Filho de Bono lança 1º álbum com banda Inhaler e diz que nunca teve ‘caminho fácil’ | Música

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Os rapazes do Inhaler ainda não encontraram o que eles procuram: o sucesso. Por isso até que é natural que o quarteto irlandês ainda seja chamado de “a banda do filho do Bono”.

O grupo de Dublin tem como vocalista Elijah Hewson, filho do líder do U2. Eles começaram em 2012, quando ainda eram crianças, com outro nome. Três anos depois, virou a Inhaler.

Aos 21 anos e lançando o primeiro álbum, o vocalista tem uma postura independente e não gosta que se pergunte muito sobre o Bono e o U2 nas entrevistas.

“Música sempre foi o que eu iria fazer, não importa quem meu pai fosse”, diz Hewson ao G1. Veja entrevista no VÍDEO acima.

Bono em show do U2 em 1987 e Elijah Hewson, seu filho, vocalista da banda Inhaler — Foto: Bertrand Guay/AFP/Arquivo

Ele diz que, pelo menos, o fato de ser filho do líder do U2 faz com que as pessoas tenham curiosidade de saber quem é. Querem saber também qual é o estilo. Mesmo que a intenção inicial seja falar mal.

“O lado bom [de ser filho do Bono] é que muitas pessoas vão aos nossos shows esperando ver alguma coisa ruim, mas normalmente eles se enganam”, diz, rindo, ao lado dos colegas de banda.

Prestes a completar dez anos de banda, apesar de ser questionável a seriedade de qualquer grupo aos 10 ou 11 anos de idade, o quarteto lança o álbum “It Won’t Always Be Like This” nesta sexta-feira (9).

A faixa-título que, em tradução livre significa “Nem sempre será assim”, casa bem com o momento da pandemia, mas foi escrita bem antes do caos, para falar sobre um fim de relacionamento.

“O sentimento é exatamente esse que significa que as coisas vão mudar. É sobre as suas experiências durante essa mudança”, explica Hewson sobre o álbum que considera otimista.

“Muitas músicas foram inspiradas por esse período de vida quando você não é um adolescente, mas não é um adulto, você está ali no meio”.

Banda irlandesa Inhaler lança 1º álbum, ‘It Won’t Always Be Like This’; no canto direito, o vocalista Elijah Hewson, filho de Bono, do U2 — Foto: Divulgação

Muitas músicas são mais antigas e foram escritas no calor de turnês e shows, que deram maturidade ao grupo ao longo dos anos. Eles dizem que finalmente lançar o álbum foi um “sentimento de alívio em todos sentidos”.

“Algumas dessas músicas têm 5 anos, então o fato delas, finalmente, não serem só mais nossas, estarem disponíveis para outras pessoas ao redor do mundo curtirem é ótimo”, diz o baterista Ryan McMahon.

Os meninos já ostentam o tom blasé de estrelas do rock e contam que não deram muito opção para os pais. Era essa carreira que queriam seguir e ponto.

“Eles ouviram as músicas que escrevemos e acreditamos, nos apoiaram e viram que somos apaixonados por isso. Não temos prazer em fazer outra coisa além da música, então…”, diz McMahon.

“Eles não tiveram escolha, na verdade. A gente ia fazer música de qualquer forma”, completa Hewson.

Músicas que gostam de ouvir

O álbum estava pronto antes da pandemia, mas o tempo em casa permitiu que músicas como “Who’s Your Money On” e “What a Strange Time To Be Alive” fossem escritas.

Stone Roses e Strokes são grandes referências para os meninos de Dublin, o que fica perceptível nas músicas que fazem.

Fotos de 2015 mostram começo da banda Inhaler com guitarrista Josh Jenkinson, baterista Ryan McMahon e baixista Robert Keating juntos; na foto ao lado, o vocalista e guitarrista Elijah Hewson , filho de Bono — Foto: Reprodução/Instagram/Inhaler

“A gente escreve músicas que poderiam ser das nossas bandas preferidas”, afirma o pouco modesto McMahon.

“‘Who’s your money on’ parece uma colaboração da banda New Order com Talking Heads, algo assim. When It Breaks’ poderia ser, sei lá, Strokes com Thin Lizzy”. A gente escreve as músicas que gostaríamos de ouvir”.

O quarteto até gosta da ideia de ser uma banda capaz de lotar estádios, como o U2 faz há anos, mas não parece ser muito encanado com isso.

“Com certeza, seria o máximo, mas nós não planejamos ser uma banda de estádio. Como colegas de banda, nosso objetivo é escrever músicas e acharmos que somos estrelas do rock“, diz o filho de Bono.

“Se a gente puder tocar em estádios, ok, vai ser ótimo, mas se não rolar, estamos bem com isso também.”

“Seria demais tocar em um estádio cheio de gente que gosta muito das músicas, mas não para 90 mil estranhos”, sonha McMahon.

E o Bono dá aquela conferida nas músicas?

Mesmo com a possibilidade de ter os ouvidos de Bono à disposição em um corriqueiro café da manhã, Hewson prefere manter o pai longe do som que faz com os amigos.

“[Ele só opina ] quando eu pergunto, mas isso nunca, nunca acontece. Nós escolhemos manter nossos trabalhos distantes uns dos outros”.

“Uma coisa que sempre foi importante para gente foi descobrir como era ter uma banda por conta própria, nunca teve um caminho fácil para gente, mas já pedimos conselhos a ele sim”, explica Hewson.

Veja reportagem abaixo de quando o U2 esteve no Brasil em 2017:

Bono demonstra simpatia e bom humor em São Paulo
Bono demonstra simpatia e bom humor em São Paulo

Bono demonstra simpatia e bom humor em São Paulo



Fonte: Pop & Arte