‘Diego foi morto’, diz advogado de enfermeira de Maradona – 17/06/2021 – Esporte

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Advogado da enfermeira Dahiana Madrid, uma das pessoas investigadas pela morte de Diego Maradona, Rodolfo Baqué afirmou que o ex-jogador “foi morto”. Ele acompanhou Madrid em um longo depoimento ao Ministério Público em San Isidro, nesta quarta-feira (16), e culpou os médicos pelo ocorrido.

“Há uma responsabilidade dos médicos. Houve muitos alertas de que Maradona, um dia antes ou um dia depois, faleceria. E nenhum dos médicos fez nada para evitar isso”, declarou, em uma das pausas na audiência, que se estendeu por quase dez horas.

O craque da seleção argentina morreu em novembro, aos 60 anos, após uma parada cardiorrespiratória. Ele se recuperava em casa de uma cirurgia no cérebro e, de acordo com um relatório produzido por uma junta médica que investiga o caso, teve um “tratamento inadequado, deficiente e imprudente”.

Dahiana Madrid, 36, era a enfermeira que acompanhava o ex-jogador durante o dia e estava de plantão no dia da morte. De acordo com seu advogado, os remédios psiquiátricos administrados aumentaram o ritmo cardíaco do paciente, que tinha problemas no coração.

“O que Madrid fez foi cumprir as indicações dos médicos tratantes”, afirmou Baqué. “Era de conhecimento de todos no entorno de Maradona que ela não poderia ter contato com ele porque ele a havia demitido.”

Segundo o advogado, mesmo demitida, ela recebeu ordens para continuar administrando os medicamentos. “Todos sabem que ela só tinha que dar a medicação e estar lá no momento de uma crise. A medicação foi administrada, e na crise ela faz as manobras [de reanimação cardíaca].”

Em seu depoimento inicial, Madrid declarou não ter feito os controles rotineiros ao iniciar seu turno para que Maradona descansasse. Mais tarde, surgiu um relatório no qual ela dizia que havia tentado controlá-lo, mas sido rejeitada pelo ex-jogador. A enfermeira admitiu, depois, que esse relatório era falso e tinha sido pedido por seu superior.

O enfermeiro que acompanhava o ex-atleta à noite, Ricardo Almirón, depôs na última segunda-feira (14) e afirmou que Diego respirava normalmente no fim de seu turno. Ele disse ainda que não foi notificado em nenhum momento sobre problemas cardíacos do ídolo argentino.

Para Rodolfo Baqué, “foi orquestrada uma campanha” contra a sua cliente e vai pedir que sejam retiradas as acusações contra Madrid. Ela e outros seis membros da equipe médica são investigados sob a acusação de homicídio com dolo eventual. Para esse tipo de crime, a pena vai de 8 a 25 a nos de prisão.

Além dos dois enfermeiros, estão sendo interrogados o neurocirurgião Leopoldo Luque, que era o médico particular de Maradona, o coordenador dos enfermeiros, Mariano Perroni, a médica que coordenava a internação domiciliar, Nancy Forlini, o psicólogo Carlos Ángel Díaz, e a psiquiatra Agustina Cosachov.

As audiências ocorrerão até 28 de junho. Depois disso, o Ministério Público vai encaminhar o caso para um juiz, com a recomendação de processar ou inocentar os investigados.



Fonte: Máquina do Esporte