Unicamp vê risco de corte em atendimento hospitalar e outras áreas se governo de SP absorver superávit das universidades

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Projeto de Lei do governo foi enviado à Alesp como uma das soluções para equilíbrio econômico das contas do estado, mas afeta direta ou indiretamente universidades e institutos de pesquisa. Reitor da Unicamp, Marcelo Knobel faz transmissão ao vivo para falar da situação orçamentária da universidade de Campinas
Reprodução/Youtube Unicamp
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) teme cortes em atendimentos hospitalares, bolsas de auxílio e pesquisa e também na educação se o Projeto de Lei 529 apresentado pelo Governo do Estado de São Paulo em busca de equilíbrio econômico for aprovado na Assembleia Legislativa (Alesp). A proposta prevê a transferência para o estado do superávit das universidades e institutos de pesquisa.
Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (19), o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, afirmou que as universidades paulistas foram pegas de surpresa com a possibilidade de perder recursos, uma vez que já enfrentam crise financeira e chegaram a pleitear junto ao estado mais verba para liquidar seus compromissos neste ano de pandemia da Covid-19. Fora a perda de autonomia para a gestão dos seus recursos.
“Existe, sim, a possibilidade de reduzir atendimentos hospitalares. Os recursos SUS continuam acontecendo, mas cobrem apenas um terço (1/3) do custo da área hospitalar. Dois terços (2/3) são financiados pela universidade. Havendo corte, a gente terá que cortar em todas as áreas. Então, vai afetar diretamente a área hospitalar, não tenho dúvida nenhuma.”, explicou o reitor.
Unicamp teme piora da crise financeira se projeto do governo de SP for aprovado na Alesp.
Inaê Miranda
No caso da Unicamp, que ano após ano amarga déficit no seu orçamento, o balanço financeiro aponta um superávit, ou “sobra”, referente ao patrimônio que a universidade tem construído ao longo dos anos.
“Não é reserva. É a saúde financeira da instituição. Ter um superávit no balanço patrimonial é importante para dizer que a universidade está bem, não tem dívidas. […] Nesse balanço vem os recursos de exercícios anteriores, quanto valem os imóveis da universidade, se comprou ou vendeu, ou se foi algum carro que deixou de ser usado, e mesmo os valores empenhados”.
“Sabendo que os recursos serão retirados no fim do ano, qual será o incentivo para guardar recursos no fim do exercício? Todo mundo vai querer “torrar” o dinheiro no fim do ano para simplesmente usar o recurso. Isso vai contra qualquer gestão cuidadosa, precavida do uso de recursos públicos”.
Atualmente, além de ser uma unidade de referência para casos de alta complexidade no estado, o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp tem realizado cerca de 25% dos testes de Covid-19 do estado, em parceria com o Instituto Butantan, ressaltou o reitor.
Alem dos atendimentos de alta complexidade a pacientes, o Hospital de Clínicas da Unicamp realiza cerca de 25% dos testes de Covid do estado.
Reprodução/EPTV
R$ 48 milhões em risco
O valor se refere à história da Unicamp, e já vem sendo absorvido como uma reserva, resultante da administração financeira da instituição, para fechar as contas no azul, ou seja, sem a necessidade de fazer dívidas e empréstimos para pagar, por exemplo, os salários de professores.
A verba patrimonial que está em risco é de aproximadamente R$ 48 milhões, referentes aos gastos ordinários da instituição e resultantes de repasses anteriores do governo. Em 2018, esse superávit ordinário era de R$ 104 milhões.
Só a folha de pagamento da Unicamp gira em torno de R$ 170 milhões, afirmou Knobel.
“Há estudos mostrando que cada R$ investido na universidade, na Fapesp, retorna à sociedade multiplicado. Com formação de empresas, patentes, trabalhos científicos, tecnologias, tratamentos de saúde, políticas públicas. O retorno para a sociedade é muito superior do que o que é investido nas universidades públicas”.
Vista aérea da Unicamp, em Campinas
Antoninho Perri/Ascom/Unicamp
Convencimento da Alesp
Nesta quarta, diretores da Unicamp fizeram uma carta aberta aos deputados para expor os riscos com a “devolução” ao estado de valores que, segundo Knobel, são extremamente necessários para o funcionamento da universidade.
“O PL 529 não apenas atenta contra a Constituição Federal e a Estadual no que tange à autonomia das instituições envolvidas, mas também, e sobretudo, contra atividades essenciais que essas mesmas instituições vêm implementando para enfrentar as crises sanitária e econômica que vivemos.”, diz parte do texto. Confira a carta na íntegra.
Ao longo dos últimos dias, o reitor tem conversado com parlamentares sobre o que o superávit significa para o funcionamento e a sobrevivência da Unicamp.
“Dificuldade que temos de mostrar a diferença entre a situação real das universidades, uma crise financeira muito forte, do que aparenta ser um superávit financeiro, que não existe.”, diz Knobel.
Na próxima semana, o Conselho Universitário deve realizar uma reunião extraordinária para discutir com a comunidade universitária todos os impactos e perdas com a medida. A votação na Alesp não tem data definida, mas o governo estadual pediu que ocorra em regime de urgência.
Alesp deve votar nas próximas semanas o Projeto de Lei do governo do estado que prevê extinção de autarquias e fundações estaduais.
Sergio Galdino/Alesp
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Fonte: Fonte: G1

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