MEC apresenta dados inéditos do Saeb com avaliação em ciências para o 9º ano e de português e matemática do 2º ano do ensino fundamental | Educação

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O Ministério da Educação (MEC) anunciou nesta quarta-feira (4) os resultados da avaliação de conhecimentos em português e matemática de alunos 2º ano e de ciências para estudantes no 9º ano do ensino fundamental, o último da etapa.

Os dados são do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) que, pela primeira vez, aplicou testes com estes focos – até então, o Saeb avaliava alunos do 5º e 9º ano do ensino fundamental em português e matemática. Os dados referentes a estas etapas foram divulgados em setembro, com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

As provas do Saeb foram feitas entre 21 de outubro e 1º de novembro de 2019, período, portanto, anterior à pandemia. Os resultados são organizados em escalas de proficiência, que variam conforme a área de conhecimento e avançam de 25 em 25 pontos. O objetivo é avaliar o domínio dos estudantes sobre o conteúdo ensinado, seguindo matrizes de referências.

Confira abaixo os dados apresentados pelo MEC:

Proficiência do 2° ano do ensino fundamental

A maior parte (34,25%) dos alunos avaliados está nos níveis 3 e 4, seguido por 32,69% dos alunos nos níveis 5 e 6.

  • Abaixo do nível 1 – 2,82%
  • Nível 1 – 4,48%
  • Nível 2 – 8,62%
  • Nível 3 – 14,42%
  • Nível 4 – 19,83%
  • Nível 5 – 18,16%
  • Nível 6 – 14,53%
  • Nível 7 – 10,15%
  • Nível 8 – 6,99%

Segundo Aline Mara Fernandes Muler, pesquisadora do Inep, no nível 1 é exigido, por exemplo, conhecimentos de geometria, como o reconhecimento do triângulo em posição usual, reconhecimento da imagem e objeto físico em posição de pirâmide ou de cone. Em grandezas e medidas, é preciso comparar comprimentos e alturas de maneira indireta. Os demais níveis não foram detalhados.

A maior parte (39,94%) dos alunos avaliados está nos níveis 5 e 6.

  • Abaixo do nível 1 – 4,62%
  • Nível 1 – 4,22%
  • Nível 2 – 8,72%
  • Nível 3 – 11,9%
  • Nível 4 – 17,8%
  • Nível 5 – 21,55%
  • Nível 6 – 18,39%
  • Nível 7 – 9,76%
  • Nível 8 – 5,04%

No nível 1, por exemplo, é verificado se os estudantes podem relacionar os sons no início de uma palavra ditada, segundo Muler. Os demais níveis não foram detalhados.

Proficiência do 9° ano do ensino fundamental

A maior parte (52,16%) está nos níveis mais baixos de aprendizagem (abaixo de 1 até o nível 2), seguida por 30,78% dos alunos nos níveis 3 e 4.

  • Abaixo nível 1 – 16,97%
  • Nível 1 – 16,59%
  • Nível 2 – 18,6%
  • Nível 3 – 17,41%
  • Nível 4 – 13,37%
  • Nível 5 – 9,38%
  • Nível 6 – 4,83%
  • Nível 7 – 2,17%
  • Nível 8 – 0,6%
  • Nível 9 – 0,14%

No nível 1 de desempenho, são medidas habilidades de associação de ocorrência de temperatura e precipitação à probabilidade de aparecimento de arco-íris, por exemplo, ou de compreender a capacidade de carga competitiva do transporte de mercadorias por meio de navio cargueiro representado em uma imagem, afirma Muler.

No nível 9, o estudante compreende características da civilização grega durante época clássica, o que favoreceu a participação do homem na vida política; e tem compreensão da organização do trabalho servil e vínculo de vassalagem entre o guerreiro e nobre na Europa Medieval, segundo a pesquisadora. Os demais níveis não foram detalhados na apresentação.

A maior parte (68,61%) está nos níveis mais baixos de aprendizagem, abaixo do nível 1 até o nível 3.

  • Abaixo nível 1- 17,73%
  • Nível 1 – 16%
  • Nível 2 – 17,98%
  • Nível 3 – 16,8%
  • Nível 4 – 14,02%
  • Nível 5 – 9,81%
  • Nível 6 – 5,29%
  • Nível 7 – 1,87%
  • Nível 8 ou mais – 0,5%

No nível 1, o estudante apresenta compreensão sobre a vida e evolução. Também mensura a habilidade de reconhecer o uso de preservativo masculino para prevenção contra a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SID), antes chamada de Aids, bem como diferentes métodos contraceptivos, além de identificar o hormônio da adrenalina a partir de efeitos no corpo, segundo Muler.

No nível 8 está a habilidade de avaliar o efeito do campo magnético na Terra, e determinar a estação do ano a partir da duração do dia no Hemisferio Norte, associada à estação correspondente no Hemisfério Sul. Os demais níveis não foram detalhados pela pesquisadora.

O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) foi criado em 1990 e, desde então, é realizado a cada dois anos em todas as escolas públicas brasileiras e em uma amostra da rede privada.

A previsão do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é que, nesta edição, mais de 7 milhões de estudantes tenham participado da avaliação.

“Em 2020 comemora-se 30 anos da primeira aplicação. Estamos celebrando a história da maior avaliação da educação brasileira com o anúncio da sua ampliação, o novo Saeb. Quando foi lançado, em 1990, o Saeb buscava informações que contribuíssem para que professores, gestores e pesquisadores tivessem uma visão mais abrangente da educação brasileira. Os dados contribuem decisivamente para viabilizar ações no âmbito das políticas públicas visando uma contínua melhoria da qualidade educacional do país”, afirmou o ministro da Educação, Milton Ribeiro, durante webinário sobre os resultados do Saeb.

É a primeira vez que a pesquisa inclui estudantes do 2º ano do ensino fundamental e é a primeira vez também que avalia o conhecimento de ciência em alunos do 9º ano, o último do ciclo. Até a edição anterior, a análise do 9º ano abrangia somente português e matemática.

Assim, nesta edição, foram avaliados:

Ciências da natureza e ciências humanas:

  • Estudantes do 9° ano do ensino fundamental (amostral)

Língua portuguesa e matemática:

  • Estudantes do 2° ano do ensino fundamental (amostral)
  • Estudantes do 5º e 9º anos do ensino fundamental (censitário) – compõe o Ideb
  • Estudantes do 3ª ano do ensino médio (censitário) – compõe o Ideb

Segundo o Inep, os dados ajudam o governo a definir estratégias de políticas públicas.

O Saeb também compõe o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), criado a partir do cruzamento de dados de aprovação, reprovação e abandono escolar à taxa de aprendizagem em português e matemática e, agora, também em ciência.



Fonte: Fonte: G1

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