Professoras relatam desafios e dificuldades durante pandemia em Juiz de Fora | Zona da Mata

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Nesta quinta-feira (15), é comemorado o Dia do Professor. Para lembrar da data, o G1 conversou com educadoras de Juiz de Fora, que falaram sobre os desafios e dificuldades durante a pandemia da Covid-19 no município. Veja abaixo.

No mês passado, o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 decidiu não liberar o retorno das atividades presenciais de ensino superior na cidade. A medida foi discutida após o Governo de Minas autorizar a volta das aulas. O Estado também deliberou sobre o retorno da educação básica.

O critério para a retomada, no caso das instituições de universidades públicas e particulares, é que as cidades estejam incluídas na Onda Amarela do “Minas Consciente”. Juiz de Fora, atualmente, está nesta etapa do programa.

Com a pandemia, os profissionais tiveram que adaptar as rotinas. A professora Patrícia Teixeira, que trabalha no Curso de Psicologia da Faculdade Machado Sobrinho, contou ao G1 que o período tem sido um grande desafio.

“A faculdade tem seguido remotamente nesse momento, o que nos faz inventar modos diferentes de pensar a transmissão do ensino de uma maneira oportuna. O momento também nos faz refletir sobre a importância dos encontros, da presença, do contato. Mas estamos inventando e construindo modos possíveis. Nesse processo, a cumplicidade dos estudantes tem sido muito importante”.

Já a professora Narcisa Saggioro de Moraes, que atua na Escola Municipal Edith Merhey dando aula para a Educação Infantil e na Escola Estadual Professor Lindolfo Gomes, para o 1° ano do Ensino Fundamental, explicou como está sendo o momento.

“Como dou aula de alfabetização é complicado achar um caminho. Abrimos um grupo de WhatsApp e no Facebook para atender as crianças. O contato que mais temos é com os responsáveis, porque elas não sabem ler ainda. Para as lições chegarem até os alunos, passamos para os pais. Muitas das vezes, as famílias não têm acesso à internet”, contou.

De acordo com a professora, com as atividades remotas, as educadoras tiveram que repensar o jeito de aplicar os exercícios curriculares. “Para pensarmos em fazer uma atividade, temos que refletir sobre o que a criança vai ter em casa, qual o espaço disponível e com quem ela vai fazer”.

Em entrevista ao G1, a professora de Matemática, Margareth de Castro, explicou como é realizado o trabalho por ela, que atua na Escola Municipal Doutor Adhemar Rezende de Andrade, que fica no Bairro São Pedro.

Preparamos as atividades, exercícios ou vídeos. Temos as plataformas para disponibilizar, como o Facebook, WhatsApp, Blog da escola e emails. Os nossos alunos não são aqueles que têm condições de ter uma internet suficiente. Algumas são impressas para os pais buscarem também

— Margareth de Castro

Com o distanciamento, professoras relataram à reportagem um único sentimento: a saudade. De acordo com Patrícia Teixeira, ela sente falta do contato e da presença.

“No meu modo de conduzir o trabalho de ensino, eu gosto de observar como a minha palavra está incidindo para cada um dos alunos e, para isso, observar suas expressões, o modo como cada um se posiciona nas aulas, isso faz muita diferença e me ajuda a pensar o trabalho. Até mesmo as conversas que acontecem nos intervalos, as dúvidas que eles aproveitam para tirar no finalzinho das aulas. Isso faz diferença”.

Conforme Narcisa Saggioro, o contato com a criança faz falta no dia a dia. “Trabalho com educação infantil e alfabetização e ensino muito através da brincadeira e jogos. […] Esse contato físico, a garotada aprende muito quando se identifica com a professora, tem aquele carinho mútuo”, analisou.

Já segundo a professora Margareth de Castro, “a falta que sentimos do aluno não tem um adjetivo para qualificar”. Ainda de acordo com ela, quando o estudante envia alguma atividade remotamente ou fala com ela pelas redes sociais, é gratificante. “Sentimos falta do quadro, do giz, da interação, do teatro e leitura”, finalizou.

Para cada entrevistada, o G1 pediu para que enviasse o que “é ser professora”, como uma forma de homenagear as profissionais nesta data especial. Veja abaixo o relato de cada uma.

A professora Patrícia Teixeira em uma excursão antes da pandemia com os alunos dela — Foto: Patrícia Teixeira/Arquivo Pessoal

“Ser professora é pra mim uma realização. Eu me formei na Faculdade Machado Sobrinho e desde a graduação eu já idealizava a possibilidade de um dia ser professora na instituição. Faço parte do corpo docente desde março de 2018, quando entrei para uma vaga de substituição, mas tive a oportunidade de continuar. Acredito que a educação é uma das possibilidades de transformação mais oportunas na vida das pessoas e da sociedade. Portanto, participar da formação profissional de futuros psicólogos é uma grande alegria! Espero sempre fazer alguma diferença na vida de cada um deles seja na transmissão do saber ou no desejo pelo trabalho”.

Margareth de Castro, professora em Juiz de Fora — Foto: Margareth de Castro/Arquivo Pessoal

“Ser professora pra mim é tudo. É um dom. Vou fazer 65 anos em janeiro e espero colaborar ainda mais para esses alunos que eu amo. Amo ser professora! Não seria outra coisa. Gosto muito de ler, explorar, desenvolver atividades que possam ajudar determinados estudantes. É muito gratificante quando se tem resultado, uma formatura e você recebe um abraço daquele que vai para o Ensino Médio”.

Desenho feito por uma aluna da Narcisa Saggiora, professora em Juiz de Fora — Foto: Narcisa Saggiora/Arquivo Pessoal

[…] Ser professora é está aberta a conhecer a criança, o ser humano que está ali para você trazer o conhecimento mas partindo do que a criança já sabe. Ela já vem com uma história. Além disso, é não desistir […] A criança chega no começo do ano de um jeito e ela passa o período todo com a gente e no fim ela tem que sair melhor. Por isso, temos que confiar no potencial delas e não desistir em nenhum momento e fazer o que podemos para despertar o gosto do estudo e o desejo de aprender”.



Fonte: Fonte: G1

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