A volta por cima da nova mulher mais rápida do mundo – 22/08/2023 – Esporte


A corredora americana Sha’Carri Richardson, que havia sido suspensa do atletismo por uso de maconha, alertou suas rivais nos 100 metros livres durante toda a temporada: “Não estou apenas de volta, estou melhor”. Ela estava certa.

Agora, no Campeonato Mundial de Atletismo, as maiores velocistas do mundo viram o que essa americana de 23 anos é capaz de fazer.

Na pista de número nove, Richardson correu a distância em 10,65 segundos –o quinto melhor tempo da história da prova feminina– para conseguir a medalha de ouro em sua estreia no campeonato principal.

Para ela, foi uma mistura de emoções. Richardson teve que superar grandes contratempos no início de uma carreira promissora.

Depois de momentos brilhantes em 2021, uma suspensão por doping de um mês por uso de maconha fez com que Richardson perdesse seus primeiros Jogos Olímpicos, em Tóquio (2021).

Ela também não conseguiu se classificar para o Campeonato Mundial do ano passado em seu país natal.

O teste positivo da atleta aconteceu após a vitória na seletiva olímpica, ocorrida uma semana após a morte de sua mãe.

Na época, ela explicou que havia usado maconha para enfrentar o luto –foi suspensa mesmo assim.

Mas parecia apenas uma questão de tempo até que seu talento brilhasse novamente.

Ela correu quatro dos seis tempos mais rápidos deste ano. Apenas a vice-campeã mundial, a jamaicana Shericka Jackson –cujo tempo ela igualou– foi mais rápida em 2023.

A inexperiência da texana pareceu que poderia atrapalhar sua busca pela medalha quando ela terminou em terceiro e fora das vagas de qualificação automática na semifinal. Mas um empate na pista externa não a impediu de competir.

“Em entrevistas anteriores mencionei que não voltei, e sim que estou melhor”, disse Richardson. “Vou continuar humilde. Não voltei, estou melhor e vou continuar melhorando.”

“Senti que fiz uma corrida incrível, sem nem saber onde as outras mulheres estavam. Eu estava sozinha em meu próprio mundo. Honestamente, tem sido assim toda a minha vida. Então a pista nove foi perfeita para eu fazer o que sei fazer e me concentrar em mim mesma”, acrescentou.

O triunfo de Richardson –muitos na multidão se levantaram para aplaudi-la enquanto ela disparava pela pista– segue-se ao de seu compatriota Noah Lyles nos 100 m masculinos, no domingo.

Falando à BBC, o americano oito vezes campeão mundial Michael Johnson elogiou a compatriota.

“Isso é incrivelmente importante porque partiu inteiramente de Richardson. Ela é um grande talento. Ela não entrou para a equipe em Doha e depois voltou em 2021 e venceu as seletivas. Todo mundo sabia quem ela era depois da proibição (por doping de maconha).”

“Ela é muito autêntica, não dá desculpas. Acho ótimo para o esporte porque ela tem uma personalidade inigualável. O esporte precisa dessas personalidades”, concluiu.



Folha de S.Paulo