Cresce presença de mulheres em corridas de rua – 22/08/2023 – Na Corrida


O balanço do primeiro semestre traz boas (e não tão boas) notícias para o segmento de corridas de rua. Das novidades positivas, talvez a mais relevante seja o crescimento da presença feminina nas provas. Segundo levantamento do TicketSports, maior plataforma brasileira de venda de inscrições para eventos de endurance, as mulheres respondem por 47,25% do total de inscritos em corridas de rua no país, enquanto os homens são 52,75%.

A diferença entre os gêneros, de pouco mais de cinco pontos percentuais, chegou a 10 pontos no ano passado, quando as corridas foram retomadas após a pausa pandêmica. Em 2022, os inscritos eram 55% homens e 45% mulheres.

“Passadas as incertezas do retorno pós-pandemia, é natural que cresça a presença feminina em provas, já que este é um público com grande senso de comunidade e que valoriza a saúde”, avalia Daniel Krutman, CEO da TicketSports, que apresentou os números durante o TS Summit, em São Paulo.

Outros números confirmam o avanço das corridas de rua no país. Durante o primeiro semestre, houve um crescimento de 14% no número de organizadores de provas, e de 15% no número de eventos realizados em relação ao mesmo período do ano passado. Em número de inscrições comercializadas, a alta foi ainda mais expressiva, acima de 20%. Por outro lado, o tíquete médio — ou seja, o valor médio pago pelos corredores — encolheu 3%.

Os números superlativos são vistos com cautela por Krutman. Ele explica que, no início do ano passado, muitas provas ainda não tinham voltado com 100% de sua capacidade, o que justifica o crescimento acentuado. Já para o segundo semestre, a expectativa é de expansão próxima a zero. “Tivemos um segundo semestre de 2022 já normalizado, por isso a comparação com o ano passado aponta para um cenário de estabilidade”, explica.

A pesquisa da TicketSport mostra ainda uma tendência de surgimento de provas menores, com distâncias que variam entre 3km e 10km. Esses eventos exigem menos infraestrutura, podem ser operacionalizados com equipes reduzidas e cobram ingressos mais baratos. “Essa expansão no número de organizadores pode não ser sustentável no longo prazo, pois há um limite de eventos que os corredores estão dispostos a participar”.

Krutman calcula que sejam comercializadas anualmente cerca de 3,5 milhões de inscrições. Para ele, esse número é modesto para um país com as dimensões e a população do Brasil. “A nossa realidade é de que falta tempo às pessoas, e a falta de tempo decorre da falta de recursos financeiros. Quem precisa correr atrás para pagar as contas dificilmente encontra tempo para treinar”.


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Folha de S.Paulo