Eurocopa é prévia da Copa de múltiplas funções – 20/06/2021 – PVC

0
8


A Alemanha teve a melhor atuação da fase de grupos da Eurocopa, na partida contra Portugal. O motivo: pressão.

Dos 25 passes errados dos portugueses, 13 foram no campo de defesa. “Não soubemos nos adaptar à maneira como nos impunham seu jogo”, disse Bruno Fernandes, ao reconhecer a superioridade do adversário.

Tem sido mais perceptível a mudança do vocabulário do futebol, do que as reais evoluções do jogo. Usamos palavras a esmo. Nas velhas figurinhas do Football Cards, dos chicletes Ping Pong, as palavras às costas das fotografias diziam “ponta direita” ou “extrema-direita” e definiam a mesma função.

Só o fato de, atualmente, ensinarmos futebol com literatura de Portugal explica a mudança da palavra. Até hoje, o ponta direita brasileiro Luís Sílvio atribuiu seu fracasso na Pistoiese, da Itália, ao fato de ter sido chamado de punta –centroavante, em italiano. Littbarski era rechtsaussen na Alemanha dos anos 1980. Era o mesmo nome para Robben, no Bayern.

Se a literatura explicasse tudo, Portugal não seria atropelado pela Alemanha,

Pressão é uma destas palavras. Quando se diz que se está fazendo pressão em bloco baixo, muitas vezes percebe-se o recuo do time, mas isto não significa que o adversário, com a bola, sinta-se pressionado. Pressionar é tirar o espaço, para tomar a bola ou forçar o erro de passe.

Muitas vezes, sobe-se a marcação para cercar. Ajuda, mas não pressiona. A Alemanha forçou e 53% dos erros de Portugal foram no campo de defesa. Pressionava.

O Brasil subiu sua equipe e 54% dos equívocos peruanos foram na saída de jogo.

A Alemanha atual não é exatamente um exemplo do que se deve fazer no futebol. Como Tostão escreveu, a França atrasou a marcação e teve mais chances de gols do que os alemães, em sua primeira partida da Euro.

As diferenças de estilos América x Europa se explicitam no mês de Copa América x Eurocopa, mas só serão evidentes na Copa do Qatar. Tanto lá, quanto aqui, os times com a bola no pé se comportam num 3-2-5, um WM moderno. Digo WM, porque este era o desenho do sistema criado pelo inglês Herbert Chapman, com 3 defensores, 2 médios e 5 avantes.

A Alemanha se comportava assim quando tinha a bola no pé. Mas recuava seus alas e fazia 5-3-2 quando atacada.

Ninguém consegue fazer isto, com pressão, por 90 minutos . Quem fizer por mais tempo vai ganhar a Copa de 2022. A tendência de que isto aconteça aumenta, porque os jogadores estarão em curva ascendente do ponto de vista físico, diferentemente do que houve nos quatro mundiais deste século.

As seleções europeias mostram mais a síntese do que se espera para a Copa 2022, do que a Copa América. Por aqui, o ritmo é mais lento.

O Brasil usa a variação do 3-2-5 no ataque e parece mais próximo da necessidade do jogo atual do que seus rivais. A Argentina não faz o mesmo, mas tem a tentativa de roubar a bola no ataque como premissa. A Alemanha não é a melhor seleção do mundo, mas foi quem melhor expressou este culto à versatilidade de funções em sua vitória contra Portugal.

ABEL FERREIRA

Com sofrimento, o Palmeiras venceu o América-MG, repetindo um pouco do desenho da Alemanha. Com a bola, são três atrás, dois médios e cinco enfiados perto da grande área rival. O problema é criar espaço onde os adversários pretendem tirar metros com marcação.

LÁ COMO CÁ

O problema revelado pela primeira semana de Eurocopa é o mesmo aqui: como criar sem espaço? O Palmeiras sofreu incrivelmente na tentativa de solucionar este dilema e conseguiu graças aos gols de Willian, com enorme dependência dos passes de Scarpa.


LINK PRESENTE: Gostou desta coluna? Assinante pode liberar cinco acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.



Fonte: Máquina do Esporte