Com racismo e homofobia na pauta, Eurocopa tem edição especialmente politizada – 22/06/2021 – Esporte

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A braçadeira nas cores do arco-íris que o goleiro alemão Manuel Neuer vestiu na partida contra Portugal, no sábado (19), pela Eurocopa, em gesto de apoio à comunidade LGBTQIA+, causou agitação no mundo do esporte.

No domingo (20), a DFB (Federação Alemã de Futebol) confirmou que uma investigação foi feita pela Uefa (União das Associações Europeias de Futebol), que, por sua vez, avaliou que o gesto de Neuer durante a Eurocopa não seria caso de punição. Foi por uma “boa causa”, disse a federação europeia.

Manuel Neuer usou a braçadeira de capitão como um sinal de “compromisso claro de toda a equipe por diversidade, abertura, tolerância e contra o ódio e a exclusão”, disse o porta-voz da DFB, Jens Grittner.

Que esse tipo de ação é importante ficou claro na reação da ultradireita alemã. Uwe Junge, uma das lideranças do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) no oeste do país, disse no Twitter que Neuer usou “uma braçadeira de bicha”.

Repreendido publicamente pela própria líder da ultradireita no Parlamento alemão, Alice Weidel, o político apagou o tuíte, mas não voltou atrás em sua opinião: para ele, esse tipo de manifestação com a camisa da seleção é inadequada.

Não é a primeira vez que o partido se envolve em polêmica relacionada à seleção alemã. Em 2016, o então líder da AfD Alexander Gauland disse que o zagueiro Jérôme Boateng, que é negro, era ótimo jogador, mas que ninguém gostaria de tê-lo como vizinho.

A discussão em torno de Neuer e a braçadeira LGBTQIA+ é apenas mais uma, numa Eurocopa especialmente politizada. Em gesto contra o racismo, jogadores da seleção inglesa vêm se ajoelhando em campo, antes do apito inicial.

Pouco antes da estreia no torneio, a equipe chegou a ter que publicar um comunicado oficial pedindo aos torcedores que respeitem a decisão dos jogadores. Nos dois últimos amistosos antes da Eurocopa, torcedores ingleses haviam vaiado a manifestação.

A Uefa está sob pressão. A regra básica é rejeitar mensagens políticas. Mas a entidade acolheu expressamente os protestos contra o racismo durante a Eurocopa. Outras seleções aderiram, e até mesmo árbitros chegaram se ajoelhar.

Munique não é Budapeste

Na próxima quarta-feira (23), o próximo capítulo poderá ser aberto. Em Munique, local dos jogos dos alemães, é intensamente discutido se a Allianz Arena poderia brilhar nas cores do arco-íris na partida final do grupo, contra a Hungria.

O prefeito de Munique, Dieter Reiter (SPD), apresentou uma solicitação nesse sentido à Uefa na segunda-feira (21). “Este é um sinal importante de tolerância e igualdade”, disse ele. O jogador alemão Leon Goretzka aplaudiu a ideia.

O pano de fundo é político: recentemente, o Parlamento húngaro aprovou uma lei que restringe os direitos à informação dos jovens em relação à homossexualidade e à transexualidade. A lei foi promovida pelo próprio governo ultranacionalista de direita de Viktor Orbán.

Ao mesmo tempo, é provável que as autoridades de segurança de Munique tenham outras preocupações. Nos jogos anteriores dos húngaros em Budapeste (derrota por 3 a 0 para Portugal e empate por 1 a 1 com a França), a chamada “Brigada dos Cárpatos” apareceu nos estádios.

A turba, vestida de preto, é considerada por especialistas como um grupo paramilitar composto por neonazistas. Os membros da brigada são conhecidos por gestos homofóbicos e racistas e já foram vistos fazendo a saudação de Hitler.



Fonte: Máquina do Esporte