‘Aprendi que posso conquistar os meus sonhos’, diz participante do Jovens Embaixadores – Notícias

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Felipe Storch deixou o Acre pela primeira vez em 2010 rumo aos Estados Unidos como parte do programa Jovens Embaixadores. A viagem, como ele define, foi um marco em sua vida. Larissa Moreira viajou pela primeira vez de avião em 2014 com outros estudantes de escolas públicas rumo a Washington e voltou com a certeza de que pode mudar a realidade das escolas brasileiras.


O Jovens Embaixadores é uma iniciativa oficial do Departamento de Estado dos EUA e, no Brasil, é coordenado pela embaixada e consulados dos Estados Unidos. O programa, que neste ano completa 20 anos de existência, tem como objetivo mudar a realidade de jovens estudantes da rede pública.


“O Jovens Embaixadores é um grande sucesso porque conecta jovens criativos e talentosos do Brasil e dos Estados Unidos, uma troca de experiências que aprofunda laços e permite o intercâmbio cultural”, destaca Todd Miyahira, adido para assuntos de educação e cultura da Embaixada dos Estados Unidos. 





A oportunidade de conhecer uma nova cultura e pessoas diferentes é a motivação de Vitória Silveira Santos Domingos, que participa pela primeira vez do programa. “Tenho a expectativa de ter mais empatia com as diferenças e viver novas experiências.”


Vitória é moradora da pequena Santa Branca, um município de 15 mil habitantes no Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Estudante de escola pública, a menina atua em projetos sociais com crianças de áreas rurais e de alta vulnerabilidade na cidade.


Já Thales de Albuquerque Lima, que também participa pela primeira vez do intercâmbio, diz que a solidariedade vem de família. “Meu avô era muito atuante na comunidade, minha mãe lidera um instituto que cuida de crianças com câncer e eu participo do projeto JK Sustentável, um projeto social ligado ao colégio técnico onde estudo”, conta. “Recolhemos óleo de cozinha, transformamos em sabão e com os recursos organizamos um curso preparatório para os alunos do 9º ano, para que possam ingressar no ensino técnico.”





Este é o perfil dos jovens embaixadores: estudantes do ensino médio na rede pública que se destacam não só pelo desempenho escolar, mas também pela atuação e engajamento em iniciativas de impacto social. Neste ano, a seleção contemplou pelo menos um representante de cada estado brasileiro e do Distrito Federal, somando 50 jovens, que viajam aos EUA de 1º a 18 de julho.


O grupo segue para Washington D.C., onde participa de oficinas sobre liderança, visita escolas e projetos de empreendedorismo social e se reúne com representantes do governo dos Estados Unidos. 


Em seguida, eles viajam para diversas cidades do país para conhecer projetos de empreendedorismo jovem e ações ligadas à justiça social.  Desde a sua criação, 698 jovens brasileiros já participaram desse intercâmbio. “O sucesso foi tamanho que o ampliamos para outros países das Américas”, diz Todd Miyahira.


Além da expansão para outros países, o Jovens Embaixadores dá frutos. Felipe Storch atualmente trabalha com ONGs e projetos na região amazônica. Formado em economia e estudos ambientais pelo Franklin & Marshall College, na Pensilvânia, ele foi bolsista integral — ganhou a bolsa Davis International Scholars. 





“Eu atuei por cinco anos na Acnur [Agência da ONU para Refugiados] e no ISA [Instituto Socioambiental]. Tive a oportunidade de atuar na gestão de programas de capacitação”, conta.  Atualmente, o jovem trabalha como coordenador de subsídios em um projeto de cooperação com a Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) de resposta à Covid-19 nos nove estados da Amazônia brasileira. “Creio que estou fechando um ciclo e pretendo voltar para os Estados Unidos para fazer o mestrado em políticas públicas.”


Felipe, que foi recebido pela então primeira-dama Michelle Obama em 2010, diz que a maior lição que tirou de todo esse processo de aprendizado foi “acreditar que é possível, com dedicação e foco, alcançar os sonhos; eu era muito tímido e hoje sei que posso apoiar a minha região”.


Larissa Moreira saiu de Betim, em Minas Gerais, e se reconhece como “fruto da escola pública”. Ela conta que, após a participação no programa, decidiu criar o InspiraSonho, uma organização cuja missão é conectar estudantes com experiências de aprendizagem significativa fora da sala de aula.


“Percebi que as informações não chegam até os estudantes. Temos vários projetos que podem ampliar as experiências fora da escola, mas poucos tomam conhecimento, e o InspiraSonho nasceu com a intenção de fazer essa conexão.”


Larissa também foi bolsista integral, mas no Babson College, e atualmente trabalha com secretarias de Educação para auxiliar na implantação do ensino integral. Ela também pretende fazer mestrado nos Estados Unidos. “Acredito que só a educação pública de qualidade pode quebrar o ciclo de pobreza no país.” 


Para os interessados, a expectativa é que o Jovens Embaixadores de 2023 aconteça em janeiro e que, caso isso se confirme, as inscrições sejam abertas em agosto no site do programa.




Fonte: Fonte: R7