‘Ela era uma vítima, Marcos era muito tóxico’, diz autor de biografia de Elize Matsunaga

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Em entrevista ao Pânico, Ulisses Campbell afirmou que seria impossível não imaginar um fim trágico para o casal: ‘Eu penso que se não fosse ele, seria ela mais cedo ou mais tarde’

Reprodução/Pânico

Após virar um documentário de sucesso no Netflix, o crime que envolve a família Matsunaga será narrado numa biografia não autorizada de Elize Matsunaga, com previsão de lançamento para o final de agosto. Em entrevista ao Pânico, Ulisses Campbell,  autor e jornalista que entrevistou mais de cem pessoas para o livro, afirmou que Elize e Marcos Matsunaga viviam um relacionamento conturbado. “A Elize matou um marido que era extremamente violento com ela. Ela era tão carente que se apaixonava pelos clientes dela.

Uma cafetina dizia para ela ‘você nunca vai ser feliz com um cliente, porque ele sempre vai te ver como prostituta’. Ela diz até hoje que ela amava o Marcos e que o Marcos amava ela, mas ele nunca deixou de sair com prostitutas. A Elize era uma vítima, o Marcos era muito tóxico. Não que eu esteja justificando, porque nada justifica. Como eles eram feitos um para o outro e viviam no mesmo universo violento, eu penso que se não fosse ele, seria ela mais cedo ou mais tarde. Eu não acho que ele mataria, mas é impossível não imaginar um final trágico para esse casamento.”

Ulisses refletiu sobre o método de organização do crime e a infância conturbada de Elize. Para ele, o crime não foi premeditado. “Se o crime tivesse sido premeditado, ela teria esperado um pouquinho mais pra fazer isso. Porque ela matou o marido no sábado e a Yoki foi vendida apenas quatro dias depois. Ainda estavam em processo de negociação. A Elize é vítima da família desestruturada, quando ela tinha 15 anos ela foi violentada pelo padrasto. Quando foi contar pra mãe, a mãe tirou satisfação com o padrasto e ele disse que havia sido seduzido por ela. Ela foi expulsa de casa. O que escandaliza é o esquartejamento, porque ela matou num piscar de olhos, mas passou seis horas esquartejando o marido num quarto de hóspedes enquanto a babá cuidava da filha. De onde vem a conclusão que ela tenha psicopatia? Justamente pelo fato dela ter esquartejado o marido.”

Quando o crime ocorreu, em maio de 2012, a filha dos Matsunaga tinha completado recentemente um ano. Ulisses Campbell acredita que o documentário da Netflix tenha sido feito para mostrar à filha, que hoje é criada pela família de Marcos Matsunaga, o lado de Elize na história. “A família do Marcos me disse que a menina já sabe tudo o que a mãe fez. A menina inclusive teve que mudar de escola. A maneira de contar para a filha o que aconteceu foi com esse documentário. Tanto que você pode ver que ele não explora a prostituição e o esquartejamento, que diz muito mais sobre ela do que o próprio assassinato. O documentário é uma peça de comunicação com a filha”, analisa o autor.

Fonte: Jovem Pan