Programa da Unicamp atende 7,6 mil pessoas em ações voltadas à longevidade nos últimos 5 anos

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UniversIDADE oferece oficinas gratuitas nas áreas de arte, saúde e lazer para alunos com 50 anos ou mais. Em 2020, iniciativa projeta parcerias com prefeituras; veja relatos de atendidos. Alunas durante aula de confecção de bonecos de meia. Iniciativa é uma das 119 atividades gratuitas oferecidas pelo programa neste semestre.
Rosângela Martinhago
Um programa de longevidade criado na Unicamp oferece ações gratuitas para promover o envelhecimento com qualidade de vida. Desde que foi implantado, em 2015, o UniversIDADE já atendeu 7.634 pessoas em iniciativas voltadas à arte, saúde e lazer.
Neste fim de ano, o G1 decidiu mostrar números que transformaram realidades positivamente. Nesta reportagem, você confere como as atividades na Unicamp contribuíram para melhorar a qualidade de vida de pessoas que estão chegando na terceira idade. Veja relatos abaixo.
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A proposta inicial do programa era preparar os servidores mais antigos da universidade para a aposentadoria. O ineditismo da iniciativa, porém, fez com que ela fosse expandida para pessoas com 50 anos ou mais, de toda a região de Campinas.
“Nós notamos que, após a aposentadoria, muitas pessoas se sentem sozinhas. Os filhos de algumas já têm a própria família; outras são viúvas. No programa, elas encontram a socialização através das oficinas ou junto aos alunos de graduação e pós”, afirma a coordenadora do UniversIDADE, Isabel Araújo Floriano.
Neste semestre, o programa ofereceu 119 atividades gratuitas. Segundo Isabel, aproximadamente 200 propostas de oficinas já estão sendo analisadas para serem implantadas em maio de 2020, quando as aulas serão retomadas. Veja como participar.
“As ações são estruturadas em três áreas temáticas: arte e cultura, esporte e lazer e saúde física e mental. Todas são realizadas por voluntários: docentes, funcionários e alunos da Unicamp, além de profissionais externos. A gente nem faz mais propaganda para ter instrutores, porque não falta gente interessada em ajudar”, diz Isabel.
Oficina musical ‘Os prazeres’. Atividade está inserida nas áreas de arte e lazer.
Rosângela Martinhago
Aula que aborda plantas medicinais visa a promoção da saúde dos alunos.
Rosângela Martinhago
Além das oficinas, que buscam manter os alunos ativos fisicamente e mentalmente, além de oferecer estímulos de prevenção a doenças, o programa possibilita aos participantes cursar disciplinas dos cursos de graduação e pós da Unicamp. A iniciativa, segundo a coordenadora, visa gerar a sensação de pertencimento à universidade.
“Eles (os alunos) vão para a sala de aula e estudam com os alunos da graduação e pós. No próximo semestre, em parceria com a Faculdade de Enfermagem, nós teremos uma disciplina não-obrigatória própria do programa. Nela, 10 vagas serão oferecidas para estudantes de enfermagem que desejam aprender mais sobre longevidade e qualidade de vida”, explica.
‘Deixam o tratamento mais leve’
A aposentada Joana Maria da Silva, de 65 anos, participa do programa desde que a iniciativa começou, em 2015, e já fez aulas em várias áreas temáticas. No momento, ela diminuiu o ritmo de participação devido a um câncer no pâncreas. As aulas, segundo ela, ajudam a deixar o tratamento mais leve.
“Essa universidade é uma vitória muito grande para mim. Eu me sentia presa e, agora, tenho momentos de convivência que deixam até o tratamento da minha doença mais leve. Não consigo andar sozinha, então peço para os meus filhos me trazerem ou pego um Uber, mas não perco as aulas”, conta Joana.
Joana concilia as atividades do UniversIDADE com um tratamento de câncer: ‘não perco as aulas’.
Bárbara Brambila/G1
Uma das alunas mais longevas do UniversIDADE, Cynira Bernadete Gonçalves, de 89 anos, participa da iniciativa desde 2017.
“Já fiz aulas de voluntariado, teatro e, nesse semestre, entrei para o programa Oitenta Mais. Ele é feito para alunos com mais de 80 anos, e as atividades de alimentação, cognição e ginástica foram importantes para melhorar a minha saúde e prevenir quedas”, diz Cynira.
Cynira, de 89 anos, é uma das alunas mais longevas do programa.
Bárbara Brambila/G1
Projeções para o futuro
Para o ano que vem, a coordenação do programa projeta estabelecer parcerias com prefeituras da região para levar as atividades oferecidas a um número maior de pessoas. O objetivo é capacitar equipes que trabalham com a saúde do idoso.
“Os municípios ganham muito com isso. Pesquisas feitas na universidade apontam que, com as oficinas, nós já conseguimos reduzir o número de hipertensos e diabéticos”, diz o diretor da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC) da Unicamp, Wagner José Fávaro.
*sob a supervisão de Marcello Carvalho
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Fonte: Fonte: G1