Enem: entenda por que ‘sair chutando’ as respostas não dá certo na prova | Enem 2020

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No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), não dá para contar só com a sorte. O método de correção da prova – chamado Teoria de Resposta ao Item (TRI) – é programado para dar uma nota menor a quem “chutar” as respostas.

Mas como? Imagine um atleta competindo em uma prova de salto em altura. Se ele foi capaz de saltar 3 metros, deve ter conseguido também pular o obstáculo de 2 metros, certo? A TRI busca detectar essa coerência no desempenho dos alunos no Enem.

Se um candidato acertou uma questão muito difícil, deve ter resolvido com tranquilidade a de nível fácil.

Por outro lado, se ele acertou as 15 questões mais complexas de matemática, mas errou justamente as 15 mais fáceis… provavelmente foi na sorte. O sistema de correção detecta o “acerto ao acaso” – ou seja, o “chute” – e atribui uma pontuação menor ao candidato.

É uma forma diferente da que é usada para corrigir a Fuvest, por exemplo, em que o número de acertos corresponde à nota final. No Enem, cinco candidatos podem acertar exatamente a mesma quantidade de questões, mas tirarem notas bem diferentes.

“Um caso real: com 17 acertos, a pontuação variou de 350 a 700 pontos, segundo os microdados do Enem. É um exemplo extremo, mas que deixa claro como a TRI é decisiva principalmente com números baixos de acerto”, afirma Edmilson Motta, coordenador geral do Grupo Etapa.

Abaixo, tire suas dúvidas sobre a TRI:

1- Como a TRI sabe que uma questão é “fácil” ou “difícil”?

A TRI é um sistema matemático complexo, programado por uma série de fórmulas. Em primeiro lugar, há uma avaliação do conteúdo cobrado. Na mesma edição, pode haver duas questões de álgebra: uma exigindo apenas uma conta, outra cobrando uma interpretação mais ampla e um número maior de cálculos. Pela lógica, o candidato que conseguir resolver a segunda (mais difícil) deve ter acertado também a primeira (mais simples).

Além disso, para classificar o nível de dificuldade de uma pergunta, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) aplica pré-testes, antes do Enem, para grupos semelhantes aos que vão prestar o exame. Com base no número de pessoas que acertaram aquela resposta, é possível mensurar a dificuldade dela.

“É uma seleção estatística. Fazemos um sorteio de escolas para que seja uma amostra significativa: tenha colégios de diferentes níveis de desempenho no Enem, de todas as faixas de renda”, diz Eduardo Carvalho Sousa, coordenador-geral de exames para certificação do Inep.

Mas o aluno que participou do pré-teste não vai levar vantagem no Enem “de verdade”? Sousa explica que as questões testadas ficam em uma espécie de quarentena. Depois de serem aplicadas para as amostras de estudantes, vão permanecer no banco de perguntas por determinado período.

“Provavelmente, quando aquela questão for realmente cair no Enem, os alunos do pré-teste já estarão na faculdade ou terão desistido de prestar o exame”, diz o funcionário do Inep. “O risco de alguém ser favorecido é praticamente inexistente.”

2- Quais as vantagens da TRI?

  • ao detectar os famosos “chutes”, premia o aluno que, de fato, se preparou para a prova, e não aquele que apenas pode dar sorte de acertar as alternativas;
  • possibilita a comparação entre candidatos que tenham feito diferentes edições do exame;
  • torna mais improvável que dois concorrentes tirem exatamente a mesma nota – já que o resultado final é divulgado com duas casas decimais (816,48 pontos, por exemplo).

“É um sistema complexo e mais justo. Os alunos costumam achar que é algo subjetivo, mas não. Há um calibre da pontuação de cada questão, para que a nota realmente corresponda ao desempenho do candidato”, diz Vicente Delorme, diretor de planejamento do Colégio pH (RJ).

3- Vale a pena deixar questão em branco?

Não. Os professores ouvidos pelo G1 reforçam que os candidatos nunca devem deixar o gabarito em branco.

A TRI não tira pontos de quem chuta a resposta – apenas dá uma pontuação menor para o acerto “na sorte”.

“O aluno com desempenho incoerente, que errou as fáceis e acertou as difíceis, vai ganhar menos pontos. Mas não vai deixar de ganhar nota. Não preencher o gabarito não é uma boa estratégia”, diz Delorme.

4- É melhor começar a prova pelas questões mais fáceis?

É interessante garantir o acerto das mais fáceis – o problema é que elas não vêm identificadas. Não há como descobrir, de cara, o nível de dificuldade de cada uma.

No segundo dia de Enem, por exemplo, o aluno deve fazer as provas de matemática (45 questões) e de ciências da natureza (outras 45). Se ele se dedicar exaustivamente às 45 perguntas de matemática, vai chegar cansado à prova de ciências da natureza – e correrá o risco de errar as mais simples.

Motta, do curso Etapa, sugere uma estratégia:

Uma boa alternativa é fazer um pouco de cada prova, ainda com a cabeça fresca. Depois, reservar uma parte do tempo para resolver as mais trabalhosas”, diz. “Pode ser 1h30 para uma prova, 1h30 para a outra. Quando aparecer alguma questão difícil, é só pular e voltar para ela depois. Assim, dá para aumentar a chance de acertar as fáceis.”

5- A TRI deve mudar meu jeito de estudar?

Não. O aluno que estiver preparado para o Enem vai ter um desempenho coerente e, por consequência, uma boa nota.

O que pode ajudar a definir as prioridades de estudo antes da prova é já pensar em que curso o candidato quer fazer. No Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que usa a nota do Enem para selecionar alunos para universidades públicas, algumas instituições atribuem peso às provas.

Por exemplo: a nota final de quem se candidatar para uma vaga em direito vai dar um peso maior à prova de ciências humanas do que à de matemática. Nesse caso, Delorme afirma que vale a pena, “na hora H”, caprichar na revisão de história e geografia.

6- A redação também é por TRI?

Não. A TRI só vale para as respostas de múltipla escolha. Na redação, os corretores atribuem uma nota de 0 a 1.000, com base nas competências exigidas pelo Enem.

7- Por que ninguém tira zero nas questões do Enem?

Sousa, do Inep, explica que a TRI avalia até mesmo o erro do aluno. “Cada alternativa incorreta tem uma função. Ela pode mostrar qual nível de conhecimento o aluno tem”, diz. “É por isso que ninguém tira zero no Enem.”

Supondo que a pergunta seja “quanto é 50 – 25?”. O correto, claro, é “25”. O aluno que marcou “24” tem um nível de conhecimento diferente do que respondeu “75”. Cada erro dá alguma pontuação para o candidato. A alternativa mais absurda vai render menos pontos do que aquela que foi “na trave”.

  • Provas impressas: 17 e 24 de janeiro.
  • Prova digital: 31 de janeiro e 7 de fevereiro.
  • Reaplicação da prova: 23 e 24 de fevereiro
  • Resultados: a partir de 29 de março



Fonte: Fonte: G1

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