Enem 2020: 1º dia de provas é marcado por atrasos, superação e temor da Covid-19 em Piracicaba | Piracicaba e Região

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O primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020, realizado neste domingo (17), foi marcado por estudantes atrasados, histórias de superação e temor da Covid-19 em Piracicaba (SP). De acordo com relatos de candidatos ouvidos pelo G1 ao longo do dia, as questões abordaram temas como o assédio, desigualdade salarial no futebol e meio ambiente.

As seis cidades da região tiveram 19.897 candidatos inscritos, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A primeira prova foi composta por 45 questões de linguagens, 45 de ciências humanas e redação, e o índice de abstenção não foi divulgado.

A segunda prova será dia no dia 24 – veja abaixo detalhes

Para os candidatos ouvidos pelo G1, o tema escolhido para a redação deste ano, “O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira”, trata de um assunto urgente e relevante.

“É um assunto importante de ser abordado, para que as pessoas entendam a importância do tratamento e que a depressão não é uma frescura”, disse a estudante Gabriele Martins, de 18 anos.

O candidato Fredson da Silva Moraes Junior, de 22 anos, considerou o tema “inesperado”. “Até esperava algo sobre saúde, por conta do momento que estamos vivendo, mas não sobre saúde mental. É um tema importante, sempre temos algum conhecido ou alguma pessoa na família com depressão, por exemplo, que é uma doença que afeta milhões de pessoas”, disse.

Fredson da Silva Moraes Júnior, de 22 anos, mora em Piracicaba há 15 anos — Foto: Rafael Bitencourt/G1

Preocupações com a pandemia

De acordo com o jovem, os protocolos sanitários de prevenção à Covid-19 foram cumpridos durante toda a prova, o que ajudou a enfrentar o temor da pandemia. “Toda hora os candidatos se higienizavam com álcool em gel, e ninguém fez a prova sem máscara na minha sala. Todo mundo se respeitou”.

Gustavo Tavares, de 19 anos, também elogiou as medidas adotadas. “Tivemos distanciamento, álcool em gel. Quem quisesse se alimentar poderia tirar a máscara, comer e logo depois recolocar”, contou.

Do lado de fora dos portões, alunos atrasados foram impedidos de fazer na Faculdade Anhanguera e na Escola Estadual Professor Elias de Mello Ayres. A candidata Júlia Cirqueira Neves, de 20 anos, busca uma vaga no curso de odontologia e chegou ao local de prova às 13h02, dois minutos após o fechamento. Ela alega que o problema foi decorrente do trânsito.

Helen Melissa Oliveira, de 18 anos, perdeu o primeiro dia da prova após confundir os horários de fechamento dos portões e chegar dez minutos atrasada à Faculdade Anhanguera. Ela lamentou o atraso e contou que se preparou para buscar uma vaga no curso de psicologia.

“Achei que poderia entrar até 13h30. O sentimento é de frustração, me preparei o ano de 2020 inteiro”, ressaltou a jovem.

Helen Melissa Oliveira, de 18 anos, quer ingressar no curso de psicologia — Foto: Rafael Bitencourt/G1

Em busca de uma segunda chance, Luiz Marcelo Lara, de 51 anos, prestou o Enem com o incentivo da filha, de 14 anos. Ele entrou no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) em 2015 e, por motivos pessoais, teve que trancar o curso de mecatrônica em 2017. “Esse ano decidi voltar para o curso e, para isso, preciso prestar o Enem de novo”, explicou.

Já Monique da Silva, de 22 anos, realizou a prova do Enem após deixar o curso de ciências biológicas na Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Em busca de uma vaga na Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), ela diz que retornou à cidade para ajudar os pais financeiramente na pandemia.

“Deixei a universidade federal no RS para voltar para Piracicaba e ajudar meus pais na pandemia […] O fato de não ter diploma universitário e a falta de experiência atrapalham. Estou em busca de emprego”, afirma.

Segundo a estudante, a decisão de retornar para a cidade natal aconteceu após a paralisação das aulas na Unipampa quatro meses após o início do ano letivo de 2020. Ela busca uma vaga na área de comunicação, mas afirma não estar completamente decidida.

Monique da Silva, de 22 anos, deixou curso em federal do RS para ajudar os pais na pandemia — Foto: Rafael Bitencout/G1

No próximo domingo (24), os candidatos realizam as provas de ciências da natureza e suas tecnologias, além de matemática e suas tecnologias. O exame terá duração de cinco horas e reúne 45 questões de múltipla escolha nas seguintes disciplinas: química, física, biologia e matemática.

  • Obrigatório: caneta preta confeccionada em material transparente
  • Obrigatório: documento de identificação original com foto, podendo ser identidade, carteira de registro nacional migratório, carteira de trabalho, certificado de reservista, passaporte e carteira de motorista (CNH)
  • Obrigatório: máscara de proteção cobrindo nariz e boca
  • Caso o documento tenha sido roubado ou furtado antes do exame, o candidato deverá apresentar o boletim de ocorrência expedido por um órgão policial há, no máximo, 90 dias
  • Documentos como certidão de nascimento ou de casamento, título eleitoral, CNH anterior a 1997, carteirinha de estudante, crachás, vias digitais ou cópias autenticadas não serão aceitos
  • Telefones celulares e quaisquer equipamentos eletrônicos devem ser desligados e guardados em um envelope lacrado, que permanecerá debaixo da carteira. Entram na lista: calculadoras, agendas eletrônicas, tablets, iPods, gravadores, pen drive, relógio, chaves com alarme, fones de ouvido e gravadores
  • Durante a aplicação do exame, se algum aparelho, mesmo que devidamente guardado, emitir som, o candidato será eliminado
  • Lápis, caneta de material não transparente, lapiseira, borracha, régua, corretivo, livros, manuais e anotações são proibidos – devem ficar guardados no envelope
  • Qualquer dispositivo que receba imagens, vídeos ou mensagens é vetado
  • Óculos escuros, bonés, chapéus, viseiras ou gorros não são permitidos

Protocolos contra a Covid-19

  • Disponibilização de álcool em gel nos locais de prova e nas salas
  • Recomendação de distanciamento social no deslocamento até as salas de provas
  • Identificação de candidatos do lado de fora das salas, para evitar aglomeração – haverá marcações no piso para ter distanciamento, caso haja fila
  • Contratação de um número maior de salas: na edição de 2019 foram 140 mil locais de aplicação; agora serão 200 mil
  • Salas de provas com cerca de 50% da capacidade máxima
  • Candidatos idosos, gestantes e lactantes ficarão em salas com 25% da capacidade máxima
  • Higienização das salas de aulas, antes e depois do exame

*Sob a supervisão de Fernando Pacífico, Gabriella Ramos e Marcello Carvalho



Fonte: Fonte: G1

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