Estatísticas do futebol dão contribuição às análises, mas precisam ser interpretadas – 05/06/2021 – Tostão

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Alguns jogadores e treinadores, do Brasil e de outras seleções sul-americanas, não querem, com razão, disputar a Copa América. Se a Argentina desistiu, por causa da pandemia, por que marcar no Brasil, em cima da hora e no momento grave da doença? A Copa América atende aos interesses financeiros da Conmebol e das confederações dos países. O governo brasileiro é o fiador da competição. Depois dos dois jogos das Eliminatórias, os jogadores e Tite devem se pronunciar.

Na vitória por 2 a 0 sobre o Equador, o Brasil teve uma atuação ruim no primeiro tempo, quando teve somente uma clara chance de gol, e boa no segundo tempo, após as modificações, quando o time criou seis oportunidades para marcar. O Brasil mostrou o jogo habitual, bom para ganhar dos adversários sul-americanos, mas ainda bastante preocupante quando enfrentar as melhores equipes europeias. Na segunda etapa, Gabriel Jesus e Richarlison atuaram abertos, saindo Fred. Ele, Gabigol e Alex Sandro, titulares na partida, tiveram atuações apagadas.

Na análise de desempenho de uma equipe, é fundamental o número de chances claras de gol, muito mais importantes que as finalizações, mesmo quando acertam o alvo, além da posse de bola, dos passes certos e de outras informações estatísticas.

As estatísticas do futebol dão grande contribuição às análises, desde que sejam acompanhadas pelo olhar observador dos detalhes, pelo bom senso e pelo conhecimento científico. O conhecimento vai muito além das informações e dos números.

Evidentemente, haverá, em alguns lances, opiniões diferentes sobre se foi ou não uma chance de gol. Não é um dado estatístico digital, mas é necessário. Deveria ser feito pelo próprio comentarista do jogo. Basta anotar em um caderninho ou em um celular e somar as oportunidades.

O time pode chutar dezenas de bolas ao gol, algumas no alvo, e não ter nenhuma chance clara de gol. Ou o contrário, o atacante pode entrar livre na área, ter tudo para marcar, se enrolar com a bola, até ser desarmado.

O tempo de posse de bola e o número de passes certos ajudam na avaliação, desde que seja levado em conta onde se deu mais a posse de bola, o tipo e a dificuldade do passe, os passes que resultaram em chances de gol, os erros de passe que beneficiaram bastante o adversário e tantos outros detalhes. O passe é o símbolo do jogo coletivo.

Craques do passado, mestres do passe, como Xavi, Gérson e Didi, não envelhecem. Continuam modernos, modelos atuais de meio-campistas que atuam de uma intermediária à outra.

Kroos é o símbolo atual do grande passador, preciso nos passes curtos e longos. Ficará na história como um armador que não erra passes. Porém, falta a Kroos a intensidade, a mobilidade e a capacidade de avançar de uma intermediária à outra, para finalizar ou dar o passe para gol. Ele me passa a impressão que poderia ser ainda muito melhor do que é, que economiza talento.

Kanté possui um passe comum, correto, porém se destaca mais pelo desarme, pela intensidade e pela capacidade de estar em todas as partes do campo. É o símbolo do meio-campista moderno. De Bruyne não tem o passe perfeito de Kroos nem a intensidade do desarme de Kanté, mas possui, em alto nível, todas as virtudes de um meio-campista.

A vitória sobre o Equador mostrou mais uma vez o óbvio, que falta um grande armador para atuar ao lado de Casemiro. Contra fortes seleções, isso poderá ser decisivo.


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Fonte: Máquina do Esporte