Ansiedade em efeito dominó: entenda o que aconteceu na escola do Recife e saiba como evitar – Notícias

Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on whatsapp



Uma crise de ansiedade em efeito dominó: na última sexta-feira (8), 26 estudantes tiveram de ser socorridos pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) na Erem (Escola de Referência em Ensino Médio) Ageu Magalhães no Recife, em Pernambuco. Especialistas ouvidas pelo R7 explicam que antes da crise, adolescentes já apresentam sinais de que algo não vai bem. 


Os 26 estudantes apresentaram os mesmos sintomas: crise de choro, tremores e falta de ar. De acordo com o Samu, foi uma crise de ansiedade coletiva. “Uma aluna passou mal e houve uma reação em cadeia, os demais estudantes tiveram os mesmo sintomas, mas é preciso dizer que não existe uma reação como esta sem que haja um quadro de estresse ou ansiedade prévio”, explica a neuropsicanalista Priscila Gasparini Fernandes.


A ansiedade se caracteriza por um medo subjetivo e preocupação constante. “A ansiedade pode ser explicada como um medo de que algo ruim aconteça. É uma antecipação de um risco potencial e faz com que o corpo tenha reações que o preparam para agir frente a possibilidade de uma ameaça”, explica Alcione Marques, mestre em ciências pela Unifesp, pedagoga e psicopedagoga e diretora da Neuroconecte (que atua com Educação Emocional de educadores e Saúde Mental na escola). 



Diante de uma possível ameaça, o corpo se prepara para fugir da situação de estresse. Segundo Priscila,”a ansiedade é natural, mas passa a ser um problema quando as reações são desproporcionais aos eventos ou atrapalha a rotina das pessoas, neste caso a indicação é de psicoterapia e até medicação adequada.”


Efeito dominó


De acordo com os relatos, uma estudante se sentiu mal e o desconforto atingiu os colegas, como uma onda. “Não sabemos ao certo, mas pode ter havido um contágio emocional entre esses jovens — as emoções têm esse efeito: pessoas em um grupo que estão alegres e rindo tendem a levar as outras a rir também e ter seu estado emocional influenciado. O mesmo vale para a tristeza, para o medo e, neste caso, para a ansiedade”, destaca Alcione.


A adolescência é uma fase marcada pelas mudanças hormonais, pelos primeiros relacionamentos e definição profissional, como observa psicopedagoga Patricia Marques. “Além disso, os mais jovens têm de lidar com a cobrança de provas e vestibular, a pressão do grupo e, em alguns casos,  com o bullying, que são fatores de estresse.”  Vale destacar que os alunos da escola Gil Magalhães estavam em semana de provas.


Pandemia x Saúde Mental


O isolamento social causado pela pandemia de Covid-19 impactou diretamente a educação, seja pelos problemas de aprendizado como também a saúde mental. Alcione acredita que os adolescentes “perderam habilidades sociais e emocionais, o que pode fazer com que tenham maior dificuldade para manejar suas emoções, se relacionar e para lidar com questões sociais que antes poderiam parecer menos desafiadoras.”



“É possível que muitas escolas tenham erroneamente pensado que uma semana de acolhimento e adaptação fosse suficiente para retomar a rotina que a escola tinha antes da pandemia, mas o que estamos vendo é que a escola terá de atuar de uma maneira mais ampla e menos superficial neste contexto. Terá de priorizar ações e espaços de escuta, de trocas, de apoio – talvez seja necessário rever o que será ensinado, não será possível ensinar tudo.”


Como identificar a ansiedade na escola e como lidar


É importante que família e escola observem se houve uma mudança de comportamento dos adolescentes: comia muito e passou a comer pouco ou vice-versa, se o sono está normal, se o adolescente está falando muito rápido ou se as pernas estão inquietas, se há dificuldade de concentração. 


“A escola deve avaliar se existe algum fator de estresse a mais no ambiente escolar como um professor ou um grupo que estejam colocando pressão”, diz Patrícia. “O trabalho socioemocional envolvendo família e escola é fundamental para que os adolescentes possam falar o que estão sentindo, uma atividade em grupo que dê voz a eles.”




Fonte: Fonte: R7