Do campo de refugiados à Copa: a história do australiano Awer Mabil | Placar


Eventos como a Copa do Mundo são uma possibilidade de ouro para conhecer histórias emocionantes, que atravessam fronteiras, e vão muito além do resultado esportivo. A trajetória do atacante Awer Mabil, que estará com a seleção australiana no Catar, é um desses casos. 

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O jogador de 27 anos, do Cádiz, da Espanha, nasceu e viveu até os 10 anos de idade em um campo de refugiados no Quênia. A história foi contada em detalhes nesta semana pela emissora britânica BBC. 

Os pais de Mabil são do Sudão sul e, em 1994, fugiram da ex-colônia britânica devastada pela guerra para se mudar para Kakuma, um campo de refugiados no Quênia organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Awer nasceu um ano depois e foi durante a infância humilde que passou a jogar futebol da única maneira possível, isto é, descalço em campos de terra com uma ‘bola’ feita de sacos plásticos amassados.

Awer e sua família se mudaram para Adelaide, uma das maiores cidades na Austrália, quando ele tinha 10 anos. Lá, pela primeira vez teve contato com equipamentos de futebol adequados. Foi jogando bola também que conseguiu se adaptar ao novo país e se adaptar ao novo idioma. 

Depois de estrelar em uma série de equipes juvenis locais, ele se juntou ao time semiprofissional do Campbelltown City, fazendo sua estreia aos 16 anos, e, com atuações regulares, rapidamente foi contratado pelo Adelaide United, tradicional clube australiano. 

Mabil continuou a brilhar na A-League, a primeira divisão do país, se destacando principalmente pela velocidade e pelo faro de gol, que renderam sete tentos em 24 jogos durante a temporada 2014-15. 

Em junho de 2015 ele se mudou para o clube dinamarquês Midtjylland, onde inicialmente lutou para ganhar espaço. Por fim, foi emprestado ao Esbjerg, também na Dinamarca, e ao time português Pacos de Ferreira.

O ano da retomada e da ascensão foi em 2018. De volta ao Midtjylland, Mabil se tornou titular e também ganhou sua primeira convocação para a seleção principal da Austrália, marcando em sua estreia contra o Kuwait. Um ano depois, foi crucial no clube dinamarquês na conquista da Copa da Dinamarca, contribuindo com oito gols e seis assistências.

Mas o ‘golaço’ de Mabil foi fora de campo. Sem jamais esquecer suas origens, ele se tornou co-fundador, ao lado de seu irmão Bul, da instituição de caridade Barefoot to Boots. A ONG opera no campo de Kakuma, local onde o atleta viveu até os 10 anos, oferecendo oportunidades de educação, saúde e igualdade de gênero. O projeto ainda oferece uma escolinha de futebol às crianças. 

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Em 2018, Mabil ganhou o Prêmio de Mérito FIFPro, que reconhece o trabalho de caridade de jogadores de futebol. 

Awer Mabil recebeu o prêmio FifaPro Mérito pela atuação no Barefoot to Boots
Awer Mabil recebeu o prêmio FifaPro Mérito pela atuação no Barefoot to Boots @FifaPro//Twitter

A instituição de caridade é presidida por Ian Smith, membro do conselho de seu ex-clube Adelaide United, que expressou sua profunda admiração pelo ala quando foi entrevistado pela rede de televisão australiana SBS sobre o impacto que ele causou nos habitantes do campo de refugiados.

“Quando eles veem um jovem alcançar o que Awer fez, seus sonhos se tornam realidade”, disse Smith. “É uma saída, é um caminho a seguir. Você não pode subestimar sua importância. Ele é um jovem extraordinário. Ele tem a coragem de um leão e o coração de um anjo”, completou. 

Awer Mabil demonstrou essa coragem na final da repescagem para a Copa do Mundo do Catar, entre Austrália e Peru, em junho deste ano. 

Depois de um jogo tenso sem gols, Mabil se ofereceu para ser o primeiro batedor da segunda rodada da Austrália e converteu a cobrança. A batida peruana na sequência foi salva por Andrew Redmayne. Os Socceroos estavam indo para a Copa do Mundo.

Algumas semanas depois, ele assinou um contrato de quatro anos com o Cádiz, que estava reconstruindo sua equipe depois de escapar do rebaixamento da La Liga no último dia da temporada.

Seus primeiros meses na La Liga não foram fáceis. Mabil ganhou uma quantidade razoável de jogo nas primeiras semanas da temporada, mas o Cadiz perdeu seus primeiros cinco jogos e foi atrás de duas novas contratações, Brian Ocampo e Theo Bongonda. 

É bem verdade que Mabil jogou apenas cinco jogos nesta temporada pelo Cádiz e só uma delas como titular. Ainda sim, o atual mau desempenho no clube não o fez ficar de fora da lista da Austrália para a Copa do Catar. Coragem, resiliência e talento Awer Mabil já mostrou que tem e irá ao Catar disposto a preencher mais uma bonita história na sua emocionante jornada.

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