Dívidas, zero contratação e possível falência: dirigente do Cruzeiro dá entrevista estarrecedora

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Uma entrevista exclusiva concedida por Pedro Lourenço, novo vice-presidente de futebol do Cruzeiro, à Rádio Itatiaia na noite da última quinta-feira deu o tom do caos vivido pelo clube mineiro após o primeiro rebaixamento de sua história. O dirigente revelou que a Raposa deve quatro meses de salários aos jogadores, tem pelo menos R$ 700 milhões em dívidas e não possui condições de contratar reforços para o início de 2020. Além disso, o cartola confirmou que membros da alta-cúpula celeste cogitam até declarar a falência do clube para que ele recomece do zero.

“Está muito pior do que pensávamos”, disse Lourenço. “Realmente, o Cruzeiro passou do fundo do poço. O que a gente pede é paciência para a torcida do Cruzeiro. Contratar não vamos contratar, porque não temos dinheiro, e os jogadores já vão para quatro meses de salários atrasados. Os jogadores estão voltando, e nós temos compromisso que não sabemos nem como vamos fazer. Estamos reunidos aqui para tentar alguma criatividade e ver o que fazer. A situação do Cruzeiro não é apenas grave, é caótica. A torcida do Cruzeiro não merece passar o que está passando”, acrescentou.

“O que apuramos até agora é que são mais de R$ 700 milhões (de dívida). A da Fifa é de R$ 52 milhões. Tem que pagar US$ 4 milhões (R$ 16 milhões) em janeiro. A folha do Cruzeiro hoje é de R$ 15 milhões. Ou seja, serão quatro (meses em atraso, totalizando R$ 60 milhões). Hoje, não tem receita. Foi antecipado durante três anos para frente. A folha de 15 milhões tem que reduzir… Se você vir os salários que está no futebol, dá para a gente comprar outra rede de supermercado. É fora da realidade de qualquer coisa no Brasil”, complementou.

Para tentar começar a sair do fundo do poço, Lourenço revelou que o teto salarial do elenco para 2020 será reduzido para R$ 150 mil – em 2019, havia jogadores com vencimentos superiores aos R$ 900 mil mensais.

O caos é tamanho que há membros da diretoria defendendo até que o clube declare falência para iniciar a reconstrução do zero – como fez, por exemplo, o Parma, da Itália. Esta, porém, é uma medida que não deve acontecer, visto que, neste caso, o Cruzeiro teria de recomeçar da Terceira Divisão Mineira e da Quarta Divisão do Campeonato Brasileiro.

De acordo com Vittorio Medioli, novo CEO do Cruzeiro, a possibilidade maior é de que haja uma mudança da natureza comercial do clube, que deixaria de ser um clube recreativo para se transformar em um clube-empresa.

“Acredito que, em um prazo relativamente curto, em três anos, voltaremos a ter um clube competitivo, uma situação saneada. Mas não escapa de transformar o Cruzeiro em uma S/A, uma empresa. Aí passa a ter uma responsabilidade diferente”, explicou, também em entrevista à Rádio Itatiaia.

Contrato com a Adidas será rescindido

Medioli revelou ainda que o contrato com a Adidas, nova fornecedora de material do clube, será rescindido nos próximos dias. Segundo o dirigente, o acordo firmado com a empresa alemã não é benéfico ao Cruzeiro, que lançou os novos uniformes para 2020 há menos de 24 horas.

“Nós devemos encerrar o acordo com a Adidas, porque não se faz (um acordo nessas condições). Estamos quase decididos a montar uma marca própria. Primeiro que o contrato com a Adidas não é para ganhar nada. É um contrato que, no ano, no máximo vai dar ao Cruzeiro R$ 2,5 milhões, que foi antecipado. Vamos montar uma marca própria, como vários clubes estão fazendo”, finalizou.

 


Fonte: Jovem Pan