Foco na juventude ameaça retirar alguns esportes do programa olímpico – 22/07/2021 – Esporte

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O esporte que abriu a Olimpíada de Tóquio-2020 já não será disputado em Paris-2024. O softbol, assim como o beisebol, sua versão masculina, está excluído da próxima edição dos Jogos. A volta da modalidade neste ano aconteceu apenas por sua popularidade no Japão.

A primeira disputa de Tóquio foi o jogo entre Japão e Austrália, em Fukushima.

“O softbol é popular nos Estados Unidos, então temos esperança de que possa estar presente em 2028”, disse Monica Abbott, pitcher (arremessadora) da seleção americana, citando Los Angeles, sede que sucederá Paris.

Estar ameaçado de exclusão do programa olímpico é uma realidade também de outros esportes.

“Flexibilizar [a lista de competições] faz parte da nossa agenda”, afirmou em 2020 Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI).

É um jeito empolado de dizer que a entidade deseja renovar a Olimpíada e torná-la um evento de maior apelo à juventude. Em Tóquio, estarão em jogo medalhas no skate, surfe, basquete 3×3 e escalada esportiva, por exemplo.

As quatro modalidades também estão confirmadas para Paris, juntamente com o break dance.

Não era ideia do COI dar tanto espaço para disputa de dança. Mas os membros do comitê ficaram impressionados com a popularidade da disputa nos Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires, há três anos. É o evento usado como laboratório para competições que podem ser incorporadas à Olimpíada.

E para um esporte entrar, outro tem de sair.

“O COI busca estabelecer um novo parâmetro para Jogos mais inclusivos, balanceados nos gêneros e centrados nos jovens”, diz o texto no site oficial da Olimpíada de Paris.

“Acredito que o caratê um dia vai voltar. Tudo é possível. Tenho certeza que é um esporte que merece ser olímpico”, opina a carateca brasileira Valéria Kumikazi, campeã pan-americana em 2019 na categoria 55 kg e que não conseguiu se classificar para Tóquio.

O caratê entrou pela primeira vez no programa olímpico em 2020 e, assim como softbol/beisebol, foi excluído para 2024.

Em dezembro de 2020, o COI rejeitou todos os pedidos para adicionar novos esportes em Paris. Em vez disso, retirou a marcha atlética de 50 km e eventos do levantamento de peso, modalidade que preocupa os dirigentes por causa dos casos de doping. Mesmo modalidades incluídas há pouco tempo serão modificadas. A escalada terá três categorias em Tóquio, mas apenas duas na França.

Esportes que são tradicionais na Olimpíada, mas sem atrair um público considerado jovem, objetivo maior do COI, podem correr risco futuro. Como wrestling e tiro com arco, por exemplo.

Em Tóquio serão 33 modalidades em disputa. Nos primeiros Jogos da era moderna, em 1896, foram dez. Mudanças acontecem de tempos em tempos. Entre 1900 e 1920, a Olimpíada teve disputas de cabo de guerra. Antes de ser incluído na Rio-2016 (e mantido para 2020), o golfe ficou 112 anos fora.

“As pessoas precisam entender que a Olimpíada é o ápice para centenas de esportistas. É o momento de maior visibilidade. O atleta luta por quatro anos [cinco, no caso de Tóquio] para chegar neste momento”, lembra Aline Nunes, atleta brasileira do wrestling, defendendo esportes que podem nem sempre ser os mais badalados.

Classificada para Tóquio, Aline pelo menos estará na briga por medalhas, algo que o caratê brasileiro, se tiver nova chance, viverá apenas em 2028. Isso se o programa de renovação planejado pelo COI permitir.

“É o sonho que todo atleta tem. Há vários que acordam todo dia pensando em participar da Olimpíada e conquistar uma medalha. Mas alguns esportes não terão mais chances disso. Apenas podemos esperar que volte no futuro”, almeja Douglas Brose, carateca brasileiro que, por causa do complexo sistema de qualificação para Tóquio, não conseguiu vaga.

“Eu me lembro que estava dentro de um avião, em agosto de 2016, com a seleção americana, e o COI estava reunido para decidir se o softbol seria incluído nos Jogos de Tóquio. O voo estava para começar quando veio a confirmação. Fizemos uma festa incrível”, lembra a pitcher Monica Abbott, que terá em Tóquio uma oportunidade de disputar medalha. Algo que não se repetirá em Paris.



Fonte: Máquina do Esporte