Calma que a seleção é dela – 18/11/2023 – Juca Kfouri


Ora, a seleção brasileira perdeu, como jamais, pela segunda vez seguida nas Eliminatórias.

Primeiramente, para o Uruguai, o que não desonra time nenhum no mundo. Uruguai que quebrou a invencibilidade argentina e na Bombonera. Segue o jogo.

Ser derrotado pela Colômbia também está longe de ser alarmante, como não será se a Argentina vencer no Maracanã, na terça-feira (21), mesmo que uma terceira derrota consecutiva seja algo que nós desconheçamos.

Lembremos que em Barranquilla aconteceu o 15º encontro com os colombianos em jogos pelas Eliminatórias, e, se foi a primeira vitória dos adversários, houve sete empates nos confrontos. Fácil não tem sido.

Acabaram faz tempo as molezas, e até a Venezuela complica a vida dos papões.

A noite vivida por Luis Díaz, guardadas todas as proporções, lembrou a atuação demolidora de Zinédine Zidane contra o Brasil na Copa da Alemanha, em 2006.

Se o francês naquela noite desmontou Ronaldos&Cia com a genialidade de um dos maiores arquitetos da história do futebol mundial, a impetuosidade de Díaz destruiu a defesa brasileira pelo chão e pelo ar, além de desnudar as deficiências de marcação tanto de Emerson Royal quanto de Renan Lodi pelos lados do campo.

De quebra, ainda se enfiou no meio da zaga para fazer dois gols de cabeça, já que com os pés seu companheiro de Liverpool, o goleiro Alisson, insistia em impedi-lo de marcar.

A questão que importa discutir é outra.

O que a CBF espera de Fernando Diniz?

Ora —de novo—, o presidente Ednaldo Rodrigues jamais escondeu: ele quer a seleção capaz de jogar à brasileira, leve, solta, alegre e maliciosa.

Ao escolher Diniz, ele sabia que o treinador, ainda mais com prazo determinado, não abriria mão de impor sua marca.

Se faltou lógica, coerência, porque à espera de Carlo Ancelotti, que nada tem a ver com o chamado dinizismo, eis um problema para o cartola da CBF, nunca para o técnico.

A seleção jogou cinco minutos mágicos no começo da partida e topou o jogo franco do segundo tempo na Colômbia, lá e cá, vertical, zero de lentidão, em jogo bom de ser visto.

Ora —pela terceira vez—, o que se busca é renovação? Quer mais, até com estreia de Endrick? Sem centroavante na escalação inicial? 4-2-4? Alô!

Medo de ficar fora da Copa de 2026 só os fracos sentem, e o quinto jogo sob o comando de Diniz revelou os melhores momentos em sua curta passagem pelo time da CBF.

Dizer que a seleção tem sempre de se classificar com os pés nas costas como fez com Tite é desconhecer a história, pois até quando ganhou o tetra, e o pentacampeonato, só carimbou o passaporte para os Estados Unidos, e para a Ásia, na derradeira rodada, contra o Uruguai, no Maracanã, e contra a Venezuela, em São Luís, no Castelão de lá.

Esperar que o dinizismo desse as caras assim de chofre é típico dos apressados, que, como se sabe, comem frio ou queimam a língua.

Só neste ano Diniz começou a colher os frutos de suas convicções com o Fluminense, ao ganhar o Carioquinha, goleando o Flamengo na decisão, e a consagradora Libertadores, contra o Boca Juniors.

Na seleção o tempo de sobra que tem no clube é pouco.

Daí ser injusto cobrá-lo além do razoável.

Cobre-se do presidente da CBF, com o risco de ouvir dele que Diniz faz exatamente o combinado.

Desempenho ou resultado?

Por enquanto, fagulhas de bom desempenho.


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Folha de S.Paulo