Férias de julho e vestibular: veja 6 dicas para equilibrar estudo e descanso | Educação

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Chegaram as férias de julho e você, vestibulando, está com dúvidas de como equilibrar estudo e descanso?

O G1 conversou com professores e coordenadores de cursos de pré-vestibular para entender quais as melhores estratégias. Veja, abaixo, 6 dicas:

  1. Reserve um tempo para descansar
  2. Planeje os estudos
  3. Treine provas e a redação
  4. Aposte no diálogo com a família
  5. Não durma demais
  6. Não exagere nos estudos

1) Reserve um tempo para descansar

Parece óbvio, mas é preciso reforçar: as férias são um momento de descanso.

“A gente aqui recomenda que o aluno deva ter uma carga de estudos contínua ao longo dessas férias, mas ele deve também ter um intervalo para descansar”, afirma Heitor Ribeiro, coordenador do Curso Anglo, em São Paulo.

O coordenador explica que, no Anglo, os alunos têm duas semanas de férias; a recomendação dos professores é que eles usem uma semana para estudar e a outra para descansar.

“A gente tenta até ser um pouco imperativo com eles: você não deve estudar. Se estudar, isso vai te prejudicar”, enfatiza. “Você tem ainda todo o segundo semestre pela frente. Se você vem estudando desde março, desde fevereiro, se não descansar agora, a tendência é chegar mais próximo das provas muito esgotado”, alerta Ribeiro.

Já Wander Azanha, coordenador pedagógico da Oficina do Estudante, em Campinas (SP), recomenda uma estratégia que chama de “pouso e decolagem”. Se você tem 3 semanas de férias, pode aplicá-la da seguinte forma:

  • Use a primeira semana para estudar 50% do tempo que estudaria fora das férias (incluindo as horas de aula).
  • Na segunda semana, não estude nada.
  • Na terceira semana, retome o ritmo para, de novo, estudar 50% do tempo que estudaria fora das férias.

(A ideia pode ser adaptada para outros períodos de tempo: férias de um mês podem ser divididas em grupos de dez dias, férias de duas semanas, em grupos de cinco dias, e assim por diante).

Para os estudantes que ficam ansiosos se não estudarem nada, Azanha recomenda o “ócio produtivo”: fazer atividades de lazer que, de alguma forma, estejam ligadas ao vestibular.

“Aquilo que eles não fazem no geral porque não dá tempo. Ler um jornal, uma revista, ver um filme – que eles façam algo produtivo, mas que seja mais prazeroso do que apenas estudar, estudar, estudar”, explica o coordenador.

Mas não precisa se preocupar se não quiser usar seu horário de descanso para fazer atividades ligadas ao vestibular: o mais importante é que sejam coisas que você gosta, frisa Heitor Ribeiro.

“Só que eu não me preocuparia em tentar assistir a séries que possam cair no vestibular ou algum conteúdo nesse sentido. É importante o estudante tirar um tempo para ele mesmo. Fazer coisas de que ele goste”, pondera.

Ele lembra, também, que pode ser um bom momento para passar tempo com a família – já que, conforme as provas forem se aproximando, o distanciamento tende a ficar maior. “É um momento que ele [o aluno] tem para tirar para ele mesmo”, diz.

2) Planeje (e siga!) os horários de estudo

Os professores recomendam planejar os estudos. Veja as dicas:

  • As matérias devem ser divididas por horário – e cada uma deve ter sua quantidade de horas de estudo determinada caso a caso. Não é por você ter estudado duas horas de matemática que precisa passar o mesmo tempo em biologia, por exemplo.

“Eu pego o aluno do cursinho pra medicina, por exemplo, que é muito bom em biologia. Em duas horas, ele vai fazer muita coisa, até mais do que pretendia fazer. Se ele pegar uma matéria que não curte muito, duas horas podem ser pouco. Seria bom ele cravar horas para isso, mas [ao mesmo tempo] ter jogo de cintura, ser maleável”, explica Wander Azanha, da Oficina do Estudante.

“Se em duas horas ele sentiu que aquela matéria específica não conseguiu [terminar], que fique um pouco mais. Mas biologia, se ele sentiu que em uma hora, uma hora e pouquinho, venceu o que pretendia fazer, pare, não continue duas horas. [A ideia é] que ele gaste mais tempo naquilo que tem mais dificuldade e menos tempo naquilo que tem menos dificuldade”, pondera.

  • Não vale “estudar até aprender”

“O companheiro número 1 do vestibulando se chama agenda. E agenda tem horário”, frisa João Pitoscio Filho, coordenador pedagógico do Curso Etapa, em São Paulo.

“Se eu te der um mês para fazer uma tarefa, você vai levar um mês para fazer a tarefa. Se eu te der três horas, vai fazer em três horas. Se [o aluno] pega uma determinada coisa e [diz] ‘vou ficar até entender’, pode ser que ele não entenda. Pode ser que ele fique o dia inteiro e não entenda, jogue o dia dele fora, batendo cabeça numa coisa. Não vai dar o resultado que ele espera”, alerta.

  • Não “roube” horas de uma matéria para estudar outra

Heitor Ribeiro, do Anglo, alerta para uma armadilha: não “roube” horários de uma matéria para estudar outra.

“Se ele se planejar para estudar quatro horas de matemática, [e] terminam essas quatro horas e ele fala ‘ah, não terminei tudo aquilo que eu tinha planejado, vou usar horas de outra matéria’, vão faltar horas para outra matéria”, alerta Heitor Ribeiro, do Anglo.

“Então, é muito importante que o aluno siga esse planejamento. Se ele se planejou para estudar quatro horas de matemática, ele estuda quatro horas de matemática. Ah, ficou faltando coisa? Tudo bem. Marca o que ficou faltando e vai estudar outro assunto”, recomenda.

  • Inclua pausas nos horários planejados

João Pitoscio Filho, do Etapa, lembra que os horários precisam incluir as pausas entre um assunto e outro ou entre disciplinas diferentes. (Uma dica é usar o método Pomodoro).

3) Treine provas e a redação

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Uma recomendação específica de estudo, diz Heitor Ribeiro, do Anglo, é treinar as provas que pretende fazer no final do ano.

“É legal para o aluno que não fez simulados ou não treinou provas usar essas férias, talvez, pra treinar uma prova antiga. Isso é um ponto muito importante. Principalmente o aluno que vai fazer mais de uma prova – que tem às vezes cinco, seis vestibulares diferentes pra fazer. Ele pegar provas sobre as quais tem menos conhecimento, provas que ele nunca fez antes, provas que ele não sabe exatamente como cai [o assunto]. Para poder estudar e conhecer um pouco mais o perfil da prova”, recomenda.

O coordenador também considera a redação um ponto essencial.

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“Pensando principalmente na dos grandes vestibulares aqui de São Paulo. A redação tem um peso muito grande, muito grande mesmo. Então, pelo menos fazer uma redação por semana nessas férias”, recomenda.

4) Aposte no diálogo com a família

Seja qual for o esquema de estudo montado, um problema que pode aparecer nas férias é a expectativa da família em relação à rotina de estudos do vestibulando.

“Existem os dois lados: eu tenho aquela família que cobra para o aluno estudar mais e tenho aquela família que fala para o aluno parar – porque vê que o estudante está num ritmo alucinante”, afirma João Pitoscio Filho, do Etapa. “E aí o aluno briga com o pai, com a mãe”.

Para o coordenador, a chave está no diálogo.

“Converse, explique a situação para a família. Faça combinados. Porque, imagina, [o aluno] quer estudar, ele precisa ter um local, ter silêncio. Imagina numa casa de férias em que você tem um vestibulando e duas crianças menores de férias, ‘tocando o terror’. Não vai conseguir estudar”, lembra.

A psicóloga Priscila Gil Neto, orientadora da Oficina do Estudante, recomenda que as famílias busquem entender o que o vestibular significa para quem está se preparando – e colaborar nos momentos de estudo durante as férias.

“A família tem que ter um olhar para esse aluno vestibulando. E a grande parte dos pais, ou das famílias, não faz ideia do que significa um ano de vestibular para o filho”, avalia.

“Sabe que é difícil? Sabe. [Sabe que] tem que estudar muito, mas não compreende emocionalmente o que isso significa, de fato. Então, a minha dica é: pergunte para o seu filho como que é. Se interesse por esse momento”, sugere Priscila Neto.

“É diferente da escola, onde os pais ficam mais presentes ali, cobram alguma questão de nota. É diferente. É uma questão mesmo de diálogo familiar”, diz.

Quase certamente você passará pela tentação de compensar as horas pouco dormidas no primeiro semestre dormindo muito nas férias. Mas isso também não é uma boa ideia, segundo os coordenadores.

“Se o aluno acordava às 5h30, 6h para assistir aula, ele não precisa acordar nesse horário nas férias, obviamente. Mas também não pode acordar duas horas da tarde. Ele tem que tentar manter uma rotina próxima dos horários de dormir, principalmente”, explica Heitor Ribeiro, do Curso Anglo.

“Pode ficar acordado até mais tarde, ‘maratonar’ uma série, não tem problema. É só importante ele não desregular completamente os horários, porque as férias vão acabar, ele vai precisar voltar para o ritmo de estudo. E aí, às vezes, disciplinar o corpo a dormir no mesmo horário, acordar no mesmo horário, acaba sendo a tarefa mais difícil”, completa.

6) Não exagere nos estudos

Mesmo que a princípio possa parecer uma boa ideia usar o tempo sem aulas para estudar todas as horas possíveis do dia, isso não é recomendado pelos professores.

“O estudante tem que ter ciência daquilo que consegue fazer e dar o máximo em relação a isso. Mas não ultrapassar aquele limite”, alerta Heitor Ribeiro, do Anglo.

“Tem estudante que fala que tem muita matéria atrasada, vai estudar 16 horas por dia. No primeiro dia, ele estuda 16 horas. No segundo dia, cai pra 8, porque ele não consegue manter essa carga horária muito alta de estudo”, pontua.

João Pitoscio Filho, do Etapa, frisa: as férias são um momento de descanso.

“É um momento para que a pessoa possa repor as suas energias. Muitos alunos acabam esquecendo disso, fazem um ritmo muito pesado durante as férias e, aí, quando chega um pouco mais lá na frente, lá para o mês de setembro, começo de outubro, que é quando ele precisa ter energia pra fazer os vestibulares que começam em novembro, ele começa a cair. Aí não tem volta”, explica Filho.

“Eu acho que o equilíbrio é a melhor coisa: o aluno se conhecer, saber exatamente do que ele precisa naquele momento”, diz.

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Fonte: Fonte: G1