Mourão chama de ‘hipocrisia’ recusa à volta das universidades federais em meio à pandemia: ‘Vão para bares, mas não podem ir para a aula’ | Política

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O Ministério da Educação determinou a volta às aulas a partir de 4 de janeiro de 2021. A decisão foi mal recebida em todo o país pela comunidade acadêmica, que argumentou que a prioridade deve ser salvar vidas e que o retorno neste ponto da pandemia traz riscos a professores, alunos e servidores.

Para Mourão, as pessoas que não querem voltar às aulas são as mesmas que estão frequentando bares e restaurantes.

“Isso é um assunto controverso, porque acho que até tem certa hipocrisia. As pessoa saem para a rua, vão para bares, restaurantes, mas não podem ir para aula”, disse o vice-presidente.

“A mesma turma que não quer voltar para aula, vai para balada, vai parar bar. Então, vamos ser coerente nas coisas”, completou.

Mourão disse ainda que, na opinião dele, é possível retomar as aulas com segurança.

“Lá no Espírito Santo eles estão com aula presencial. Vai metade da turma num dia, metade no outro, de modo que você tenha o distanciamento na sala de aula. Com boa vontade e a gente consegue”, concluiu.

MEC determinou o retorno às aulas presenciais nas universidades federais em janeiro

MEC determinou o retorno às aulas presenciais nas universidades federais em janeiro

Reitores defendem que o retorno presencial só deve ocorrer se a situação local da pandemia permitir, e se houver segurança para garantir que não haja aumento nas transmissões do coronavírus.

“A Universidade de Brasília reitera que não colocará em risco a saúde de sua comunidade”, afirmou a instituição, em nota.

Vice-reitor da Universidade Federal do ABC (UFABC), Wagner Carvalho disse: “Acho que nós estamos vivendo claramente uma segunda onda. Não é possível a gente colocar em risco toda a nossa comunidade”.

Em nota, a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG) disseram que a portaria é uma “atitude irresponsável, equivocada e que atenta contra a vida do povo brasileiro.”

“A retomada de atividades presenciais significaria uma verdadeira migração de milhões de estudantes, que em grande parte se encontram em regiões e/ou municípios distantes de seu local de estudo. Somado à circulação cotidiana em ambientes fechados nos campi e prédios das universidades, os riscos de contaminação e proliferação do vírus são altíssimos”, afirmou o texto.

Procurada pelo G1, a Andifes, associação que representa os reitores das universidades federais, afirmou que só vai se posicionar após reunião com os reitores.

O Conif, conselho que representa dos dirigentes dos institutos federais de ensino, afirmou em nota que a portaria foi publicada “sem nenhuma espécie de diálogo com as Instituições Federais de ensino, especialmente em meio a um novo crescimento dos casos da doença no Brasil” e classificou como um ato “arbitrário”, que desrespeita a autonomia das universidades e institutos de ensino.



Fonte: Fonte: G1