Brasil se atualiza na tática e se perde no campo – 04/07/2021 – PVC

0
21


Brasil e Peru disputam nesta segunda-feira (5) a primeira semifinal da Copa América, no aniversário de 39 anos da derrota da seleção de Telê para a Itália, de Paolo Rossi.

Aquela foi a segunda e última atuação do Brasil num 5 de julho. Antes, só na Minicopa de 1972, vitória por 1 a 0 sobre a Escócia, no Maracanã.

Há mais diferenças do que as presenças de Falcão, Cerezo, Sócrates e Zico, no Sarriá. Aquele jogo foi disputado num gramado, não num mangue.

Parece não haver relação entre a tática e o apelo de Tite sobre o péssimo estado dos campos de jogo. Há. A comparação entre as partidas da Eurocopa e da Copa América passa pela diferença entre dominar ou domar a bola.

É claro que há outras questões. Se fosse apenas o gramado, o Flamengo teria dado espetáculo no Fla-Flu que levou à Neo Química Arena para tentar jogar na relva, em vez de um pasto ou uma piscina. É vergonhoso para todos os administradores de estádios de grama natural do país a noção de que só há um campo de nível internacional aqui –só Itaquera.

Por outro lado, não é acaso que a mais espetacular equipe montada por Tite, o Corinthians 2015, jogasse na Arena Corinthians.

O mais recente apelo do técnico da seleção por bons terrenos de jogo, depois da sofrida vitória sobre o Chile, é um grito pelo retorno do país do futebol, para que a cultura futebolística reapareça por aqui, dos pequenos detalhes às mais refinadas questões.

A seleção jogou mal contra os chilenos, mas está antenada com o que se faz na Europa. Nos cinco primeiros compromissos do torneio continental, Tite fez testes táticos, variou sistemas de jogo, lançou Renan Lodi como ponta esquerda, numa linha de cinco atacantes (veja ilustração), como fez a Itália com Spinazzola e a Inglaterra com Luke Shaw, contra a Alemanha.

Dependendo das circunstâncias, o Brasil teve Firmino como centroavante ou como meia, Richarlison aberto pela esquerda ou no centro do ataque, Paquetá pela direita, como armador ou segundo volante. Tite só não testou o sistema com três zagueiros, mas faz a saída de bola com três homens, no 3-2-5 –há quem prefira dizer 2-3-5.

O Brasil está forte. Não é encantador. É quase um consenso.

Como encantar tendo de domar a bola no estádio Nílton Santos? Como dar a mesma velocidade que se vê na Itália, Inglaterra, Espanha e Dinamarca se, a cada lance, é preciso dar três toques e só depois dar fluência ao ataque?

Há 39 anos, antes de embarcar para a Copa do Mundo da Espanha, a seleção de Telê Santana exibia-se em campos que davam orgulho aos mineiros, no Parque do Sabiá, em Uberlândia, e aos goianos, no velho Serra Dourada. Hoje, a Copa América não pôde ser disputada no melhor palco de Goiás, porque não há iluminação e o terreno está mais apropriado aos rodeios do que aos clássicos sul-americanos.

Nas duas últimas edições da Copa América, Messi criticou os pisos onde teve de desfilar seu talento. Estava um pouco melhor o estádio Olímpico, onde a Argentina fez 3 a 0 no Equador, no sábado (3). Ninguém dirá que Messi está desatualizado.

Se o Brasil vencer o Peru e a Argentina ganhar da Colômbia, pode haver um clássico bem jogado tática e tecnicamente na final do próximo sábado (10). Resta saber se o Maracanã terá um bom campo.

A sequência de reuniões entre comissão técnica e jogadores do Palmeiras parece ter aumentado a convicção de que o time pode brigar pelo título. Sem ser brilhante, o time de Abel Ferreira voltou a ser forte. Quem brilha é Scarpa.

FLAMENGO ATRASADO

Natural que o Flamengo comece estranho o Brasileiro de 2021, por ainda ter uma coleção de desfalques. Não jogou bem contra o Fluminense e foi justamente derrotado. O Fluminense é sempre mais forte quando desarma no ataque, como pede Roger Machado.


LINK PRESENTE: Gostou desta coluna? Assinante pode liberar cinco acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.



Fonte: Máquina do Esporte