Estudantes do AM comentam desafio de estudar a distância e lidar com mortes na pandemia: ‘Perdi alguns professores’ | Amazonas

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Estudantes do Amazonas fazem, nesta quarta-feira (24), o segundo e último dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os alunos, que devem responder 45 questões de ciências da natureza e 45 de matemática, comentaram sobre os desafios de se preparar para a prova com o ensino a distância e em meio a situações dramáticas causadas pela pandemia, como a perda de familiares e até professores.

As provas foram adiadas no Amazonas por conta do colapso sanitário enfrentado em janeiro, relacionado à segunda onda da Covid-19. Somente nos primeiros 54 dias de 2021, o número registrado de mortes por Covid-19 no Amazonas já ultrapassou o total do ano passado. No estado, serão 163.444 candidatos. Em todo o país, são esperados 194 mil candidatos em 851 cidades.

O primeiro dia de aplicação de provas teve movimento tranquilo na terça (23). O único município que não aplicou o exame foi Boca do Acre, por conta da enchente que atinge a cidade.

Estudante Mauro do Nascimento Pereira, de 20 anos relatou os desafios de fazer Enem em tempos de pandemia. — Foto: Rebeca Beatriz/G1

O estudante Mauro do Nascimento Pereira, de 20 anos relatou os desafios de fazer Enem em tempos de pandemia. Para ele, foi difícil ver familiares adoecerem. Houve até casos de morte na família, em decorrência da Covid-19.

“Minha bisavó ficou doente, ela faleceu há poucos dias. Não sabemos se era Covid, aguardamos o resultado. Uma tia pegou a doença e se recuperou. Perdi alguns familiares, infelizmente”, comentou.

“Esse ano está bem mais complicado por conta da pandemia, mas pelo que vi, as pessoas estão conscientes. Tinha também poucos alunos na minha sala. Estudar na pandemia foi complicado, de modo geral. Também vi pessoas da minha família adoecerem e morrerem”.

Ele já cursa História na Ufam, e agora tenta uma vaga para Jornalismo. “A prova estava boa, eu gostei de fazer. As questões de hoje também vão pesar bastante, mas vamos ver como vai ser”, resumiu.

Zona Central da capital, poucos estudantes aguardam a abertura dos portões.
Zona Central da capital, poucos estudantes aguardam a abertura dos portões.

1 min Zona Central da capital, poucos estudantes aguardam a abertura dos portões.

Zona Central da capital, poucos estudantes aguardam a abertura dos portões.

Movimento tranquilo em Manaus

Na Zona Central da capital, poucos estudantes aguardam a abertura dos portões. Entre eles Jhonson Belchior e Jacqueline Litaiff, ambos de 18 anos. Os amigos já se formaram e estão buscando ingressar em uma faculdade pública.

Jhonson chegou ao local de prova por volta das 9h30. Ele busca uma vaga no curso de direito e achou o primeiro dia do exame razoável. Segundo o estudante, a preparação escolar ajudou bastante.

“Tivemos uma boa preparação. Os nossos professores passaram bem o espírito da prova e nos ajudaram bastante. Agora pretendo conseguir uma vaga no curso de direito, até por conta da afinidade que eu tenho com a área”, contou.

O estudante também falou sobre a preparação na pandemia. “Eu não me adaptei muito. Mas depois, aos poucos, fui me acostumando e consegui aproveitar o tempo livre para me preparar”.

Ao G1, Jacqueline contou que a preparação foi difícil, pois o formato do ensino a distância não ajudou muito. Ela também falou que perdeu alguns professores para a Covid-19 e outros não conseguiram se adaptar a nova didática.

“Perdi alguns professores, um, inclusive, recentemente. E outros não conseguiram se adaptar muito bem à didática. Mas estudei por fora, fiz um cursinho e acredito que vai dar tudo certo”, ressaltou.

Jhonson e Jacqueline aguardam para fazer o Enem em Manaus — Foto: Matheus Castro/G1

Safira da Silva Nogueira, 18 anos chegou às 10h para o segundo dia de prova. Ela, que vai tentar uma vaga no curso de Pedagogia, contou que teve dificuldade em algumas questões, mas gostou do tema da redação. Ela disse, ainda, que foi uma das últimas sair da sala de aula.

“A prova foi um pouco tensa, mas no fim deu certo. Hoje espero que seja bem melhor que ontem. Saí por volta das 17h. Apesar de longas horas de prova, me preparei, levei água e um lanche leve”, comentou.

Ela comentou que na escola onde fez a prova, muitos faltaram.

“Eram 28 alunos e só compareceram 8 pessoas. Acho que as pessoas estão com medo de sair e pegar o vírus. Mas a prevenção está OK. Tem álcool em gel, distanciamento, enfim, nessa parte está tudo certo”, disse

Suzyene Vitória contou que foi bastante cansativo o primeiro dia — Foto: Rebeca Beatriz/G1

No segundo dia de prova, a estudante Suzyene Vitória, que no dia anterior aproveitou para dar aquela revisada no conteúdo, contou que foi bastante cansativo, e acredita que o nível das questões, pode, ainda, se intensificar.

“Ontem fui uma das últimas a sair da sala. Foram 90 questões, e como eu nunca tinha feito, foi bem complicado. Me enrolei um pouco, mas acho que hoje ainda vai ser mais difícil.

A estudante Isabelly Dias, de 18 anos, também comentou sobre os cuidados. “A gente tem que fazer a nossa parte. Eu trouxe meu álcool em gel, mas também vi alguns vidros de álcool no banheiro. Já foi um ano bastante complicado, as pessoas precisam se conscientizar”, comentou.

Isabelly Dias foi fazer Enem e comentou sobre os cuidados — Foto: Rebecca Beatriz/G1

O marinheiro Gabriel Bandeira, de 20 anos, está fazendo o Enem pela terceira vez. Ele vai tentar uma vaga para o curso de Designer.

“A prova ontem pareceu tranquila. A redação achei OK, um tema bem mais fácil do que na outras edições. Não sei como vai ser hoje, é difícil especular, mas estamos aqui”, resumiu.

Já experiente em fazer o Enem, o jovem contou que 2021 traz, além da prova, um cenário diferente, onde é preciso redobrar os cuidados. E este ano, além do cartão de inscrição e da caneta, ele trouxe também um componente que não estava presente nos anos anteriores, o álcool em gel.

“Acredito que o maior desafio mesmo, este ano, se deu em decorrência de fazer o Enem em um período de pandemia. Mas o distanciamento social foi OK por aqui, e também tinha pouca gente. Na minha sala, tinha no máximo dez pessoas”, disse.

O marinheiro Gabriel Bandeira, de 20 anos, está fazendo o Enem pela terceira vez. Ele vai tentar uma vaga para o curso de Designer. — Foto: Rebeca Beatriz/G1

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Fonte: Fonte: G1

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