Doença transmitida por gatos tem aumento de casos e já preocupa autoridades em saúde; saiba mais


A esporotricose tem apresentado um avanço preocupante em diversos estados do Brasil e registra casos em países vizinhos, inclusive Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile.

Classificada como zoonose, a doença permanece fora de controle, como alertou o infectologista Flávio Telles, coordenador do Comitê de Cicotologia da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Forma de infecção e sintomas da patologia

A esporotricose é provocada pelo fungo Sporothrix brasiliensis, encontrado na natureza, muitas vezes em materiais orgânicos, como espinhos, farpas, gravetos, plantas, solo, palha e madeira.

Para ocorrer a contaminação, é necessário que haja contato direto com esses materiais e, em seguida, uma lesão que facilite a penetração do micro-organismo na pele.

Uma vez infectado, o hospedeiro do fungos passa a apresentar lesões de pele avermelhadas semelhantes a espinhas que sofreram erupções. Além disso, são observados sintomas como coceira, vermelhidão, ardência, purulência e dor local.

(Imagem: divulgação)

É importante observar que cães e gatos também podem desenvolver a esporotricose, mas somente os felinos têm a capacidade de transmitir a doença aos humanos, por meio de arranhões, mordidas ou, em casos mais raros, via gotículas de espirro.

Além do Sporothrix brasiliensis, outro agente causador da esporotricose é o Sporothrix schenckii, localizado em plantas, palhas, fragmentos de vegetais e fibras, afetando agricultores e outros trabalhadores rurais.

Segundo Telles, no Brasil, 90% dos casos são atribuídos ao Sporothrix brasiliensis, que tem como via de transmissão principal os felinos.

Casos no Brasil registram aumento

A esporotricose já estava despertando a atenção da comunidade científica devido ao significativo crescimento nos casos registrados no Brasil.

Em 10 anos, houve uma impressionante elevação de 162% na taxa de contaminação no estado do Rio de Janeiro, com o número de casos subindo de 579 em 2013 para 1.518 no ano passado, conforme dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

Os casos entre menores de 15 anos também apresentaram um aumento dramático, passando de 26 em 2013 para 196 em 2022, representando um crescimento de 653%.

Essa tendência de elevação nos números já vinha sendo observada em outros estados, como São Paulo e Minas Gerais, desde o final de maio.

Por tudo isso, o ideal é evitar contato com gatos de rua e selvagens, além de manter cuidados na lida diária com gatos domésticos. Ademais, observar a cobertura vacinal dos animais domésticos é um imperativo para evitar infecções como essa.

Ao notar os primeiros sintomas de esporotricose, o ideal é procurar um pronto socorro o mais rápido possivel.



Portal R7