Cursos de qualificação mudam a vida de mulheres da periferia – Notícias

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Moradora do bairro Americanópolis, no extremo sul de São Paulo, Maiara Oliveira, 25 anos, é graduada em educação física e atua como educadora física na Aldeia do Futuro, instituição social que a acolheu como aluna do curso profissionalizante em oficinas socioeducativas. A jovem se especializou e se destacou conquistando uma vaga de emprego na própria instituição.


“É muito gratificante lembrar que entrei aqui como aluna e hoje sou uma educadora e posso inspirar os outros estudantes”, lembra emocionada.


Maiara faz pós-graduação em desenvolvimento e treinamento para terceira idade, mas trabalha com todos os públicos da instituição: de iniciação esportiva, jogos cooperativos, corporalidade e saúde até ginástica com os idosos.





“Antes, eu não tinha uma perspectiva profissional, e aqui eu me encontrei graças ao curso profissionalizante, tive o apoio de professores que me ajudaram e me incentivaram”, conta a jovem.


A Aldeia do Futuro é uma organização social sem fins lucrativos que promove a qualificação profissional gratuita para jovens e adultos de regiões periféricas, sobretudo expostas à vulnerabilidade e risco social.





Luciana Lara, 43 anos, é especialista em turbante com cabelo e mora no bairro Cidade Domitila, também na região sul, de São Paulo. Após o curso profissionalizante de cabeleireiro, iniciou o projeto ‘Cabelo Manero’ que além de ajudar a pacientes oncológicos, também atende a diversas pessoas que desejam mudar o visual.


“Meu objetivo era ser cabeleireira, mas durante o processo comecei a costurar e a produzir turbantes. Foi aí que eu tive a ideia de unir os dois processos, e passei a produzir turbantes com cabelo”, explica. “O curso ajudou a aprimorar o meu trabalho, antes eu trabalhava com fio sintético e hoje trabalho com fio natural”, conta a empreendedora.


Bruno Sampaio Gonçalves, diretor da escola profissionalizante Portal Jovem Empreendedor, explica que os cursos profissionalizantes podem dar base aos jovens para empreenderem e terem o próprio negócio. O especialista lembra da própria experiência após finalizar o curso de manutenção de computadores. “Eu pegava meus equipamentos e comparecia nas empresas para arrumar os aparelhos, era dono do meu próprio negócio e isso me sustentava”, diz.


Segundo Sampaio, para o jovem recém-formado no ensino médio e sem expectativa de ingresso no ensino superior os cursos profissionalizantes dão um norte. “Por mais que não seja a profissão do seu futuro, o curso irá introduzi-lo de forma mais rápida no mercado de trabalho”, explica.





“Que profissão eu teria hoje se não fosse a de cabeleireira? Eu não tinha perspectiva até a realização do curso profissionalizante”, diz Dulcy Almeida, 34 anos, moradora do Parque América.  A empresária do ramo da beleza possui um salão com três ambientes, é visagista e terapeuta capilar.


Dulcy conta que foi há 15 anos que teve seu primeiro contato com a área. Na época, a mãe trabalhava como faxineira e não havia condições para pagar um curso. “Em busca de um futuro melhor, fui atrás de aulas gratuitas na minha região”, comenta.


A jovem fez o curso de cabeleireira, quando conquistou os clientes e renda, se especializou fazendo novos cursos não-gratuitos. “No ensino superior eu me formei em estética e cosmética com ênfase em visagismo e terapia capilar pela Universidade Anhembi Morumbi”, diz. “Hoje sou mentora, tenho salão próprio, e, vou começar a lecionar. Os cursos profissionalizantes são uma ótima oportunidade, principalmente para os jovens da periferia”, explica a Dulcy.


*Estagiário do R7 sob supervisão de Karla Dunder






Fonte: Fonte: R7