De olho no futuro, Adidas lança nova versão de tênis proibido – 06/09/2023 – Na Corrida


É comum na indústria o “produto conceito”. Funciona mais ou menos assim: os desenvolvedores têm devaneios mirabolantes e tentam transformar ideias em um produto acabado. Se ele vai ser colocado à venda são outros quinhentos. O mais importante para os fabricantes é tirar lições e aperfeiçoar tecnologias durante o processo de construção do protótipo. A indústria automobilística é famosa por criar carros futuristas que não serão lançados tão cedo.

Foi mais ou menos isso que a Adidas fez com o Prime X Strung.

“O Prime X Sprung é o que gostamos de chamar de ‘vetor de inovação’. Dele, saem conclusões, lições e aprendizados que podem ser levados para outro modelos da marca”, explica Robbie Paterson, gerente sênior de desenvolvimento de calçados da Adidas, em entrevista ao blog Na Corrida.

Para fazer um tênis inovador do zero, a Adidas decidiu ignorar as regras do esporte. O Prime X Strung não está entre os calçados autorizados pela World Athetics — a federação internacional de atletismo, responsável por estabelecer padrões e limites para as competições oficiais. Na prática, isso significa que nenhuma maratona importante será vencida com atletas calçando o Prime X Strung simplesmente porque ele é proibido.

Mas o que faz esse tênis ser “proibidão”?

Primeiro, o Prime X é alto, muito alto. Tem 50 milímetros de altura, 10 mm a mais do que o limite máximo estabelecido para competições oficiais. Essa entressola é preenchida por espuma com alta capacidade de amortecimento. No meio do solado, há uma espécie de “célula de energia”, formado por duas placas de carbono (outra característica proibida) que encapsulam um composto de polímeros para garantir retorno de energia e conforto na corrida.

Diz o senso comum que o proibido é mais gostoso. E a Adidas sabe disso. A empresa não nega que o tênis é “ilegal” — e, por ilegal, entenda-se que ele pode ser usado em provas, mas recordes batidos com ele não serão homologados. Pelo contrário, a Adidas usa esse veto ao modelo como peça central do marketing do tênis. “Não vamos quebrar o recorde mundial com ele, mas podemos ajudar muitas pessoas a bater o seu recorde pessoal”, afirma Coralie Ho-Von, gerente geral global de produtos de corrida da Adidas.

O Prime X 2 Strung, que acaba de ser lançado, está bem diferente da versão original, de outubro do ano passado. “É praticamente um novo tênis”, afirma Paterson. A cápsula de energia, que descrevi um pouco acima, não estava na primeira versão. O solado, que era recortado para deixar o tênis mais leve, ganhou mais estrutura para reforçar a estabilidade durante a corrida. O ponto negativo dessa mudança específica aparece na balança. Com 295g, ele está 40g mais pesado que a versão anterior, e muito mais perto de tênis mais versáteis e de uso casual do que para os chamados supertênis. “Para melhorar o amortecimento e a responsividade, era preciso ter mais estrutura. E, na nossa avaliação, essa troca valeu a pena, pois entrega uma experiência melhor para o corredor”.

Para o corredor preocupado com performance, a primeira dúvida que surge é se ele é mais rápido que o Adios Pro 3, modelo usado por diversos maratonistas de elite e que subiu no pódio de algumas das principais provas do mundo em 2023. A Adidas desconversa. “Acho que o único jeito de saber é se você colocar um tênis em cada pé e sair correndo”, brinca Paterson.

Uma diferença inegável entre o Prime X 2 o Strung e o Adios Pro 3 é o preço. O tênis de elite da Adidas sai por R$ 1999. Já o “proibidão” chega por R$ 2.199.


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Folha de S.Paulo