Delegado diz que investigações de apostas podem chegar em mais jogadores da Série A: ‘Era inimaginável’

Em entrevista ao Morning Show, César Saad esclareceu possíveis punições para atletas investigados pela Operação Penalidade Máxima

Reprodução/Jovem Pan NewsCésar Saad
César Saad foi o convidado do programa Morning Show

Nesta quinta-feira, 11, o programa Morning Show recebeu o delegado César Saad. Em entrevista, ele falou sobre a possibilidade de haver mais atletas envolvidos na Operação Penalidade Máxima, que investiga escândalos de apostas e manipulação no futebol brasileiro. “Com certeza, não tenho a certeza de que estão envolvidos, mas que isso pode ocorrer. Esse trabalho pioneiro do Ministério Público de Goiás, era inimaginável escândalos de times da série A. Tantos clubes envolvidos, jogadores envolvidos. Eles são procurados pelo Instagram, abordam o jogador dizendo que é empresário, que tem uma proposta para eles. Entram direto no assunto”, explicou. “Sempre foi mais alvo jogadores e atletas da Série C, Série D, que ganham muito menos e às vezes nem recebem salário. São mais suscetíveis. Você vê pelas investigações: os valores chegaram a R$ 170 mil que o atleta recebe para cometer uma falta e um escanteio. Esse valor é 5 ou 6 vezes maior na bolsa de apostas, dependendo do que foi apostado”, acrescentou.

Saad esclareceu que os jogadores podem sofrer punições na Fifa e na Justiça brasileira, envolvendo autuações em crimes, multas e suspensões. “Ontem eu estive no STJD. A reunião era justamente essa. Saber quem são os atletas envolvidos. As conversas de WhatsApp têm circulado, com os prints em que eles são efetivamente corrompidos. No âmbito esportivo, o código brasileiro prevê uma multa para esses atletas de até R$ 100 mil. Eles podem ficar até dois anos suspensos da prática esportiva. No caso de reincidência, o banimento do esporte pela Fifa. No criminal, seriam nas investigações do MP e da Polícia Civil. Configura associação criminosa e a manipulação de resultado, um crime previsto no Estatuto do Torcedor, que é uma lei federal”, disse.

“O Código Brasileiro de Justiça prevê o caso de uma magnitude muito grande a paralisação de um campeonato [Brasileirão]. Nesse momento ainda é impossível dizer que vai ser parado. Ontem uma parte da imprensa já estava falando isso, rapidamente o STJD fez uma nota dizendo que esses casos estão sendo investigados, mas ainda não seria o caso de uma eventual paralisação do campeonato. Estão sendo apurados e identificados esses jogadores”, pontuou Saad sobre as investigações.

“Com certeza pode ser considerado hoje o maior escândalo do futebol brasileiro. As casas de aposta são uma plataforma digital que, assim como os bancos, hoje nos aplicativos, é um meio utilizado para a prática desse crime. As casas e os clubes são vítimas nesse caso. Até então, as investigações apontam isso. Todos os casos de São Paulo que nós temos apontam que as casas de aposta são meios utilizados pelos criminosos para a prática”, concluiu.

Confira na íntegra a edição do Morning Show desta quinta-feira, 11



Fonte: Jovem Pan