Anitta no Coachella: cantora dá destaque inédito ao pop brasileiro no maior festival do mundo | Música

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O Brasil nunca teve tanto destaque no Coachella, principal festival de música pop do mundo, como em 2022. A prova disso está no cartaz do evento.

Anitta, Pabllo Vittar e a DJ Anna vão cantar no festival nos EUA, em abril. As atrações principais, no topo da lista, são Harry Styles, Kanye West e Billie Eilish.

Antes das cantoras, o maior destaque que o pop brasileiro havia tido em um cartaz de Coachella era uma sexta linha no pôster. Isso aconteceu três vezes: com o trio paranaense Bonde do Rolê, o grupo paulistano Cansei de Ser Sexy e o cantor-ator Seu Jorge.

Neste ano, Anitta aparece na segunda linha e Pabllo, na quarta. O festival também já teve outros brasileiros como Emicida, Céu, Boogarins, The Twelves, Gui Boratto, Amon Tobin e Anna. Das vinte edições anteriores, metade teve brasileiro.

Programação completa do festival Coachella 2022 — Foto: Divulgação

Elas já estavam na escalação do evento em 2020, que foi cancelado por causa da pandemia – assim como o de 2021. Na escalação de 2022, Anitta até subiu uma linha, da terceira para a segunda.

Em 2020, o podcast g1 ouviu explicou a importância do Coachella, relembrou a presença de brasileiros e mostrou por que a presença de Anitta é nosso auge na Califórnia:

O chefão do Coachella, o empresário e produtor Paul Tollett, disse para a revista “New Yorker” que a escolha dos artistas é como se fosse uma aposta, um investimento em ações. E o mercado hoje é muito mais rápido.

Ele faz uma oferta para uma banda uns meses antes e quando chega a hora do festival o mundo está completamente diferente. Foi assim, por exemplo, com Amy Winehouse na edição de 2007. Ela foi contratada como uma aposta de penúltima linha de cartaz e cantou no Coachella como uma popstar.

A teoria de Tollet sobre o fim da fronteira entre alternativo e pop se encaixa bem na história da Pabllo. Ela virou estrela sem gravadora e com um esquema seria chamado de indie em outros tempos. O produtor da cantora é Rodrigo Gorky, ex-membro do já citado Bonde do Rolê.

É importante estar no alto do cartaz?

Pabllo Vittar faz participação no show de Major Lazer no Coachella 2019 — Foto: Divulgação

Estar no alto de um cartaz não é besteira de fã. No perfil da “New Yorker”, ele fala sobre o cuidado para posicionar os nomes. O chefão do Coachella falou que, para muitos artistas, o lugar no cartaz se reflete no cachê do resto do ano.

No meio da reportagem, aparece o empresário do Martin Garrix, o mega DJ holandês, pessoalmente no escritório da produtora Goldenvoice. Ele foi brigar para melhorar a posição e o horário do Garrix. E mostra os números de streaming, falando que são melhores que do DJ Snake, acima no cartaz.

No final, os dois DJs apareceram na segunda linha. Ou seja, a posição importa sim, e o fato de o Brasil aparecer em destaque inédito é legal.

Anitta canta no Rock in Rio Lisboa

Anitta canta no Rock in Rio Lisboa

Anitta disse ao g1 em 2020 que cantaria no palco principal. “Desde que a gente concretizou de verdade esse show, foi difícil segurar o segredo porque é muito emocionante pra mim. Com certeza é o auge. Depois disso não precisa mais nada. Estou 100% realizada.”

Anitta costuma levar uma apresentação diferente das que faz no Brasil quando sobe aos palcos internacionais. Foi assim no Rock in Rio Lisboa 2019, quando levou ao show referências brasileiras como Carmen Miranda, “Garota de Ipanema” e “Chorando se foi”.

A estratégia deve se repetir no Coachella: “Eu vou fazer um show super diferente, mais voltado para um público internacional. Vou cantar minhas músicas, claro, em português. Mas a intenção é mostrar o ritmo do funk, a cultura brasileira como é. Vai ser um show mais cultural do que qualquer outra coisa”, ela disse em 2020.

Já Pabllo Vittar não será exatamente uma novidade no festival. Em 2019, ela fez duas participações especiais. Cantou “Sua Cara” no show do Major Lazer e “Energia” com o duo de eletrônica Sofi Tukker.

Frequentadores do festival Coachella 2018 assistem à performance do festival — Foto: Mario Anzuoni/Reuters

O Coachella 2022 acontece em abril, na cidade de Índio, no meio do deserto da Califórnia. Por lá, a organização monta quase uma cidade para receber milhares de pessoas em cada um dos seis dias de festival. O lugar era um campo de polo equestre.

Nos anos 90, o Pearl Jam estava brigando com a Ticketmaster, empresa que dominava o mercado de ingressos dos EUA. Eddie Vedder, vocalista da banda, odiava esse monopólio e pediu ajuda para uma produtora de hardcore de Los Angeles, chamada Goldenvoice. Queria achar um lugar alternativo e fazer o show por conta própria.

O show rolou, com o público gigante do grunge na época, e essa produtora notou que o lugar era especial. Em 1999, aconteceu o primeiro Coachella. Tinha Beck, Rage Against the Machine e muito rock alternativo. No começo, dava prejuízo. Mas a imprensa, os artistas e esse público alternativo curtiam muito.

O Coachella foi crescendo e a produtora de hardcore virou parceira de uma mega corporação, a A.E.G. Em uma época boa para festivais, adaptaram a aura hippie dos anos 60 pra era do Instagram. E mantiveram parte do espírito alternativo da Goldenvoice. Era um evento com menos cara de shopping center e parque de diversões do que o Rock in Rio, por exemplo.

O resumo é que o Coachella virou cool e todo mundo quer ser visto lá. Nos últimos anos, a imprensa do mundo ficou de olho na plateia e não apenas nos shows de gente como Paul McCartney, Prince, Radiohead, The Cure, Madonna, Kanye West, Jay-Z e Beyoncé.

Beyoncé canta no Coachella — Foto: Divulgação/Site oficial da cantora



Fonte: Pop & Arte