BDSM é pop: famosos adotam máscaras e acessórios de feitiche sexual na volta dos eventos | Pop & Arte

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Madonna e Kim Kardashian vestiram couro dos pés à cabeça nos dois últimos grandes eventos do calendário pop – VMA e Met Gala, respectivamente. Elas não estavam deslocadas. Outros famosos adotam visual inspirado no BDSM na volta dos tapetes vermelhos.

O BDSM é um conjunto de práticas sexuais que envolve bondage – amarrar e prender o parceiro -, dominação, submissão e sadomasoquismo. Roupas e acessórios de couro e de metal são marcas desse universo.

Não é de hoje que essa subcultura invade tapetes vermelhos e outros campos populares – vide o punk rock, nos anos 70. Mas, em 2021, as referências andam explícitas e ousadas.

“Essa releitura é antiga, desde o (estilista) Claude Montana no fim dos anos 70. (Therry) Mugler e (Azzedine) Alaia também se aproximaram do leather (couro) e desse submundo das práticas sexuais, principalmente homossexuais, dos anos 70 e 80”, diz o estilista e professor Lorenzo Merlino.

“Mas, sem dúvida, existe hoje uma ocorrência simultânea muito forte e marcante, principalmente na figura da Kim Kardashian”, diz Lorenzo.

“Acho que tudo isso foi exacerbado pela questão da pandemia. Esse ano e meio que a humanidade passou em repressão necessária fez aflorar todos os desejos, pulsões que ficaram reprimidas por muito tempo“, ele diz.

“Atribuo isso totalmente a um sentimento de libertação, a uma explosão que é absolutamente compreensível e até esperada. Acredito que em vários outros setores da sociedade a gente vai ver isso acontecendo”, diz Lorenzo.

A cantora Ashanti no tapete vermelho do VMA 2021 — Foto: Andrew Kelly / Reuters

A principal grife hoje a transformar o fetiche em peças autorais é a Balenciaga. O diretor criativo Demna Gvasalia, além de assinar a roupa, chegou com a mesma máscara de couro ao Met Gala ao lado de Kim Kardashian – depois, ao entrar na festa, ela trocou por um material mais flexível.

“O Demna usa muito essa estética desde a Vetements, grife que ele criou com o irmão. Em 2018 eles fizeram um desfile que usa muitos elementos do punk rock e o sadomasoquismo. Essa roupa da Kim foi recriada pela Balenciaga”, diz o stylist Marcos Lacerda.

Lorenzo Merlino cita outros nomes importantes: “O Richard Quinn , que vestiu a (cantora) Kim Petras no VMA, é próximo desse universo, usa muito o rosto coberto. O Thom Browne, que vestiu o Evan Mock (ator de “Gossip girl”) no Met Gala , mescla o bondage, o leather e o sexo nas coleções dele”.

Clipe de ‘Wap’, de Cardi B e Megan Thee Stallion — Foto: Divulgação

No caminho natural da moda, será que essa tendência vai chegar às lojas de departamento? No Reino Unido, as marcas de “fast fashion” já vendem muitos acessórios inspirados no BDSM. “Acho que isso aparecer no tapete vermelho é só uma leve demostração do que está por vir”, aposta Marcos Lacerda.

Sobre a cobertura total de couro de Kim Kardashian, Lorenzo explica que também há uma influência distinta do estilista Martin Margiela – assim como no trabalho do ex-marido Kanye West. “Ele trabalhou a questão do rosto coberto não em aproximação com o bondage, mas de uma eliminação da figura.”

“O Margiela queria mostrar com isso uma exacerbação da ideia de que a roupa devia bastar por si só, sem precisar dos recursos da supermodelos, da maquiagem, cabelo e figura pessoal. A Kim atualiza isso para os tempos contemporâneos”, ele diz.

Evan Mock, ator de ‘Gossip Girl’, após tirar a máscara de couro no Met Gala — Foto: Theo Wargo / Getty Images via AFP

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Fonte: Pop & Arte