Sérgio Mamberti construiu sólida carreira nos palcos e nas telas, além de atuação no fomento a políticas culturais | Pop & Arte

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O artista nasceu em 22 de abril de 1939, na cidade de Santos, litoral de São Paulo. Em 1964, casou-se com Vivien Mahr, com quem teve três filhos: o também ator Duda, o diretor Fabrício e Carlos. A esposa morreu em 1980. Depois disso, Mamberti teve um companheiro por 37 anos, Ednaldo Torquato, que morreu em 2019.

Mamberti se formou pela Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo (USP) em 1961 e logo iniciou sua carreira no teatro. Sua primeira peça profissional foi “Antígone América”, com texto de Carlos Henrique Escobar e direção de Antônio Abujamra.

Depois da estreia, ele se juntou ao elenco do Grupo Decisão. Com eles, encenou as peças “O Inoportuno”, “Electra” e “Navalha na Carne”. Por esta última, ganhou projeção nacional, e por “O Balcão”, venceu o Prêmio Governador do Estado de São Paulo como ator coadjuvante em 1969.

Ator Sérgio Mamberti morre aos 82 anos em São Paulo

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Mesmo depois de ter estreado no cinema e na televisão, não abandonou os palcos. Além de atuar, também encampou projetos de revitalização e manutenção de teatros, como o Teatro Vereda, ao lado de seu irmão Cláudio Mamberti. O artista se dedicou, ainda, à popularização de casas pequenas, como o Crowne Plaza, pequeno teatro berço de atores emergentes.

Mamberti também dirigiu peças importantes no circuito paulista. Em 2019, estreou, ao lado de Rodrigo Lombardi, a premiada “Um panorama visto da ponte”.

No cinema, estreou em 1966 com a comédia “Nudista à força”, de Victor Lima. Depois, emplacou inúmeros sucessos: “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), “Toda Nudez Será Castigada” (1973), “O Homem do Pau Brasil” (1980), “A Hora da Estrela” (1985), “A Dama do Cine Shangai” (1987). Também estrelou filmes infantis como “Xuxa Abracadabra” (2003) e “O Cavaleiro Didi e a Princesa Lili” (2006).

Foi nas séries que viveu seu personagem mais querido, o saudoso Dr. Victor do Castelo Rá-tim-bum. Também participou de produções da TV Globo, como “A diarista” e “Os normais”. Recentemente, esteve no elenco de “3%”, série brasileira produzida pela Netflix.

Mamberti também reinou nas novelas. Um de seus primeiros papéis de destaque foi como João Semana em “As Pupilas do Senhor Reitor” (1970). Depois disso, atuou também em , “Brilhante” (1981), “Anjo Mau” (1998), “O Profeta” (2007), “Flor do Caribe” (2013), “Sol Nascente” (2016), entre outras. Seu maior sucesso foi o mordomo Eugênio na clássica “Vale Tudo” (1988).

Grande articulador cultural, abrigou, em sua casa, em São Paulo, artistas vindos do Brasil e de fora que precisavam de abrigo. Entre seus hóspedes, estão os Novos Baianos, Asdrúbal Trouxe o Trombone e The Living Theatre.

Em 2021, lançou a autobiografia “Sérgio Mamberti: Senhor do meu Tempo”, escrita com o jornalista Dirceu Alves Jr. No livro, falou abertamente sobre sua bissexualidade. “Sempre fiquei com meninos e meninas com naturalidade, a sexualidade nunca foi um problema”, contou.

Mamberti era filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e teve atuação intensa durante os mandatos do ex-presidente Lula. Presidiu três secretarias no Ministério da Cultura: Música e Artes Cênicas; Identidade e Diversidade Cultural; e Políticas Culturais. Também foi presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte).

O artista sempre manteve relação próxima ao ex-presidente. Foi ele quem leu a carta escrita por Lula então preso, que anunciava seu nome como candidato oficial do Partido dos Trabalhadores na eleição presidencial de 2018.

Em setembro de 2012, Mamberti foi homenageado no Festival de Cinema de Santos e recebeu uma estrela na Calçada da Fama de um cinema da cidade. Mamberti ficou bastante emocionado com a homenagem e afirmou que isso foi um presente inestimável e especial tanto por ser na cidade natal do artista quanto por ser no cinema que frequentou desde criança.



Fonte: Pop & Arte