‘Purakê’: Gaby Amarantos quer apresentar ‘novo som Amazônico’ com 2º álbum | Música

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Os dias de Gaby Amarantos estão agitados como nunca. Além de ter estreado como técnica do The Voice Kids, a cantora paraense lança o segundo álbum da carreira na noite desta quinta (2) e está no elenco da nova novela das 18h.

Para chegar nas 13 faixas de “Purakê”, álbum que sai nove anos após a estreia com “Treme”, a cantora tirou uns dias em janeiro do ano passado para ficar no meio da Amazônia e compor ao lado de Jaloo, produtor do álbum, e Lucas Estrela.

Exaltar a cultura do Norte e mostrar artistas periféricos são grandes objetivos de Gaby com esse trabalho, tanto que cada música vai sair com um clipe. Veja entrevista no vídeo acima.

“Não é um álbum para as pessoas só ouvirem, é um álbum para as pessoas assistirem, é para ver a Amazônia, a aparelhagem, a floresta”, explica ao G1.

“A gente quer trazer todas essas emoções, porque o Brasil precisa conhecer essa nova música brasileira produzida no Norte, que não é estereotipada e já está lá em 2050”.

Gaby Amarantos lança ‘Purakê’, segundo álbum da carreira — Foto: Divulgação/Rodolfo Magalhães

“Purakê”, nome que faz alusão ao peixe-elétricoda Amazônia, mostra a Gaby Amarantos que já é conhecida, mas também novos caminhos que a carreira de quase 10 anos abriu em feats ou faixas em canta sozinha.

O álbum começa com “Última Lágrima”, com a participação de Dona Onete, Elza Soares e Alcione. A faixa é descrita pela cantora como uma “benção da santíssima trindade da música”.

Já “Arreda”, faixa que divide com Leona Vingativa e Viviane Batidão, é um “som de aparelhagem”, como as artistas cantam.

“É um grito. É o mesmo grito que Caetano deu ao falar que a ‘Bossa Nova é foda’. A Bossa Nova é foda, bregafunk é foda, funk é foda, tecnobrega é foda e os estilos da periferia são os estilos que alimentam esse país”.

Na entrevista abaixo, ela fala mais sobre o álbum que foi inspirado em “Black is King”, de Beyoncé, a nova fase na televisão como jurada do “The Voice Kids” e as primeiras impressões das gravações de “Além da Ilusão”, próxima novela das 18h.

G1 – São nove anos entre “Treme”, seu álbum de estreia, e “Purakê”. Olhando assim é muito tempo, mas você não parou de trabalhar nesses anos. Quando surgiu o desejo e o foco para fazer esse 2º álbum?

Gaby Amarantos – Surgiu a partir do momento em que eu encontrei a pessoa certa, que é o Jaloo. Queria mostrar além do que já tinha feito, mas também queria que tivesse um pouquinho do que eu já fiz.

Quando eu falo que quero fazer uma música com clima de festa de aparelhagem no Beiradão ou outra com som de natureza de praia de rio, lá de Alter do Chão, ele sabe do que estou falando, então isso faz muita diferença.

Gaby Amarantos passou dias no meio da Amazônia para escrever músicas de ‘Purakê’ — Foto: Reprodução/Twitter/GabyAmarantos

G1 – É verdade, dá para perceber bem esses dois lados, um que é mais raiz, digamos assim, com tecnobrega, mas você também vai por outros caminhos ao longo do álbum. O que você quer mostrar com essas novas músicas?

Gaby Amarantos – É muito de todo esse leque que é a Amazônia, a música do Norte. A gente tem que entender que essa música é plural, moderna, se ramifica e é vanguardista. Tem música de ‘fuleragem’, tem música para chorar, tem música com poesia, tem música para tremer o ombrinho. Também diz muito sobre o que é a Gaby, porque eu me entendo como muitas e tenho que dar vazão a todas elas.

O álbum já começa com uma benção da “santíssima trindade da música”: Dona Onete, Elza Soares e Alcione. Para mim, são três grandes ícones que nos abençoam e também estão ali para lembrarmos da importância das mulheres mais velhas, da experiência, da vivência.

Gaby Amarantos lança ‘Purakê’ — Foto: Divulgação/Rodolfo Magalhães

G1 – São várias parcerias nesse álbum, além da faixa de abertura: Ney Matogrosso, Urias, Luedji Luna, Liniker, Viviane Batidão, Leona Vingativa, Potyguara Bardo. A sua ideia inicial era fazer um álbum com muitos convidados ou as coisas foram rolando?

Gaby Amarantos – Foi acontecendo. Na verdade, a gente até ficou pensando muito que era o “álbum de volta” e tinha que ser “o álbum da Gaby, 100% Gaby”.

Só que quando as músicas foram ficando prontas, eu fui ouvindo e pensando “Opará” é a cara da Luedji Luna, ia ser tão bom ter ela cantando. Depois falei: já pensou a Liniker cantando “Amor pra Recordar”? Ia ser incrível. Eu tinha que ter alguém do Pará para cantar aquele tecnobrega [“Arreda“], porque eu tenho que abrir portas para outras artistas. E aí as coisas foram acontecendo…

G1 – Quando você estourou em 2012 rolava muito um rótulo de música regional. Você sente que de alguma forma isso continua existindo ou você está em uma linguagem que as pessoas entendem como pop hoje em dia?

Gaby Amarantos – A linguagem sempre foi muito pop, tanto que você viu que a Pabllo Vittar gravou vários tecnobregas, várias músicas do Pará. Acho que a gente está em um momento de se retroalimentar desses movimentos que vem da periferia, mas o meu compromisso é não fazer com que essa periferia seja esquecida, apagada ou invisibilizada.

Tenho outros projetos que pretendo fazer para mostrar isso e o Purakê é um abre. “Arreda”, que fala “abre a roda”, é um grito, é o mesmo grito que Caetano deu ao falar que “a Bossa Nova é foda”.

A Bossa Nova é foda, bregafunk é foda, funk é foda, tecnobrega é foda e os estilos da periferia são os estilos que alimentam esse país. A gente tem que edificar muito, por isso que “Purakê” não é um álbum para as pessoas só ouvirem, é um álbum para as pessoas assistirem também.

Vou trazer essa Amazônia, a aparelhagem, a floresta e é tudo muito moderno. É muito lindo o que a gente está propondo para a galera ver.

Em determinado momento, você vai levantar e dançar, quando tocar “Rolha”, mas quando tocar “Rio” vai pensar na floresta.

A gente quer trazer todas essas emoções, porque o Brasil precisa conhecer essa nova música brasileira produzida no norte, que não é estereotipada e já está lá em 2050.

Capa do single ‘Tchau’, de Gaby Amarantos com Jaloo — Foto: Divulgação

G1 – Legal quando você diz que quer trazer outros artistas do Pará junto com você. Quem você destaca da nova cena paraense?

Gaby Amarantos – São muitas pessoas. Os compositores que estão comigo nesse álbum, Arthur Espíndola, Renato Rosas, Lucas Estrela, o Jaloo. Todos eles têm trabalho solo.

Laboyoung, um artista que já tem publicações em revistas internacionais, campanhas para grandes marcas, Lucas Gouveia que faz animação, o Romário, esses meninos são todos da periferia. Umas gays tudo fervida, uma galera que está bombando lá fora e que a gente que é brasileiro nem conhece ainda, sabe?

Muitas dessas pessoas estão no álbum, porque acredito que o “Purakê”, muito inspirado no que a Beyoncé fez no “Black is King”, onde ela trouxe muitos artistas africanos de todos os segmentos para fazer parte do processo com ela.

É um álbum que tem muitos artistas que não são do Pará, do Norte e do Brasil inteiro. Muitos artistas LGBT, periféricos. São muitas mãos que eu quero ajudar a dar visibilidade.

Capa do álbum ‘Purakê’, de Gaby Amarantos — Foto: Divulgação

G1 – A capa tem uma imagem que remete à terra, à floresta. Qual mensagem você quer passar com ela?

Gaby Amarantos – Quero passar a ideia de que essa terra, essa origem, esse Purakê está daqui a 50 anos. Ela está ali para a gente refletir: Como é que vai ser essa floresta, esse mundo, esse planeta, os nossos amores, as nossas relações daqui há 50 anos?

A gente vai queimar tudo? A gente vai acabar com nossos rios? Mas as músicas não falam de Rio, não falam de queimada. Como é que a gente vai refletir essa Amazônia do futuro, essa Afroamazônia ribeirinha?

G1 – É um bom questionamento ainda mais com tudo que estamos vivendo.

Gaby Amarantos – Mas a gente devolve com arte, com beleza e com inteligência, porque a gente precisa ser estratégico.

Tem uma filosofia de vida indígena que fala que enquanto metade das tribos está na linha de frente com seus arcos e flechas, impedindo que essa floresta seja queimada ou tentando apagar esse fogo, enquanto a outra metade está fazendo festa, está dormindo descansando e sonhando.

Só através do reabastecimento da energia que a festa, que a arte, que o alimento nos dá é que a gente consegue forças para continuar lutando, e esse revezamento é extremamente importante.

O “Purakê” vem para trazer isso, para trazer essa capacidade de se divertir, de refletir e de sonhar, de se abastecer de tanto conteúdo lindo que a gente está preparando, lindo, respirar e falar: “caramba, é preciso continuar a lutar, a sonhar, a viver e a amar”.

Carlinhos Brown, Gaby Amarantos e Michel Teló são jurados do ‘The Voice Kids’ — Foto: Globo/João Miguel Júnior

G1 – Agora falando um pouco sobre televisão, como está sendo a experiência como jurada do ‘The Voice Kids’?

Gaby Amarantos – É lindo demais. Como é gostoso ver aquelas crianças tão profissionais já sabendo o que querem e com tanto talento. Aprendo muito, me sinto muito privilegiada e estou exercitando um lado meu muito amoroso.

As pessoas têm me falado que sou muito carinhosa com as crianças, que tenho muito conhecimento musical. É uma delícia.

G1 – Depois de ter feito participações em novelas, você está no elenco de “Além da Ilusão”. Conta um pouco mais sobre a expectativa, os primeiros dias de gravação. Atuar já era um desejo antigo, né?

Gaby Amarantos – Já tenho trabalhos, já fiz séries, tem um filme meu que espero que saia até o ano que vem. Só que essa dinâmica de novela é uma coisa que tinha muita vontade de fazer até para entender a estrutura.

Minhas primeiras impressões da novela são que eu tenho muito que aprender. Está muito no comecinho, sei muito pouco sobre a estrutura, mas eu estou sendo acolhida. Quero aprender, estou muito disposta a aprender.

É [preciso] muito profissionalismo, muita preparação. Estou assim em um momento de plenitude, porque nunca imaginei que todas essas coisas maravilhosas iam acontecer neste momento, quando nosso país está tão maltratado, em que as pessoas estão tão desalentadas, sem esperança.

Gaby Amarantos fala sobre novidades na carreira e a expectativa para o The Voice Kids

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Fonte: Pop & Arte