Brasil como país do futebol é só uma memória coletiva – 05/08/2023 – Tostão


A eliminação da seleção feminina na fase de grupos do Mundial foi uma decepção, já que havia uma expectativa positiva de que a equipe poderia fazer uma ótima campanha, muito melhor que as anteriores, baseada no longo tempo de trabalho, nos ótimos resultados contra fortes adversárias e na experiência e na carreira vitoriosa da treinadora Pia.

A técnica, que era muito elogiada pela capacidade técnica e pelo ótimo ambiente que tinha na seleção, tem sido muito criticada e pode ser demitida, como se a sua atuação fosse o grande fator determinante do fracasso. É necessário mudar a relação de adoração nas vitórias e de massacre nas derrotas com os treinadores e as treinadoras. A eliminação não pode ser motivo de retrocessos. Os investimentos e o apoio ao futebol feminino precisam continuar.

A enorme expectativa criada e a grande valorização da Copa do Mundo feminina geraram uma responsabilidade maior de vitória e de ótimo desempenho. Isso perturbou as jogadoras, e a equipe ficou mais tensa, apressada e afobada.

A memória coletiva mundial de que o Brasil é o país do futebol, a sensação de que aqui só há craques e adversários morrem de medo de enfrentar a seleção brasileira, masculina ou feminina, não existe mais. O temor era pela camisa amarela ou azul. Na Copa, foi o Brasil que não soube enfrentar os problemas emocionais.

O futebol brasileiro masculino e feminino precisa evoluir, dentro e fora de campo. O padrão estabelecido, exageradamente repetido, de conceitos, de estratégias, de supervalorização das estatísticas e dos treinadores e treinadoras, precisa ser repensado e substituído por novos conhecimentos científicos, outras ideias, e por soluções mais criativas. Para isso, é necessário escutar, saber ver e aprender com o que é novo e diferente.

Espaços

Pela Libertadores, o Palmeiras, como se esperava, foi superior ao Atlético-MG no conjunto e na qualidade individual, na vitória por 1 a 0. Os dois volantes do Galo avançavam na marcação e deixavam grandes espaços entre eles e os zagueiros, que permaneciam encostados à grande área, uma deficiência frequente nas equipes brasileiras. O talentoso meia Raphael Veiga deitou e rolou nesses espaços.

O Flamengo, no Maracanã, contra o Olimpia, do Paraguai, teve poucos espaços perto da área, já que o adversário marcava muito recuado com nove jogadores. Durante o primeiro tempo, o comentarista Zinho, da ESPN, enfatizou que Bruno Henrique e Ayrton Lucas ocupavam o mesmo espaço ofensivo pela esquerda.

Zinho sugeriu que Bruno Henrique atuasse pelo centro, formando dupla de ataque com Gabigol, como era na época de Jorge Jesus. O técnico Sampaoli aceitou a recomendação de Zinho, e o Flamengo venceu por 1 a 0, em um passe preciso de Gabigol com cabeçada perfeita de Bruno Henrique.

Contratações

O São Paulo, na tentativa de aproximar a qualidade individual do time à das melhores equipes brasileiras, fez duas ótimas contratações, James Rodríguez e Lucas Moura. O armador colombiano James Rodríguez costuma atuar como meia de ligação pelo centro ou da direita para o meio, onde, com o pé esquerdo, dribla, passa e finaliza. O atacante Lucas Moura geralmente joga pela direita, para aproveitar sua habilidade e velocidade, ou pelo centro, formando dupla de ataque com o centroavante.

O técnico Dorival Júnior terá um grande desafio, o de escalar os dois mais Luciano e Carille, fora outras opções do meio para a frente. Escolher os melhores e colocá-los nos lugares certos é uma das principais virtudes de um treinador.


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Folha de S.Paulo