Covid-19 fustiga Olimpíada a um mês da abertura – 21/06/2021 – Edgard Alves

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Com a apresentação das dependências da Vila Olímpica durante uma visita de jornalistas, o Japão praticamente abriu as portas para recepcionar os participantes dos Jogos Olímpicos de Tóquio. A ocupação do local começa em julho.

Os japoneses, que tiveram um ano a mais para preparar o tradicional encontro quadrienal do mundo olímpico, adiado do ano passado para 23 de julho próximo por causa da pandemia do novo coronavírus, estão se esforçando para que tudo pareça normal.

Apesar disso, as tensões e perigos da pandemia continuam ameaçadores, fatais. O Brasil, por exemplo, que vai participar da Olimpíada, atingiu e ultrapassou a vergonhosa e triste marca de meio milhão de mortos. Um claro retrato de que a confraternização mundial dos esportes acontecerá incontestavelmente sob riscos à saúde das dezenas de milhares de participantes.

A vacinação, no caso, é apenas um fator atenuante. Mesmo assim, espera-se que todas as delegações cheguem a Tóquio vacinadas e testadas adequadamente contra os males da pandemia.

Especialistas japoneses da área de saúde manifestaram preocupação com a realização da Olimpíada na data agendada. Eles mantêm a avaliação de que a melhor opção seria adiar um pouco mais o evento ou cancelá-lo definitivamente.

Os responsáveis do Japão pelos Jogos —governos e comitê organizador— e o COI (Comitê Olímpico Internacional), que detém os direitos sobre eles, optaram pela confirmação das disputas. Anunciaram medidas contra a pandemia que serão aplicadas e reafirmaram outras regulamentações que já estão implantadas. Nada, porém, garante a segurança ampla e total.

Além disso, como abordado aqui anteriormente, mesmo que nada de destaque ocorra na área da saúde durante os Jogos, não haverá nenhuma segurança de que não ocorrerão contaminações após o retorno das delegações aos países de origem.

No Japão, uma pesquisa recente da Kyodo News revelou que cerca de 86% das pessoas no país estão preocupadas com uma recuperação dos registros de Covid-19 se a Olimpíada e, logo a seguir, a Paraolimpíada, forem realizadas neste verão japonês.

Um mês antes da abertura da Olimpíada, 68% dos habitantes consultados avaliam a campanha de vacinação do governo como lenta, sendo que 50,8 % acreditam que foi muito cedo o encerramento poucos dias atrás do estado de emergência em Tóquio, Hokkaido, Osaka e seis outras prefeituras.

A pesquisa nacional levantou que 40,3 % acreditam que os Jogos deveriam acontecer sem espectadores e 30,8 % acham que eles deveriam ser cancelados.

Paralelamente, os organizadores estabeleceram para as competições um limite máximo de concentração de 10 mil pessoas ou 50% da capacidade do local da disputa, o que for menor, sendo que espectadores estrangeiros estão proibidos de comparecer aos Jogos.

Ficou estabelecido ainda que, caso a situação da Covid-19 piore, a presença de público será vetada. A OMS (Organização Mundial da Saúde) avalia que os índices de infecções estão caindo no território japonês e que os números são favoráveis em relação a outros países que têm realizado eventos de larga escala.

Comparação estranha, pois, na verdade, nenhum evento dos últimos tempos chegou perto do porte dos Jogos Olímpicos, o maior de todos eles disparado e bem mais amplo do que a Copa do Mundo de futebol, embora as duas competições rivalizem na repercussão. A OMS também anunciou que debaterá com os organizadores olímpicos como administrar os riscos da Covid-19.

Mais adequado seria comparar a complexidade da pandemia na Olimpíada com a da disputa da Copa América de futebol, assumida pelo Brasil e em andamento. A Copa envolve uma só modalidade e seleções masculinas de dez países, hospedadas em hotéis variados.

A Olimpíada abrigará delegações de 206 países na Vila Olímpica para atuação em 33 esportes, em torneios masculinos e femininos. Serão 11 mil competidores e dezenas de milhares de participantes na organização.

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) apontou nesta segunda (21), na Copa América, 140 casos positivos do Covid-19, após 15.235 testes realizados desde o início da competição com os participantes e com trabalhadores no evento.

Isso posto, mesmo com as novas tecnologias e avanços da ciência, é difícil imaginar como será a segurança da saúde durante os Jogos de Tóquio, que mais parece algo quase impossível.


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Fonte: Máquina do Esporte