Dorival Junior e a final da Copa do Brasil – 23/09/2023 – Tostão


Após duas semanas de férias, tento me atualizar sobre o que aconteceu no futebol, no país e no mundo. Depois de 90 dias de ausência, a festa de reencontro do time do Vasco com sua torcida na goleada sobre o Coritiba por 5 a 1, pelo Brasileirão, foi belíssima e emocionante.

Na Liga dos Campeões da Europa, sem Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar e Benzema, o mais prazeroso foi ver novamente o Manchester City. É a união do talento individual e coletivo, do jogo bonito e eficiente. O volante central Rodri, eleito o principal jogador da competição anterior, está cada dia melhor. Posiciona-se muito bem, inicia as jogadas ofensivas com ótimos passes, desarma e ainda faz belíssimos gols.

Casemiro, da mesma posição, também tem evoluído. Os meio-campistas são com frequência destaques das grandes equipes europeias, o que não acontece no Brasil, fascinado quase somente pelos meias ofensivos, pelos atacantes e pelas estatísticas de finalizações e de gols.

O Manchester City atua com um ponta-esquerda aberto, rápido e driblador e tem pela direita um meia ponta armador, que conduz a bola para o centro, o que torna o meio-campo mais povoado. A seleção brasileira, nos dois últimos Mundiais sob o comando de Tite e nos dois últimos jogos pelas Eliminatórias da próxima Copa, sob a direção de Fernando Diniz, jogou com dois pontas abertos fixos, dois atacantes (Neymar e Richarlyson) e dois no meio-campo. Nessa formação, há muitos atacantes e poucos meio-campistas.

Diniz não deveria abdicar de seu sonho, desde o Audax, de jogar um futebol diferente, de muita aproximação, domínio da bola no meio-campo e troca de passes. Os grandes times unem o jogo pensado e executado, individual e coletivo, cadenciado e rápido, ousado e prudente, sístole (contração) e diástole (relaxamento), como os movimentos do coração. É a vida.

No segundo tempo do jogo do Fluminense contra o Cruzeiro, Diniz colocou o lateral e artista da bola Marcelo no meio-campo. O palco se iluminou. Quando era técnico do Real Madrid, Zidane disse que só não escalava Marcelo no meio porque o time já tinha vários craques no setor.

Neste domingo (24) acontece a final da Copa do Brasil. O São Paulo, que nunca ganhou esse título, tem um pouco mais de chances de conquistá-lo, por ter a vantagem de um gol e jogar em casa. Na primeira partida, o Flamengo jogou com Bruno Henrique e Gabigol pelas pontas, com funções também de marcação, além do centroavante Pedro. Bruno Henrique e Gabigol são atacantes para jogar em diagonal, dos lados para o centro, como acontecia na época de Jorge Jesus.

Dorival Júnior foi campeão da Libertadores e da Copa do Brasil pelo Flamengo. Na época, o time jogava com dois atacantes (Pedro e Gabigol), além de um trio no meio campo, com Everton Ribeiro pela meia direita e Arrascaeta à frente, formando um losango. Essa é uma das principais e inúmeras opções que tem Sampaoli neste domingo.

Se o time jogar dessa maneira, será o confronto de duas estratégias: a do Flamengo usada por Dorival Júnior contra a do São Paulo dirigido por Dorival, que é diferente da que utilizava no Flamengo. Seria o duelo tático Dorival Júnior x Dorival Júnior.

O mundo e o futebol estão tão estranhos que não será surpresa se os jogadores do Flamengo, liderados por Gabigol, forem ao vestiário do São Paulo dar os parabéns a Dorival Júnior se o time paulista for campeão, como Gabigol já fez após a vitória na primeira partida.

Seria um gesto que mistura grandeza com protesto à diretoria do Flamengo, por ter demitido Dorival Júnior.


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Folha de S.Paulo