Bonucci e Chiellini resgatam espírito vencedor da Itália com bi da Eurocopa – 11/07/2021 – Esporte

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Os zagueiros Chiellini, 36, e Bonucci, 34, nunca desistiram. Juntos somam 70 anos e só um título representando a Itália, justamente o deste domingo (11), que calou a torcida inglesa em Wembley após o 1 a 1 no tempo normal e a vitória nas cobranças de pênaltis. Coube a Chiellini levantar a taça, mas foi Bonucci quem lembrou aos italianos a nunca desistir.

Os dois se negaram a se acostumar com as derrotas ao longo dos anos, embora elas fossem muitas. Eliminações na primeira fase das Copas do Mundo de 2010 e 2014, ausência em 2018, derrota na final da Euro para a Espanha em 2012, por 4 a 0, no maior placar da competição.

Os veteranos desta vez contaram com a ajuda de um jovem goleiro para colocar a Itália de volta no caminho das conquistas. Donnarumma, 22, garantiu seu nome na reconstrução italiana. Prodígio desde que estreou no Milan, o goleiro defendeu duas cobranças de pênalti e garantiu o título para a sua seleção, assim como Buffon na Copa do Mundo de 2006.

Guerreiros e remanescentes dessas campanhas, a dupla de zaga é a espinha dorsal da reestruturação iniciada pelo ex-atacante e hoje técnico Roberto Mancini. À beira da prorrogação, Chiellini usou da experiência para puxar Saka, que iria como um foguete para o ataque, ao ver Bonucci cansado.

A bola passou por muitos nomes, como Jorginho, o dono do meio de campo da Itália, que continuou na partida apesar de dores no joelho. Verratti compensou na defesa, e Emerson Palmieri cresceu na ausência de Spinazzola.

Do lado inglês, o atacante Harry Kane só teve o nome anunciado ao dar o passe que iniciou a jogada do gol de Shaw, aos 2 minutos do primeiro tempo. Bonucci empatou a partida após confusão em jogada de escanteio, aos 21 do segundo tempo.

E por mais que esse time de Mancini tenha a força do ataque, o melhor da competição, foi a defesa que desestruturou todas as ideias de Gareth Southgate, que já conhece o sentimento de silenciar Wembley. Há 25 anos, ele desperdiçou o pênalti que classificaria a Inglaterra à final da Euro. Hoje, perdeu a final à beira do campo.

Eram 7 mil torcedores italianos contra 60 mil ingleses na arquibancada, o maior público da Eurocopa. No Reino Unido, mais da metade da população (66%) recebeu duas doses da vacina contra a Covid-19, enquanto 87,1% recebeu a primeira, de acordo com o governo.

Para estar na arquibancada, os torcedores precisaram apresentar teste PCR negativo.

Antes da partida, os ingleses encheram as ruas e comemoraram. O sentimento de chegar a uma final inexistia para a maioria deles –a última havia sido em 1966, contra a Alemanha, e garantiu o título da Copa do Mundo em Wembley.

O futebol reservou, no entanto, o mesmo destino às duas seleções que mandaram seus jogos em casa neste fim de semana. Enquanto o Brasil sofreu um segundo Maracanazo, desta vez contra a Argentina, a Itália brincou com a música inglesa, “It’s Coming Home” (está indo para casa), e transformou-a em “It’s Coming Rome” (está indo para Roma).

Ao final do jogo, foi possível ver e ouvir Bonucci gritar o trecho para uma das câmeras de TV. Ele que, além do gol de empate, confirmou sua cobrança nas penalidades.

Nas cobranças de pênalti, os italianos se assustaram ao ver que Belotti teve a cobrança defendida por Pickford.

No entanto, o roteiro de uma tragédia inglessa em casa resolveu se repetir à risca. Rashford demorou demais para bater na bola e até deslocou Donnarumma, mas mandou na trave. Na cobrança seguinte, Sancho, que também entrou em campo somente para as cobranças, mandou com força, mas viu Donnarumma acertar o canto.

Foi o ítalo-brasileiro Jorginho para a última bola. Como contra a Espanha, na semifinal, tranquilo. Desta vez, porém, ele perdeu.

Coube a Donnarumma garantir o título. Ele defendeu o chute de Saka e manteve viva “a maldição de Southgate”.

O triunfo consolida um novo momento do futebol italiano, de jovens talentosos com a bola nos pés, que jogam um futebol diferente do que se viu na seleção nos últimos anos, liderados por veteranos que não desistem nunca.



Fonte: Máquina do Esporte