‘Shang-Chi’ é melhor do que o esperado, mas mostra que a Marvel pode ser sua maior inimiga; G1 já viu | Cinema

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Depois de uma estratégia de divulgação desastrada e cheia de equívocos, “Shang-Chi e a lenda dos Dez Anéis” abre de verdade a nova fase da Marvel nos cinemas com uma aventura muito melhor do que se esperava.

Ao mesmo tempo, o filme de artes marciais estrelado por um personagem menos conhecido dos quadrinhos prova que alguns dos instintos mais megalomaníacos do estúdio podem ser seu pior inimigo.

“Shang-Chi” estreia nesta quinta-feira (2) nos cinemas brasileiros – o primeiro da Disney desde o começo da pandemia a não ser lançado ao mesmo tempo na plataforma de vídeos da empresa, como aconteceu com “Viúva Negra”, “Cruella” e “Jungle Cruise”.

Assista ao trailer de "Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis"

Assista ao trailer de “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”

Pelo menos até a estreia de “Eternos” em novembro, Shang-Chi é o personagem da editora menos conhecido pelo grande público a ganhar um filme para chamar de seu.

Até quem acompanha os quadrinhos com certa regularidade tem dificuldade para lembrar de um grande arco em que ele tivesse destaque dentro do universo geral das histórias.

Publicado pela primeira vez em 1973, e inspirado de forma nada sutil no ator Bruce Lee, Shang-Chi é também chamado de “O Mestre do kung fu”.

Simu Liu e Awkwafina em cena de ‘Shang-Chi e a lenda dos dez anéis’ — Foto: Divulgação

Mesmo sem superpoderes, suas habilidades em artes marciais fazem do herói um dos lutadores mais respeitados entre os personagens da editora.

Na versão do filme, ele vive uma vida pacata escondido nos Estados Unidos, até que é encontrado pela organização maligna comandada por seu pai, um homem poderoso e obcecado por um plano que ameaça o mundo inteiro.

Bom elenco, lutas melhores ainda

Para o protagonista, a Marvel repetiu sua estratégia de apostar em atores menos conhecidos – e mais baratos – e acertou em cheio com Simu Liu, canadense nascido na China mais conhecido pela série de comédia “Kim’s convenience”.

Além de carismático e cara quase perpétua de “sujeito comum”, ele apresenta uma química invejável com Awkwafina (“Oito mulheres e um segredo”), atriz que repete seu hábito de roubar cenas pelos filmes por onde passa ao interpretar a melhor amiga do herói.

Tony Leung em cena de ‘Shang-Chi e a lenda dos dez anéis’ — Foto: Divulgação

A lenda do cinema chinês Tony Leung (“Amor à flor da pele”) ainda confere sua credibilidade ao papel do vilão Mandarin, uma versão muito diferente à dos quadrinhos e até à caricatura vivida por sir Ben Kingsley em “Homem de Ferro 3” (2013).

Com participações de Michelle Yeoh (“Star Trek: Discovery”) e de Benedict Wong (o Wong, de “Doutor Estranho”), o filme forma um dos elencos asiáticos mais estrelados desde “Podres de rico” (2018).

E “Shang-Chi” tem tudo para repetir o sucesso estrondoso da comédia romântica.

Michelle Yeoh e Simu Liu em cena de ‘Shang-Chi e a lenda dos dez anéis’ — Foto: Divulgação

Mais do que uma nova aventura da Marvel, a produção entrega algumas das melhores cenas de luta do universo cinematográfico da editora e faz um ótimo trabalho ao adaptar o herói e seu contexto à mitologia apresentada na franquia milionária.

Os dez anéis do título, por exemplo, se tornam armas místicas completamente diferentes, justificam a importância de um personagem em teoria sem poderes e ainda oferecem novos rumos a serem seguidos pelo estúdio.

Tudo isso deve ajudar a diminuir os temores de grande parte dos fãs. Depois de trailers fracos, a impressão construída era que se trataria da velha história asiática transferida para um contexto americanizado.

Tony Leung e Simu Liu em cena de ‘Shang-Chi e a lenda dos dez anéis’ — Foto: Divulgação

Os cartazes pavorosos com cabeças flutuantes certamente não ajudaram na expectativa.

Por sorte, o medo desaparece aos poucos. Além das ótimas sequências de ação logo no começo, a narrativa claramente respeita as origens dos personagens e grande parte do filme é falada em chinês.

Infelizmente, a Marvel ainda é a Marvel. O estúdio não resiste a seus finais épicos e apocalípticos e isso fica mais claro que nunca em “Shang-Chi”.

A história, que ia tão bem com seus combates corpo a corpo e temas como família e destino, se perde na sequência final com monstros desnecessários e ameaças que não se encaixam bem com um “mestre do kung fu”.

Meng’er Zhang, Simu Liu e Awkwafina em cena de ‘Shang-Chi e a lenda dos dez anéis’ — Foto: Divulgação

Nada disso faz com que o resultado final seja ruim, mas nem as empolgantes (e obrigatórias) cenas pós-créditos tiram totalmente o gosto ruim deixado pelo desfecho exagerado.

Com o começo de sua quarta fase, já que “Viúva Negra” abordou um ponto no passado da linha do tempo geral, a Marvel mostra que dominou de vez tudo aquilo que garantiu seu sucesso mais de 20 filmes depois – além de uma certa tranquilidade para ousar um pouco além de seu próprio roteiro.

Mas também prova que essa obsessão por momentos megalomaníacos pode ser seu grande calcanhar de Aquiles.

Awkwafina, Ronny Chieng e Simu Liu em cena de ‘Shang-Chi e a lenda dos dez anéis’ — Foto: Divulgação



Fonte: Pop & Arte