“Falta o olho no olho”, diz Daniela Mercury sobre lives

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A cantora de 55 anos, que teve sua live incluída em uma lista das dez melhores do mundo, conta como as três filhas e a mulher, Malu, ajudam a superar a saudade do calor das multidões

Sua Live da Rainha foi eleita pela crítica do The New York Times como uma das dez melhores do mundo na quarentena. Esperava entrar nesse rol? O show foi vivo, me diverti horrores e terminei realizada. Esses são bons indicadores de que deu certo. Não acompanhei muitas lives, mas acredito que, sim, a minha merece estar entre as melhores do mundo.

A senhora disse que constar nesse ranking é mais importante do que o Grammy, que ganhou em 2007. Não é exagero? Não. Em premiações como o Grammy competimos com artistas do mesmo gênero musical ou país. Agora, fui comparada com gente dos mais diversos gêneros de todo o planeta. Por isso valorizei tanto a menção.

Como preparou a live em casa? Eu cuidei da direção e do roteiro, enquanto minha mulher, Malu, ficou com a produção. Como nunca tinha feito uma live grande, tive dúvidas básicas. Não sabia se devia beber água ou enxugar o rosto no meio da apresentação, por exemplo. E morri de sede. É uma linguagem nova, que estou aprendendo.

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É difícil para alguém tão acostumada a aglomerações fazer show a distância? Os shows on-line são muito mais cansativos emocionalmente, pois você precisa manter o público atento do começo ao fim, sem contar com o olho no olho para medir a temperatura.

Sente falta da plateia? Nunca me senti tão presa quanto agora. Em meus shows ao vivo, há momentos em que nem preciso cantar. Fico só ouvindo o público. A cumplicidade é máxima.

Suas três filhas mais novas participam de suas lives. É bom trabalhar com elas? Está sendo genial. Isso nos aproximou muito. Meus dois filhos mais velhos são artistas, mas as meninas nunca tinham feito nada nessa área. A casa virou palco. Lá dentro, só ficamos eu, as três e a Malu.

Suas filhas lidam bem com a sua sexualidade? Elas cresceram comigo e Malu. É um assunto natural para nós. E elas são militantes. Um dia, a Bela (de 10 anos) reclamou que a professora tinha pedido aos alunos para falar algo com “os pais”. Sentiu que a família dela estava sendo excluída. Na aula seguinte, fez questão de esclarecer que tinha duas mães.

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Vai sobreviver sem o Carnaval em 2021? Vou, mas vai fazer uma falta imensa. O meu gênero musical foi construído em cima do trio elétrico.

Publicado em VEJA de 12 de agosto de 2020, edição nº 2699


Fonte: Jovem Pan

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