Entenda as polêmicas sobre os títulos acadêmicos do novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli

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As titulações estavam declaradas no perfil pessoal de Decotelli na plataforma Lattes. Carlos Alberto Decotelli, em foto de fevereiro de 2019
Geraldo Magela/Agência Senado
Anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro na última quinta-feira (25) como o novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli da Silva acumula ao menos três polêmicas sobre a sua formação acadêmica:
declaração de um título de doutorado na Argentina, que não foi obtido;
denúncia de plágio na dissertação de mestrado da Fundação Getúlio Vargas (FGV);
pós-doutorado na Alemanha, não realizado
As titulações estavam declaradas no perfil pessoal de Decotelli na plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC).
Essa plataforma integra dados de currículos, grupos de pesquisa e de instituições em um único sistema. Ela é autodeclaratória – são os próprios pesquisadores que atualizam os dados – e é considerada um padrão nacional para registro da vida acadêmica.
Terceiro ministro da Educação na gestão Bolsonaro, Decotelli terá quatro principais desafios à frente: a aprovação do Fundeb no Congresso, a realização do Enem 2020, a implantação da BNCC e o apoio aos estados e municípios na gestão da educação na pandemia.
A posse do ministro, prevista para esta segunda, foi adiada.
Confira abaixo as polêmicas no currículo:
Título de doutorado na Argentina, que não foi obtido
Reitor diz que Decotelli não se formou no doutorado pela Universidade Nacional de Rosário
No currículo de Decotelli na plataforma Lattes constava originalmente a informação de doutorado na Universidade Nacional de Rosário concluído em 2009, com a tese “Gestão de Riscos na Modelagem dos Preços da Soja”, sob orientação de Antonio de Araujo Freitas Jr.
No entanto, Decotelli não teve a tese aprovada e com isso não obteve título de doutor na instituição. A informação foi divulgada na sexta-feira (26) pelo reitor da Universidade Nacional de Rosario, Franco Bartolacci, em uma rede social.
Reitor da Universidade Nacional de Rosario, Franco Bartolacci, afirma que Decotelli não obteve título de doutor na instituição.
Reprodução/Twitter
No mesmo dia, o currículo de Decotelli foi alterado. O título da tese e o nome do orientador foram excluídos do sistema. O campo “Título” foi preenchido com “Créditos concluídos”. E, no campo “Orientador”, passou a ser listado: “Sem defesa de tese”.
O ministro afirmou que concluiu todo o curso, completou todos os créditos, mas não fez a defesa de tese. Decotelli afirma que esteve na Argentina de 2007 a 2009, e que não tinha mais interesse em permanecer no país vizinho porque sua vida estava no Brasil.
Certificado da Universidade Nacional de Rosario enviado pelo MEC atesta que Carlos Alberto Decotelli completou todas as disciplinas exigidas no programa de doutorado da instituição
Divulgação/MEC
Denúncia de plágio na dissertação de mestrado da FGV
Dois dias após o anúncio da nomeação de Decotelli, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) anunciou no sábado (27) que vai “apurar os fatos referentes à denúncia de plágio na dissertação do ministro Carlos Alberto Decotelli”. A suspeita é que o novo ministro da Educação tenha copiado trechos e apresentado como produção intelectual própria no trabalho apresentado em 2008 para a conclusão de um mestrado em Administração na instituição.
Em nota, a FGV afirma que o orientador da dissertação foi procurado e que, caso seja confirmado um “procedimento inadequado”, serão tomadas medidas administrativas e judiciais contra o novo ministro.
Procurado pela TV Globo, o ministro Carlos Alberto Decotelli disse que, se cometeu omissões, estas se deveram a falhas técnicas ou metodológicas, e que, por respeito ao direito intelectual dos autores e pesquisadores citados, vai revisar seu trabalho. Caso sejam identificadas omissões, vai procurar viabilizar com a FGV uma solução para corrigi-las, disse o ministro.
O Ministério da Educação disse em nota que “o ministro refuta as alegações de dolo, informa que o trabalho foi aprovado pela instituição de ensino e que procurou creditar todos os pesquisadores e autores que serviram de referência e cujo conhecimento contribuiu sobremaneira para enriquecer seu trabalho”.
Pós-doutorado na Alemanha, não realizado
Em seu currículo Lattes, Decotelli afirmava ter feito um pós-doutorado na Bergische Universität Wuppertal, na Alemanha.
Nesta segunda-feira (29), a universidade diz, em um comunicado, que Decotelli não obteve fez pós-doutorado na instituição. O pós-doutorado é como se chama uma pesquisa e vivência acadêmica realizada em instituições de ensino superior por pesquisadores que já atingiram o nível de doutorado.
Em nota, a universidade alemã afirma que: “O Prof. Dr. Carlos Decotelli se aproximou da Profa. Dra. Brigitt Wolf para uma estadia de pesquisa de três meses em janeiro de 2016. Até 2017, ela foi professora de teoria do design, com foco em metodologia, planejamento e estratégia na Universidade de Wuppertal e é agora emérita. Carlos Decotelli não adquiriu um título em nossa universidade. Ele não foi um pós-doc em nossa universidade. A Universidade de Wuppertal não pode se pronunciar sobre títulos adquiridos no Brasil”,
O G1 verificou também uma alteração no currículo do ministro, na plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que excluiu a citação ao pós-doutorado.
Currículo Lattes do ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli Silva, foi alterado após Universidade de Rosário, na Argentina, afirmar que ele não obteve titulação de doutor.
Reprodução/Plataforma Lattes
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Fonte: Fonte: G1