Brasileiro atua no ‘quartel-general’ anticrise dos Jogos de Tóquio – 19/07/2021 – Esporte

0
11


Desafiada pela pandemia da Covid-19, a organização dos Jogos Olímpicos de Tóquio tem em seu centro de operações uma espécie de quartel-general para lidar com os problemas inesperados que aparecem e tentar impedir que eles se transformem em grandes crises.

Num escritório localizado na Triton Square, perto da Vila Olímpica e de um grande número de arenas na região da baía de Odaiba, representantes de cerca de 50 áreas da organização se revezam para manter uma operação anticrise 24 horas por dia.

Um dos consultores desse grupo é Gustavo Nascimento. Arquiteto de formação e diretor de instalações na Olimpíada do Rio-2016, ele está em sua sexta edição olímpica. A primeira foi Atenas-2004.

Há cinco anos, ele precisou lidar, entre muitas coisas, com a piscina verde do Parque Aquático Maria Lenk, problema causado por conta de um despejo inadequado de um produto na água e que marcou o início daquela edição. Nascimento lembra de ter ficado três noites praticamente sem dormir, até que a questão fosse resolvida.

Uma situação também inusitada, mas que não chegou ao conhecimento da maioria do público, foi uma ameaça de greve entre funcionários terceirizados da área de transporte. O motivo: insatisfação por não receberem sorvetes distribuídos como um agrado por um patrocinador a outros trabalhadores dos Jogos.

“Recebemos a informação com certa tranquilidade, era uma insatisfação, mas não tínhamos em quantidade suficiente. Isso esquentou e chegou nas nossas investigações que existia um risco gravíssimo de parar o transporte até que fosse solucionado. Falamos com o patrocinador para triplicar a quantidade e renegociamos o contrato”, conta.

“É um exemplo banal, mas serve para entender que esse tipo de coisa também pode gerar grandes crises. Conseguimos resolver antes que virasse uma, e esse é o principal papel do centro de operações”, completa.

Em Tóquio, por conta da pandemia, Nascimento considera que o ponto de maior atenção está nas questões de mobilidade e atividades que envolvem pessoas fora do esquema mais rígido de testagem dos credenciados nos Jogos. Um motorista que tenha que prestar um serviço de urgência, por exemplo.

“Tóquio tem um planejamento de mobilidade muito bem feito durante anos, mas agora precisou ser ajustado para um cenário que ninguém imaginava. Tudo o que passa por mobilidade, transporte e aglomeração vai ser complexo”, afirma.

O forte calor desta época do ano no país também liga o alerta no planejamento, e até questões de segurança, menos preocupantes a princípio, ganharam destaque diante da insatisfação da população japonesa com a realização do evento.

Nascimento lamenta que a tragédia da pandemia tenha tirado um dos trunfos do país-sede dos Jogos. “Os japoneses têm protocolo para tudo, são os melhores do mundo para situações de catástrofes naturais, mas quando precisa de flexibilidade, jogo de cintura, eles não gostam muito de trabalhar dessa forma.”

Por mais frustrante que seja ver uma cidade tão bem dotada de infraestrutura urbana, com estádios primorosos do ponto de vista arquitetônico, não poder receber turistas e espectadores, agora resta trabalhar para que a Olimpíada de Tóquio vença a resistência da população e passe uma imagem positiva para o mundo.

“O que vai ficar, como no Rio, é a mensagem de superação. Lá achavam que seria um desastre, e os Jogos em si foram um absoluto sucesso, com apoio popular. Ainda acho que aqui serão Jogos muito bem organizados, com competições de ponta, e dos quais vamos lembrar com carinho”, encerra.



Fonte: Máquina do Esporte