Dorival não tem clima para ficar na seleção. Quem assume? – 26/03/2025 – O Mundo É uma Bola


Os brasileiros, nas palavras do atacante Raphinha, iriam dar “porrada” nos argentinos no confronto entre as seleções, pelas Eliminatórias da Copa de 2026, nesta terça-feira (25), em Buenos Aires. Dentro e, se preciso, fora do campo.

Uma declaração desnecessária e pouco inteligente do ótimo jogador do Barcelona. O Brasil jogaria fora de casa, contra uma equipe superior coletivamente e muito forte individualmente, que contaria com o apoio de mais de 80 mil torcedores no estádio Monumental.

Não serviu em nada para a seleção canarinho e serviu para dar uma injeção de ânimo ainda maior para a seleção alviceleste.

O Brasil foi quem tomou “porrada”, só em campo, pois felizmente, apesar de um ou outro empurra-empurra e desentendimento verbal entre os jogadores, houve a consciência de não haver agressão física.

Um 4 a 1 que será lembrado por muito tempo, não só pelo placar elástico, mas pela forma como ocorreu. A seleção de Dorival Júnior não viu a bola. Os argentinos poderiam ter metido seis, sete gols, tamanho o domínio, tamanha a superioridade. O Brasil “achou” o seu gol, em um erro de um zagueiro.

Findado o jogo, só se falava em dar fim à era Dorival na seleção. Em quase um ano e três meses no cargo, com 16 jogos disputados (12 válidos por competição), o treinador não conseguiu dar um padrão tático ao time.

Independentemente dos escalados, o Brasil parece um catadão. Jogadores com reconhecido talento individual não jogam nada coletivamente.

Não existe uma jogada ensaiada (com bola rolando ou em bola parada), não existe uma triangulação, não existe compactação entre os setores. Se isso tem sido treinado ao longo desse tempo de Dorival no comando, a execução não funciona.

E não é exceção. Não funciona nunca, não só diante da Argentina. Há algo muito errado.

Ah! Mas com Dorival, nesses 16 jogos, o Brasil foi derrotado em só dois: pelos argentinos, nesta semana, e pelos paraguaios, em setembro de 2024, também pelas Eliminatórias.

Sim, mas perdeu uma Copa América no caminho (eliminado nos pênaltis pelo Uruguai) e ganhou menos da metade desses 16 jogos (sete).

Além disso, quando a seleção mostrou-se convincente? No a 4 a 0 diante do Peru, em Brasília, em outubro passado? Talvez. Mas os dois primeiros gols saíram em cobranças de pênalti. E, curioso, dois dos jogadores que fizeram gol naquela partida (Andreas Pereira e Luiz Henrique) nem foram chamados por Dorival agora.

É evidente que Dorival não encontrou as “peças” adequadas para a seleção, não formou um time-base, especialmente do meio para trás. E, depois do vexame em Buenos Aires, cria-se a expectativa –com pressão da mídia– para que ele seja demitido.

É solução trocar o técnico de novo (depois da Copa de 2022, com a saída de Tite, já dirigiram a seleção Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival), a pouco mais de um ano da Copa? Pois o Brasil, mesmo pestilento, muito provavelmente irá à Copa.

Parece que Dorival não tem clima, nem competência, para ficar. Vamos de quem?

O experiente Renato Gaúcho, que está sem clube? (Eu quero vê-lo lá.) O português Jorge Jesus, bem-sucedido no Flamengo, que está no futebol saudita? (Parece que ele quer.) Outro português, Abel Ferreira, do Palmeiras? (Ele, a princípio, não quer.) O novato Filipe Luís, bem-sucedido no Flamengo? (Dorival também teve sucesso no Flamengo, e no São Paulo, mas…)

Nas cinco conquistas da seleção em Copas (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002), somente em uma o treinador estava à frente da seleção por mais de 14 meses: Carlos Alberto Parreira, ganhador 31 anos atrás.

Telê Santana, nos anos 1980, e Tite, recentemente, tiveram chance em duas Copas seguidas e fracassaram. Vicente Feola assumiu a dois meses da Copa de 1958; Zagallo, a três da de 1970. Ganharam.

Nada significa que um trabalho longo vá dar resultado. Pode ser curto, desde que eficaz. O desafio é achar alguém que faça a seleção funcionar a tempo da Copa.

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Folha de S.Paulo