Unesco apoia volta do ensino presencial obrigatório em SP; especialistas pedem protocolos e reforma nas escolas | São Paulo

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A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) disse que apoia a volta do ensino 100% presencial e obrigatório nas escolas de São Paulo, conforme anunciou o governo do estado nesta quarta-feira (13). Para outros especialistas, contudo, o cenário ainda não é seguro o suficiente sem reformas nas escolas e a manutenção de todas as medidas sanitárias.

Nesta manhã, a Secretaria de Estado da Saúde confirmou que as aulas presenciais voltam a ser obrigatórias nas redes pública e privada de São Paulo a partir da próxima segunda-feira (18), e que os estudantes só poderão deixar de frequentar as unidades mediante apresentação de justificativa médica.

Logo cedo, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) se posicionou contrariamente à medida, que considerou desnecessária, descabida e perigosa. Entre os argumentos está o de que em diversas unidades há poucos ou nenhum funcionário de limpeza para garantir a higienização.

A Unesco, por outro lado, não tem dúvidas de que este é o momento de reabrir as escolas, especialmente considerando os prejuízos do ensino à distância na aprendizagem.

“Nada substitui o ensino presencial e sabemos que muitos alunos e famílias tiveram problemas de conectividade e nos equipamentos para o ensino hibrido. As populações vulneráveis não têm condições de comprar pacotes de dados e o suporte não foi suficientemente bem estruturado no Brasil, apesar do esforço das secretarias de Educação. A Unesco vêm alertando para a catástrofe que o ensino à distância pode causar na aprendizagem, com perdas educacionais muito expressivas, inclusive no processo cognitivo”, disse Marlova Noleto, diretora e representante da Unesco no Brasil.

Retomada ao ensino presencial se torna obrigatória a partir de segunda-feira (18).

Retomada ao ensino presencial se torna obrigatória a partir de segunda-feira (18).

“Estamos desde julho trabalhando e advogando pela reabertura segura e gradual nas escolas. O Imperial College identificou que a taxa de transmissão do coronavírus no Brasil é a mais baixa desde abril de 2020, São Paulo tem um grande percentual de população vacinada e está com tudo aberto – bares, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais. Por que só a escola seria um local de transmissão?”, continuou a porta-voz da agência.

Marlova Noleto destacou que o retorno 100% presencial deve acontecer com a manutenção das medidas não-farmacológicas, como uso de máscara e álcool em gel, higienização dos ambientes e um planejamento que impeça aglomerações, conforme as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a pandemia.

Já o governo Doria informou que o distanciamento entre as carteiras deixará de ser exigido a partir do dia 3 de novembro.

Movimentação de estudantes na retomada das aulas presenciais na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) São Paulo, na Vila Clementino, zona sul da capital paulista, na manhã desta segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021, em meio à pandemia de coronavírus (covid-19). — Foto: BRUNO ROCHA/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO

Especialistas pedem reformas e protocolos

Ethel Maciel, phD em Epidemiologia pela Universidade Johns Hopkins e professora titular da Universidade Federal do Espírito Santos (Ufes), só concorda com a volta do ensino 100% presencial e obrigatório nas escolas de São Paulo mediante a manutenção dos protocolos da OMS e ao menos a disponibilização de testes.

“Temos que pensar no retorno sob o ponto de vista pedagógico, mas epidemiológico, e sob este último o panorama ainda é ruim. Ainda não há vacinas para as crianças e os adolescentes acabaram de tomar a 1ª dose. A falta dessa proteção propicia a transmissão, de modo que é ruim retomar sem a que a gente tenha ao menos um programa de testagem. Isso já traria uma segurança porque poderíamos monitorar as crianças, os familiares e uma orientação sobre o que fazer em casos positivos”, argumentou.

O professor Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação, acompanha a doutora Ethel sobre o receio, e alerta sobre a estrutura das escolas para esta nova fase no ensino durante a pandemia.

“Eu acho um tanto preocupante este retorno. As crianças não estão todas vacinadas, ainda tem havido muitos relatos de professores com Covid-19 e soube de poucas obras para adequar as escolas para essa situação, com refeitórios e banheiros públicos ainda um tanto descuidados, sem ventilação, com necessidade de aumentar as equipes da limpeza. É mesmo gravíssimo o prejuízo que o ensino à distância causa, mas a perda da vida também é”, argumentou Janine.

Vacinação no estado de SP

Segundo dados do Vacinômetro atualizados até as 7h17 desta quarta, foram aplicadas 66,7 milhões de doses no estado, o que representa:

  • 99,37% da população adulta com uma dose
  • 80,27% da população adulta com esquema vacinal completo
  • 82,78% da população total com uma dose
  • 61,55% da população total com esquema vacinal completo

Em setembro do ano passado, o estado retomou as aulas presenciais durante a pandemia, mas manteve um percentual limitador de 35% dos alunos matriculados por dia.

Durante a fase emergencial, em março deste ano, as instituições ficaram abertas apenas para acolhimento de crianças em situação de maior vulnerabilidade e oferta de merenda.

Em abril, as escolas foram liberadas para voltar a receber alunos, desde que mantendo a capacidade máxima de 35%.

VOLTA ÀS AULAS EM SP: Alunos sentam em carteiras separadas na Escola Estadual Thomaz Rodrigues Alckmin, no bairro do Itaim Paulista, na Zona Leste da cidade de São Paulo, na manhã desta quarta-feira (7) — Foto: Werther Santana/Estadão Conteúdo

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Fonte: Fonte: G1