Giuliano no Corinthians pode dar certo, mas está longe do auge da carreira – 18/07/2021 – PVC

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A contratação de Giuliano pelo Corinthians pode até dar certo. Mas não se justifica pelo que aconteceu no Istanbul Basaksehir, na temporada passada. Ele jogou 23 das 38 partidas de seu time, dez como titular, quatro por noventa minutos. Marcou um gol e deu um passe decisivo.

No sistema utilizado por Sylvinho, um 4-1-4-1, Giuliano pode atuar preferencialmente na meia direita, função hoje de Gabriel. Se jogar pela ponta, como no início de carreira, não oferecerá a velocidade de Mosquito. Também dá chance de ser usado na posição de Vitinho.

Excelente jogador, ele está distante do auge da carreira. Há dois tipos de contratações: as que reforçam e as que oneram. Giuliano se esforçará. Difícil acreditar que reforçará.

Houve manifestações de poucos torcedores fora da Neo Química Arena, no jogo com o Atlético-MG. As maiores crises da história corintiana têm o Faz-me rir, de 1961; a lanterna de 1987, que mais tarde levou ao vice estadual no mesmo ano; o time de Alcindo e Alex Rossi, em 1996; o quase rebaixamento de 1997; e a queda em 2007.

Nenhuma pareceu trazer tanta indiferença quanto a atual e dramática crise corintiana. A dívida de R$ 983 milhões só permite novas contratações por causa do refinanciamento com a Caixa, que dá carência de um ano. Depois, o clube começa a pagar R$ 38 milhões anuais de prestações do estádio.

O risco é diminuir a folha agora e acrescentar novos pagamentos em jogadores que ofereçam duas alegrias: quando chegam e quando vão embora. Entre 2019 e 2020, foram R$ 110 milhões gastos assim. Parte da torcida comemorou a contratação de Luan, o retorno de Jô, a volta de Gil e, pelo quarto ano seguido, aguarda a chance de brigar pelo título brasileiro. Não será em 2021.

Já começam as críticas a Sylvinho, que não tem quase nada a ver com isso. O Cruzeiro teve nove técnicos nos últimos vinte meses, o Botafogo teve sete em um ano e meio e as duas glórias do futebol do Brasil correm o risco de terminar o ano na Série C.

O Corinthians precisa de um projeto de recuperação, que pode levar de três a cinco anos, passa pela descoberta de novos talentos na base, que ocupa as últimas colocações do Brasileiro sub-20.

Taticamente, o time possui apenas uma defesa que se organiza aos poucos, a rapidez de Mosquito pela direita e repentes de Jô, centroavante de sete gols em 28 jogos, 20 como titular. É pouco.

Sylvinho é tão promissor quanto inexperiente. Dará certo se houver um projeto consistente de recuperação do clube. Por que Renato não aceitou dirigir o Corinthians, mas rapidamente topou o Flamengo? Basta responder sobre qual clube oferece mais perspectivas.

Contra o Atlético, o Corinthians atrasou a marcação, teve 41% de posse e só um quarto do tempo no campo de ataque. Mesmo assim, chutou bola na trave e finalizou só uma vez a menos que o rival, merecido vencedor.

O ponto da virada é planejamento e compromisso. O Fortaleza está na parte de cima da tabela e tem, como destaques, Éderson e Matheus Vargas, de discretas passagens pelo Corinthians. O problema não é falta de talento.

Morumbi esperança

O São Paulo corre o risco de ser eliminado na Copa Libertadores pelo Racing, ocupa a parte de baixo da tabela do Campeonato Brasileiro, tem dívida impagável, mas tem plano. Quer Crespo por dois anos e prepara Alex para a sucessão. Também descobre jogadores. Há esperança.

A volta de Dudu

Abel Ferreira diz que Dudu pode jogar na direita, pelo meio ou na esquerda. Pela primeira vez como titular, escalou-o na direita, sua pior função. Mas tinha razão. Queria evitar que marcasse. Além de anular o lateral adversário, xará de Dudu, Wesley criou a jogada do gol, pela esquerda.


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Fonte: Máquina do Esporte