Presente de grego? Segundo um novo estudo, apesar da população brasileira estar vivendo mais, ela passa, em média, 12,5 anos com alguma doença ou limitação.
O fenômeno é conhecido por cientistas como “lacuna de morbidade”. Basicamente, ela é a diferença entre a expectativa de vida total e a expectativa de vida saudável. Isso explica por que o indicador sobe com o aumento do tempo de vida.
O levantamento, que cobriu 204 países, coloca o Brasil na 16ª posição entre as nações com mais anos vividos sob problemas de saúde. Para efeito de comparação, nas últimas três décadas, o tempo que um brasileiro passa se cuidando aumentou 20%.
Na prática, a população passa 16% da vida em condições de saúde precária. Mais da metade dos anos vividos com problemas vêm de dores no corpo, perda auditiva e transtornos mentais, como depressão e ansiedade.
Ainda assim, no mesmo período, a expectativa de vida ao nascer no país passou de 68 anos para 76 anos — um ganho de 8,5 anos. O aumento foi puxado principalmente por melhores condições de saneamento básico, vacinação e diagnóstico precoce de doenças.
Hoje, o que mudou foi o tipo de doença que mata e adoece a população. Doenças infecciosas deram lugar a doenças crônicas — cardiovasculares, diabetes, câncer e demências —, que matam menos, mas duram muito mais.







