluíram na parte tática e passaram a ser muito defensivos e violentos. Evidentemente, há muitos ótimos jogadores, de vários países, espalhados pela Europa. Se houvesse uma seleção do continente africano, seria uma excelente equipe.

A história do futebol tem a ver com a da humanidade. As histórias têm um sentido, uma sucessão de fatores previsíveis, estudados e planejados, que são associados a momentos especiais, esparsos, imprevisíveis, que alternam a evolução do mundo e do futebol. A história não tem fim.


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Fonte: Máquina do Esporte